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EDIÇÃO EXTRA



Brasília, 20 de maio de 2008 — Nº 729 — Ano 8



LEIA NESTA EDIÇÃO _____________________________________

1. Política de Desenvolvimento Produtivo terá gestão integrada

2. Nova presidente da Anpei ressalta que associação também faz inovações

3. Guilherme Henrique Pereira diz que Sibratec atenderá demandas do mercado

4. Para diretor da Finep, Brasil deve mudar “modelo mental”

5. Comitê da Anpei destaca que empresas devem refletir sobre "apagão" das engenharias

6. Secretário de C&T de Minas Gerais considera que redes sociais podem ser o caminho para o desenvolvimento

 

 

1 - Política de Desenvolvimento Produtivo terá gestão integrada

     A nova Política de Desenvolvimento Produtivo (PDP) lançada pelo governo federal, no último dia 12, terá uma gestão integrada. A informação foi repassada por Maria Luísa Campos Machado Leal como nova diretora da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), ontem (19), em Belo Horizonte (MG), durante a 8ª Conferência Anpei. “A gestão da nova Política de Desenvolvimento Produtivo passará por um setor de diálogo e bem estruturado para que a política aconteça”, explicou a diretora. 
     Leal contou que as articulações para a gestão da política estão sendo feitas a partir da reinstalação de fóruns e câmaras setoriais, em que todas as ações serão reativadas com a proposta, de acordo com a diretora, de criar uma governança de acompanhamento das ações. 
     Ela ressaltou que equipes de gestão estão sendo montadas para analisar e identificar os problemas ao longo de cada um dos pontos que a PDP aborda. “A proposta é fazer funcionar, ajustar e corrigir”, disse. 
     Cada programa a ser desenvolvido ainda terá um comitê executivo. “O sistema de avaliação da nova política já está funcionando, com indicadores montados”, explicou. Segundo Leal, todos os 24 setores que a nova política prioriza possuem metas que estão sob a avaliação desse sistema. 
     A diretora ainda lembrou que a PDP foi apresentada quatro vezes ao presidente Luis Inácio Lula da Silva e que, na terceira apresentação, ele pediu metas mais ousadas que pudessem desonerar o setor produtivo e ampliar os investimentos. “O PDP vem para sustentar o novo crescimento”, acrescentou. 
     (Tatiana Fiuza, de Belo Horizonte, para o Gestão C&T online – a repórter viajou a convite da Anpei)


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2 - Nova presidente da Anpei ressalta que associação também faz inovações

     Em entrevista exclusiva concedida hoje (20) ao Gestão C&T online, Maria Angela do Rego Barros, a nova presidente da Associação Nacional de Pesquisa, Desenvolvimento e Engenharia das Empresas Inovadoras (Anpei), disse que a entidade também faz inovações e uma das metas de sua gestão é profissionalizar a Anpei. 
     As inovações seriam “tanto no serviço prestado ao associado, quanto nas articulações com os órgãos governamentais que é o forte da nossa atuação”, observa. Uma das decisões já tomadas é para que os associados, que fazem parte do conselho da Anpei, indiquem profissionais na área contábil ou financeira. A proposta é ter um conselho fiscal com esses profissionais. “Isso para dar mais transparência aos associados e ter melhor controle dos recursos que a entidade dispõe”, explica.
     Outra proposta é ter, internamente, consultores com o foco específico em cada uma das áreas e criar alguns grupos de trabalho que vão partir dos associados. “O anseio dos associados em participar era grande, então, essa foi a forma que se encontrou. Criar os grupos de trabalho para ter os profissionais na área e propor inovações”, observa.

     Regionalização 
     Maria Angela conta que outra vertente é que os associados estejam em todas as regiões do país, em grande número. A maior parte dos associados da Anpei está hoje concentrada na região Sudeste (63%). A proposta é atuar em parceria com o Instituto Euvaldo Lodi (IEL) e com o Sebrae para ampliar o número de associados. Além disso, de início, a Anpei pretende inserir dispositivos práticos, como teleconferência ou vídeo-conferência para facilitar a participação de novos associados de outras regiões nas atividades da Anpei. Atualmente, a entidade conta com 96 associados, sendo 67 do Sudeste, 21 do Sul, quatro do Norte, dois do Centro-Oeste e dois do Nordeste. 

     Desafios
     A nova presidente lembra que a associação está complementando 24 anos. “Nesse período, saímos de uma associação de empresas que faziam P&D para um mundo globalizado. A inovação virou a palavra da moda. Agora é a hora de a entidade se posicionar como a grande solução para P&D”.
     Ela observa que a Anpei possui o maior corpo técnico para a área de PD&I e o conhecimento da trajetória da inovação no Brasil e ressalta que os associados são os executivos desse setor. “Poucos falam de academia, eles são aqueles que batalharam, eu mesma venho, há dez anos, atuando na área de PD&I.” 
     Maria Angela ainda salienta que a Anpei sabe como conduzir as ações de PD&I, agora o grande desafio é mostrar isso. 

     Marco regulatório
     A presidente ainda falou que considera “insuficiente” o marco regulatório para estimular a inovação no país. Ela explica que o assunto começou a ser discutido muito tardiamente no Brasil e “é natural que faltem alguns instrumentos”.
     Do ponto de vista da Anpei, como explica Maria Angela, o que falta é uma melhor implementação ou uma atuação mais célere para que as ações previstas no marco regulatório sejam, de fato, implementadas pelo Executivo. “Temos que acelerar esse processo, para que consigamos chegar a tempo e não perdemos essa janela.” 

     Subvenção
     A presidente vê um gap ainda, no que foi pensado pelo Legislativo para a Lei de Inovação e o que de fato foi realizado pelo Executivo quando se trata do Programa de Subvenção Econômica da Finep. “Porque os segmentos que estão sendo privilegiados e o espaço de projetos que podem ser apresentados é bastante limitado, o que acabou tornando esse edital muito direcionado.” 
     Ela explica que as empresas preferem, neste sentido, a desoneração tributária por ser mais rápida e por deixar nas mãos dos empresários a melhor escolha pela inovação.
     Porém, a presidente observa que o poder de compra e a subvenção são instrumentos utilizados no mundo inteiro. “Só precisamos que os nossos técnicos saibam como fazer. Ter linhas mais abertas e com disponibilidade direta para as empresas, para não passarmos por tantos processos de seleção.”

     Diretoria
     Maria Angela foi eleita ontem (19), durante a reunião de associados que precedeu a 8ª Conferência Anpei, que acontece em Belo Horizonte (MG), até amanhã. Ela é responsável pela área de relações governamentais para pesquisa, desenvolvimento e inovação da Motorola. O novo vice-presidente da Anpei será Carlos Eduardo Calmanovici, engenheiro químico e gerente de inovação e tecnologia - vinílicos da Braskem. 
     (Tatiana Fiuza, de Belo Horizonte, para o Gestão C&T online – a repórter viajou a convite da Anpei) 


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3 - Guilherme Henrique Pereira diz que Sibratec atenderá demandas do mercado

     O secretário de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação do MCT, Guilherme Henrique Pereira, afirmou ontem (19), que o Sistema Brasileiro de Tecnologia (Sibratec) atenderá às demandas do mercado. 
     Essa era uma das principais dúvidas sobre a implementação do sistema apontada por Sebastião Lauro Nau, representante da Anpei no Comitê Gestor do Sibratec. Segundo Nau, em entrevista ao Gestão C&T online no mês de março, na primeira reunião do Comitê Gestor, realizada no mesmo mês, não tinha ficado muito claro se o MCT atenderia com o Sibratec às demandas do mercado e de setores públicos. 
     Em documento encaminhado ao presidente do comitê gestor, Luís Antonio Rodrigues Elias, a Anpei solicitou que o foco das atividades do Sibratec deveria ser orientado “prioritariamente” para a demanda. A Anpei é uma instituição associada à ABIPTI.
     Em Belo Horizonte, durante a 8ª Conferência Anpei, Henrique Pereira ressaltou que este será o caminho a ser seguido. “A proposta [do Sibratec] é de que ele atenda às demandas das empresas e, eventualmente, dos setores públicos, como os complexos de saúde”, salientou. 
     O secretário ainda explicou que essas demandas estão sendo organizadas pelos Estados e que estão sendo criados arranjos institucionais com as unidades da Federação para que as prioridades sejam definidas. Ele não adiantou quais Estados estão participando dos arranjos institucionais, mas há informações de que o Rio Grande do Sul, Santa Catarina e o Paraná já estão trabalhando algumas propostas. 

     Política
     Outro ponto salientado por Pereira é de que a nova Política de Desenvolvimento Produtivo (PDP) do governo federal também dará novos temas de ações ao Sibratec. “A política traz temas novos que podemos definir para o Sibratec”, afirmou. 
     Ele lembrou, também, que o MCT está fazendo, a partir da versão atual da PDP, os ajustes na governança do Plano de Ação Ciência, Tecnologia e Inovação para o Desenvolvimento Nacional (PAC C&T). 
     (Tatiana Fiuza, de Belo Horizonte, para o Gestão C&T online – a repórter viajou a convite da Anpei) 


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4 - Para diretor da Finep, Brasil deve mudar “modelo mental”

     O diretor de Inovação da Finep, Eduardo Costa, convidou, ontem (19) os participantes da 8ª Conferência Anpei para fazerem uma reflexão e mudar o “modelo mental” para entender o cenário de inovação que está sendo adotado no Brasil. O evento acontece em Belo Horizonte (MG) até amanhã.
     Costa lembrou o novo cenário econômico mundial, que registra o grande crescimento das empresas asiáticas. Segundo ele, a partir de uma avaliação minuciosa sobre esse cenário é possível se pensar em quais ações o Brasil deve desenvolver para ingressar no mercado mudial. 
     Ele salientou que a Finep opera hoje recursos na ordem de R$ 1,8 bilhão do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT) e com mais os créditos, os recursos operados pela financiadora podem chegar a R$ 3 bilhões. “Há dez anos, operávamos R$ 300 mil. Só que o pensamento de que temos hoje é o de dez anos atrás, em que temos que ter projetos pequenos para caber nos R$ 300 mil” enfatizou.    
     É preciso, na avaliação do diretor, mudar o pensamento e entender que o novo cenário econômico é um momento “muito diferente” dos anos 1990. “Existem, hoje, recursos para operar programas com mais de R$ 100 milhões, ou projetos com mais de R$ 1 milhão”.
     Na semana passada, algumas instituições se queixaram dos valores destinados pelo novo edital de subvenção econômica da Finep para as micro e pequenas empresas. A chamada prevê projetos mínimos de R$ 1 milhão, o que foi considerado um valor muito alto para as pequenas. 
     “São as fundações de amparo que vão fazer [nos Estados] os investimentos de subvenção com projetos menores. Projetos nacionais têm que ter mais recursos, há dinheiro para isso”, disse Costa. 
     O diretor ainda apontou que alguns setores, que não foram contemplados pelo edital nacional, poderão receber recursos do Pappe-Subvenção nos Estados e é cada região que definerá suas prioridades. Atualmente, 17 unidades da Federação estão aptas a operar o Pappe-Subvenção e a expectativa, segundo Costa, é que a Finep amplie esse programa para todo o país.
     A Bahia (Fapesb) e o Rio de Janeiro (Faperj) estão com editais abertos para o programa. As chamadas podem ser conferidas neste link.  
     A Fapesb e a Anpei são instituições associadas à ABIPTI.
     (Tatiana Fiuza, de Belo Horizonte, para o Gestão C&T online – a repórter viajou a convite da Anpei)


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5 - Comitê da Anpei destaca que empresas devem refletir sobre "apagão" das engenharias

     Um dos principais pontos debatidos no comitê temático da Anpei “Recursos Humanos para PD&I” é de que os empresários precisam ter atenção para o chamado apagão das engenharias. As ações dos comitês temáticos da Anpei foram apresentadas hoje (20), em Belo Horizonte (MG). 
     Segundo Roberto Kenji Hayasho, da empresa Sabó, o comitê avaliou que os empresários devem fazer uma reflexão de como resolver o “apagão”. Ele apresentou dados do MCT, de 2004, que mostram que a média de matriculados nas áreas de engenharias era de 320 mil estudantes, sendo que a perspectiva era de que, neste ano, se formem 80 mil estudantes nessas áreas. 
     Uma sugestão do comitê é para que as empresas possam buscar parcerias com as instituições de ensino para promover a capacitação dos profissionais, por meio de cursos de especialização, por exemplo. 
     Outra reflexão, apontada por Hayasho, é para que as empresas busquem entender porque a maior parte da mão-de-obra qualificada (73%) se estabelece nas universidades. “Temos que criar movimentos para entender se o problema é instabilidade ou baixos salários, por exemplo”. Uma das propostas do comitê é entender tais fatores para gerar formas de apresentar melhores resultados para as empresas. 

     ICTs
     A interação entre as instituições científicas e tecnológicas (ICTs) e as empresas também foi um dos temas tratados durante a apresentação dos comitês temáticos da 8ª Conferência Anpei. 
     Para Naldo Medeiros, da empresa Votorantin, a interação entre ICTs e empresas deve ser montada com base numa relação de confiança. O comitê temático “Promovendo a Interação ICTs – Empresas” foi criado pela Anpei no fim do ano passado. Segundo Medeiros, um dos objetivos é construir um diagnóstico entre os tipos de interação que as empresas fazem com as instituições de C&T. 
     Um dos resultados destacados por ele é a percepção de que a interação tem que ser construída ao longo do tempo e não como algo momentâneo. “Temos que ter cuidado com o imediatismo da interação. É preciso pensar em curto, médio e longo prazo quando se busca a interação para que o conhecimento se torne a base de inovação contínua”.
     Segundo Medeiros, os projetos de interação devem ser construídos com base em seis passos. São eles: análise e autoconhecimento; desenvolvimento de interesses; negociação; planejamento, execução e controle do programa; encerramento do programa e aprendizado; e manutenção da parceria. 
     Em sua avaliação, as empresas devem ouvir também as demandas das ICTs e procurar seguir todas as etapas do processo de uma forma interativa e não impositiva. 

     Comitês
     A Anpei, que é uma instituição associada à ABIPTI, possui outros dois comitês temáticos em operação. São eles: Inovação nas Pequenas e Micro-Empresas e Indicadores para PD&I. Os comitês são grupos de trabalho compostos por representantes de empresas associadas à Anpei, que realizam cerca de dez reuniões por ano para discutir temas específicos.
     (Tatiana Fiuza, de Belo Horizonte, para o Gestão C&T online – a repórter viajou a convite da Anpei) 


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6 - Secretário de C&T de Minas Gerais considera que redes sociais podem ser o caminho para o desenvolvimento

     As redes sociais formadas na internet podem ser um dos instrumentos para se coordenar ações de desenvolvimento. Essa foi a opinião defendida pelo secretário de C&T e Ensino Superior de Minas Gerais, Alberto Duque Portugal, ontem (19), durante a 8ª Conferência Anpei.
     Ele citou como exemplo a Rede Peabirus, que pode atuar em conjunto com parceiros para desenvolver ações de desenvolvimento. Uma das ações que o governo de Minas Gerais está colocando em curso, em parceria com a Peabirus, é a capacitação de 11 profissionais para manipular as ferramentas da web 2.0. 
     O secretário ainda informou que todos os 853 municípios de Minas Gerais estão contando com sinais para celular, o que possibilita o acesso à banda larga. Em sua avaliação, as redes sociais, como a Peabirus, podem servir como um meio para que os pequenos municípios sejam inseridos nas políticas de desenvolvimento. 

     Estado
     Portugal ainda lembrou o esforço que o governo de Minas Gerais vem tendo para implantar a inovação como uma forma de conhecimento. “A proposta do governo é consolidar na sociedade à percepção de que a CT&I são áreas estratégicas”, salientou. 
     Entre as ações citadas, está a destinação de 1% do orçamento estadual para a Fundação de Amparo à Pesquisa de Minas Gerais (Fapemig), que é uma instituição associada à ABIPTI. Segundo o secretário, a fundação que contou no ano passado com R$ 171 milhões, tem uma expectativa de operar, em 2009, R$ 180 milhões. 

     Sugestões
     A superintendente do Instituto Euvaldo Lodi do Estado (IEL-MG), Heloisa Menezes, disse que o governo tem tido avanços no que se refere a área de CT&I. “Mas há espaço para avançar mais”, observou. O IEL-MG também é associado à ABIPTI.
     Menezes citou uma série de sugestões ao setor, como a criação, por parte da Fapemig, de editais ou outras formas de chamadas públicas que sejam de fluxo contínuo. Em sua opinião, esses editais poderiam atender de uma forma permanente as empresas, sem interrupções “para que a inovação não seja só um momento”. 
     Outro ponto destacado, pela superintendente, foi o estímulo dado pela Fapemig para que as empresas participem dos editais relacionados à inovação. Ela citou o exemplo do programa Pappe-Subvenção, que no Estado conta com a participação de representantes do Sistema Federação das Indústrias (Fiemg) nas bancas de avaliação. “Essa participação é fundamental para selecionar os projetos que realmente sejam de interesse do mercado.”
     Menezes ainda salientou que o governo precisa tão logo regulamentar a lei estadual de inovação e, conseqüentemente, o Fundo Estadual de Incentivo à Inovação Tecnológica (FIIT) para que os avanços na área de inovação se tornem uma realidade. O fundo criado pela lei será voltado para o financiamento da inovação em instituições científicas e tecnológicas (ICTs) privadas e empresas de base tecnológica. A Lei Mineira de Inovação foi criada em janeiro deste ano e pode ser consultada neste link.   
     (Tatiana Fiuza, de Belo Horizonte, para o Gestão C&T online – a repórter viajou a convite da Anpei) 


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