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JC e-mail nº 3468, de 12 de Março de 2008
Institutos terão que se adaptar ao Sistema Brasileiro de Tecnologia, diz Alaor Chaves
Para o professor da UFMG e presidente da Sociedade Brasileira de Física, entidades como SBPC e ABC devem cobrar de forma mais efetiva a implementação de iniciativas voltadas para a inovação tecnológica
Como parte das ações do PAC da CT&I, anunciado em novembro do ano passado, o governo decidiu criar o Sistema Brasileiro de Tecnologia (Sibratec).
O objetivo é apoiar o desenvolvimento tecnológico do setor empresarial nacional, por meio da promoção de atividades de pesquisa e desenvolvimento de processos ou produtos voltados para a inovação; e da prestação de serviços de metrologia, extensionismo, assistência e transferência de tecnologia.
Para Alaor Chaves, professor da UFMG e presidente da SBF, os institutos de pesquisa do MCT terão que se modernizar para conseguir acompanhar as demandas desse novo sistema.
“A idéia do Sibratec é revigorar e expandir os institutos de pesquisa governamentais, principalmente no setor tecnológico. Claro que a atividade acadêmica não pode ser penalizada, mas é preciso garantir um crescimento importante no setor mais voltado para a tecnologia, para que os gargalos na área sejam resolvidos”, argumenta.
Chaves esteve no Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF), na tarde desta segunda-feira (10/3), para apresentar a palestra “Os desafios da inovação no Brasil: oportunidades para os institutos governamentais de pesquisa".
A seu ver, o Sibratec deve propiciar a criação de novos institutos, que deverão ter um perfil mais tecnológico e menos acadêmico. O presidente da SBF tomou como exemplo o CBPF, por ele considerado muito mais semelhante a um centro universitário.
“Esses institutos, em geral, enfrentam desafios que extrapolam a escala das instituições universitárias. São missões diferentes”, avalia.
Mas ele ressalta que, no caso do CBPF, a realização de projetos desafiadores ligados à inovação tecnológica e que exijam a renovação de equipes não é incompatível com aqueles já desenvolvidos. “O novo não matará o tradicional, na verdade dará mais vigor à instituição”, diz.
Outro ponto observado por Chaves foi o envelhecimento dos quadros dos institutos de pesquisa ligados ao MCT. Segundo ele, 30% dos pesquisadores poderão se aposentar nos próximos anos, e a perspectiva é de que o MCT abra concurso para apenas 42 pesquisadores.
“Se o governo busca realmente um revigoramento e uma ampliação da rede de pesquisa tecnológica tem que pensar em pelo menos cinco mil pessoas. Só a Embrapa tem 1.280 pesquisadores, dos quais 65% são doutores. É preciso pensar em escalas semelhantes para os institutos do MCT”, aponta Chaves.
Para ele, entidades como SBPC e ABC, junto com as sociedades científicas, devem se organizar de forma mais efetiva para cobrar a implementação das medidas anunciadas no PAC da CT&I.
Sibratec
Em portaria publicada no último dia 29 de fevereiro, o MCT determinou que a Secretaria de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação (Setec) ficará responsável por dar início à implementação do Sibratec, com a instalação do Comitê Gestor e dos Comitês Técnicos.
Os membros do Comitê Gestor foram definidos em 28 de janeiro. São eles:
- Representantes do MCT: Luiz Antonio Rodrigues Elias, titular, que presidirá o comitê, e Guilherme Henrique Pereira, suplente;
- Representantes do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC): Francelino Lamy de Miranda Grando, titular, e Armando Meziat, suplente;
- Representantes do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento: Kátia Marzall, titular, e Leontino Rezende Taveira, suplente;
- Representantes do MEC: José Educado Bueno de Oliveira, titular, e Getulio Marques Ferreira, suplente;
- Representantes do Ministério da Saúde: Reinaldo Guimarães, titular, e Adriana Diaféria, suplente;
- Representantes do Ministério de Minas e Energia: Carlos Nogueira da Costa Junior, titular, e Fernando Antonio Freitas Lins, suplente;
- Representantes do Ministério das Comunicações: Igor Vilas Boas, titular, e David Meister, suplente;
- Representantes da Secretaria Especial de Ações Estratégicas: Marcelo Bicalho Behar, titular, e Guilherme Alberto Almeida de Almeida, suplente;
- Representante da Finep: Eugenius Kaszkurewicz, titular, e Avílio Antonio Franco, suplente;
- Representantes do CNPq: José Roberto Drugowich de Felício, titular, José Oswaldo Siqueira, suplente;
- Representantes do BNDES: Helena Tenório Veiga de Almeida, titular, e Claudia Nessi Zonenschain Olinto Ramos, suplente;
- Representantes da Capes: Jorge Almeida Guimarães, titular, e Emídio Cantídio de Oliveira Filho, suplente;
- Representantes da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI): Reginaldo Braga Arcuri, titular, e Evando Mirra de Paula e Silva, suplente;
- Representantes do Inmetro: João Alziro Herz da Jornada, titular, e Jorge Humberto Nicola, suplente;
- Representantes do Instituto Nacional de Propriedade Industrial (Inpi): Jorge de Paula Costa Avíla, titular, e Ademir Tardelli, suplente;
- Representantes da Confederação Nacional da Indústria (CNI): Rafael Esmeraldo Lucchesi Remacciotti, titular, e Maurício Otávio Mendonça Jorge, suplente;
- Representantes do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae): Luiz Carlos Barboza, titular, e Paulo César Rezende Carvalho Alvim, suplente;
- Representantes da Associação Nacional de Pesquisa, Desenvolvimento e Engenharia das Empresas Inovadoras (Anpei): Sebastião Lauro Nau, titular, e Guilherme Marco de Lima, suplente.
(Daniela Oliveira) |