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EDIÇÃO EXTRA



Brasília, 21 de maio de 2008 — Nº 730 — Ano 8



LEIA NESTA EDIÇÃO ____________________________________

1. Sebrae e Finep vão lançar edital para indústrias criativas

2. Inovação, desenvolvimento e produtivo são os conceitos-chave da Carta de Belo Horizonte   

3. Inovações brasileiras não são apenas de base tecnológica

 

1 - Sebrae e Finep vão lançar edital para indústrias criativas

     O Sebrae e a Finep estão acertando os detalhes de um novo edital que deverá movimentar as empresas criativas. A proposta é lançar uma chamada para financiar projetos em indústrias criativas, em bens intangíveis. 
     “Vamos lançar nos próximos meses o edital, em torno de R$ 4 milhões, para essas indústrias”, disse ontem (20) Paulo Alvim, gerente de Acesso à Inovação e Tecnologia do Sebrae Nacional, em entrevista ao Gestão C&T online.  
     Segundo Alvim, o edital está inserido no plano de trabalho que foi firmado entre o Sebrae e a Finep em 2005 e segue as estratégias do plano de trabalho previsto para 2010. “Vamos trabalhar com essa área que tem muito a ver com o Brasil e com as características brasileiras”, observou.
     O gerente disse que a expectativa é que o edital seja lançado nos próximos meses. 

     Inovação
     Outra proposta, segundo Alvim, é criar algumas inovações no edital Finep-Sebrae Cooperação ICTs e Micro e Pequenas Empresas para projetos de inovação tecnológica, este ano. “Teremos algumas inovações, como por exemplo, apoiar as indústrias de pequeno porte que são produtoras de bens de capital para outras empresas de pequeno porte”, explicou.
     Em 2007, a chamada pública MCT/Sebrae/Finep/Ação Transversal – Cooperação ICTs – MPEs ofereceu, em recursos não-reembolsáveis, R$ 26 milhões, sendo que a metade dos recursos foi aportada pela Finep e o restante pelo Sebrae. O objetivo foi selecionar projetos de inovação tecnológica de interesse de micro e pequenas empresas a serem executados por instituições científicas e tecnológicas (ICTs), públicas ou privadas, em cooperação com MPEs brasileiras inseridas em arranjos produtivos locais (APLs). A iniciativa selecionou 62 projetos que variavam entre R$ 200 mil e R$ 500 mil. 
     (Tatiana Fiuza, de Belo Horizonte, para o Gestão C&T online) 


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2 - Inovação, desenvolvimento e produtivo são os conceitos-chave da Carta de Belo Horizonte

     A Associação Nacional de Pesquisa, Desenvolvimento e Engenharia das Empresas Inovadoras (Anpei), instituição associada à ABIPTI, encerrou hoje (21) as atividades da 8ª Conferência Anpei, realizada em Belo Horizonte (MG). Os resultados dos trabalhos foram apresentados na chamada Carta de Belo Horizonte, que traz como conceitos-chaves: inovação, desenvolvimento e produtivo. 
     Segundo a carta, esses conceitos sinalizam serem as empresas responsáveis e catalisadoras dos saltos “quânticos” do progresso social e econômico do país. O documento ainda traz sugestões para o marco regulatório na área de inovação. A Anpei considera que “as leis de incentivos são adequadas, mas o excesso de limitações e restrições e o número excessivo de órgãos reguladores tornam essas medidas tímidas, o que vem comprometendo o senso de urgência e o salto competitivo necessário ao reposicionamento do Brasil no contexto das nações”.

     Recomendações
     A Carta de Belo Horizonte traz ainda três recomendações de ações que deverão ser seguidas pela associação nos próximos meses. Uma delas aponta que o trabalho associativo da Anpei tem sido “preponderante” na implementação de legislação e incentivos do governo. “Cabe agora à associação liderar o ajuste fino dessa legislação, de modo a permitir sua implementação da forma mais abrangente”, diz o documento. 
     Outro item considerado pela Anpei é de que a associação está apta a certificar a capacitação das empresas como inovadoras. “A Anpei está qualificada, também, para a aplicação de instrumentos de identificação de lacunas tecnológicas nas empresas produtivas, bem como o desenvolvimento e operacionalização de instrumentos para superação desses gaps.”

     Conferência
     A nova presidente da Anpei, Maria Angela Rego Barros, lembrou durante o encerramento dos trabalhos a expectativa para o próximo evento que comemorará o aniversário de 25 anos da Anpei. A 9ª Conferência acontecerá em Porto Alegre (RS), no mês de junho de 2009.  Para conferir as principais propostas de Maria Angela para a nova gestão da associação, acesse este link.  
     (Tatiana Fiuza, de Belo Horizonte, para o Gestão C&T online – a repórter viajou a convite da Anpei) 


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3 - Inovações brasileiras não são apenas de base tecnológica

     A empresa Monitor Group formatou o livro “As 101 Inovações Brasileiras”, que foi apresentado hoje (21), durante a 8ª edição da Conferência Anpei, em Belo Horizonte (MG). Um dos pontos principais que a publicação traz é de que a inovação não é apenas ligada à área tecnológica, mas a um conjunto de ações. 
     Os primeiros detalhes da publicação, prevista para ser lançada em julho, foram apresentados por Gustavo Zevallos, diretor da Monitor Group e responsável pelo setor de inovação da entidade na América Latina. Segundo Zevallos, o livro foi estruturado a partir de análises do que a empresa considerou como “dez alavancas” para se ter ações inovadoras. São elas: tecnologia, processos, produtos, serviços, logística, canais, localização∕ocasião e branding (marca). “Tomamos pelo conceito de inovação algumas diretrizes, uma delas é a inovação como a combinação de disciplinas e criatividade.”
     Ele explicou que a idéia da publicação surgiu de uma demanda internacional, com um livro semelhante lançado nos Estados Unidos, no ano passado – As 101 Inovações Mundiais.  A metodologia adotada para a escolha das iniciativas inovadoras levou em conta a abrangência, o impacto e a inserção da inovação em cada um dos dez pontos considerados de alavancagem. “Quando escolhemos as inovações, escolhemos porque elas não estão presas a somente um tipo de ações, mas ao conjunto.”
     A publicação traz exemplos de ações inovadoras em todos os itens considerados para a escolha das iniciativas, que são os seguintes:

     Tecnologia – para essa linha o exemplo dado por Zevallos foi a criação do soro antiofídico em pó, criado pelo Instituto Butantã. 

     Processos – na área de processos o exemplo foi a empresa Vale, com a atuação na separação magnética de ferro. Outra iniciativa apresentada foi a do sistema eletrônico de votação criado pelo Tribunal Superior Eleitoral. “Essas são inovações tipicamente brasileiras que mostram mudanças, inclusive, na forma de como exercer a cidadania”, salientou Zevallos

     Produto – nessa linha o exemplo citado foi o copo de polipropileno da Brasken. A iniciativa deu ao copo descartável mais rigidez, funcionalidade, beleza e resistência. 

     Serviços – o banco Bradesco foi o exemplo utilizado com a criação dos serviços para a inclusão de deficientes visuais nas transações bancárias, como o sistema de voz implantado nos caixas eletrônicos. 

     Logística – para essa linha a inovação exemplificada foi de uma cooperativa de táxis que reuniu serviços especializados para quem tem problemas de locomoção, com ações mais voltadas para o transporte de cadeirantes. 

     Canais – como exemplo nessa área a publicação traz os pontos de vendas instalados pela empresa Magazine Luiza, em cidades de menos de 100 mil habitantes ou em bairros onde a loja não atua. A iniciativa, segundo Zevallos, traz inovações porque reúne um sistema de compra pela internet, com um atendimento direto ao público, por meio de vendedores.  

     Ocasião – O Drywash ou a lavagem de carros a seco foi o exemplo de iniciativa que conseguiu reunir uma demanda do mercado para a celeridade e sustentabilidade na hora de se lavar um veículo. 

     Marca – duas marcas estão entre as que constam na publicação como exemplos de sucesso. A Sol pelo produto Sol Shot que, segundo Zevallos, é uma marca que ainda está sendo implementada no mercado. Outro exemplo foram as Havainas, que significou, recentemente, de como pode ser feito o reposicionamento da marca para outros mercados. O livro ainda traz iniciativas de modelos de negócios e redes e parceiros. 

     Sustentabilidade
     Zevallos ressaltou que outra proposta que a publicação tenta mostrar é de que das dez alavancas para a inovação todas podem ter maior sustentabilidade. “Vemos com mais freqüência as empresas trabalhando com sustentabilidade, independente, de quais sejam os estímulos”, explicou. 
     O executivo ainda salientou a idéia de que a inovação deve ser pensada para os diferentes setores e em empresas de qualquer porte. “Precisamos pensar a inovação de uma maneira completa. Inovação não é propriedade de certos setores, mas uma postura que cabe em qualquer setor”, finalizou. 
     (Tatiana Fiuza, de Belo Horizonte, para o Gestão C&T online – a repórter viajou a convite da Anpei) 


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