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EDIÇÃO EXTRA

Brasília, 21 de novembro de 2007 — Nº 674 — Ano 8



LEIA NESTA EDIÇÃO ______________________________________

1. Lula lança Plano Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação para o Desenvolvimento Nacional

2. Criado Sistema Brasileiro de Tecnologia

3. Presidente regulamenta Lei Rouanet da Pesquisa e lança edital para escolha de projetos

4. Luiz Pingueli Rosa diz que PAC da C&T, se for cumprido, atenderá expectativa dos pesquisadores do país  

 

1 - Lula lança Plano Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação para o Desenvolvimento Nacional

     Após vários meses de expectativa, o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, lançou ontem (20), em concorrida cerimônia realizada no Palácio do Planalto, o Plano Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação para o Desenvolvimento Nacional. A iniciativa promete dar um novo impulso ao setor científico e tecnológico, assegurando investimentos da ordem de R$ 41 bilhões para os próximos três anos. 
     Durante a solenidade, Lula destacou que o lançamento do programa é uma revolução para a área por reunir todos os setores do governo que direta ou indiretamente têm relação com a ciência e tecnologia. “Resolvemos acabar com os programas individuais para tentar criar um programa para o Estado brasileiro. Um programa que perpasse o meu governo, os outros governos e que seja adotado pela sociedade brasileira”, afirmou. 
     Lula ainda ressaltou que o país vive um momento de credibilidade e que o Poder Executivo está disposto a investir e cumprir tudo o que está previsto no plano. “É preciso aproveitar que a ‘maré’ está boa, que a economia está crescendo”, disse. No entanto, o presidente demonstrou preocupação com a burocracia existente para a liberação de recursos. Ele enfatizou a necessidade de os grupos responsáveis pela análise de projetos atuarem de forma mais célere. 
     Na avaliação de Lula, não é possível que recursos destinados a pesquisa levem de seis a oito meses para serem liberados. O presidente demonstrou disposição para implementar mudanças neste sentido. “Porque qual é o grande risco que a gente corre? Anunciar um programa desses, disponibilizar os recursos e depois a própria máquina não permitir que a gente execute o dinheiro”, disse. 

     Plano de Ação 
     Também durante a solenidade, o ministro da Ciência e Tecnologia, Sergio Rezende, apontou que como meta numérica o plano propõe que, em 2010, o Brasil esteja investindo 1,5% do seu Produto Interno Bruto (PIB) em pesquisa e desenvolvimento. “A C&T é um pouco mais abrangente, mas em P&D nós aplicamos hoje cerca de 1% e poderemos atingir essa meta nos próximos anos”, disse. 
     Rezende explicou que o plano de ação está estruturado com base em quatro grandes eixos: Expansão e Consolidação do Sistema Nacional de CT&I; Promoção da Inovação Tecnológica nas Empresas; Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação em Áreas Estratégicas; e Ciência, Tecnologia e Inovação para o Desenvolvimento Social. 
     Uma das prioridades citadas pelo ministro é a formação de recursos humanos qualificados, ampliando o número de bolsas de mestrado, doutorado e extensão concedidas pelo CNPq e pela Capes. A meta é alcançar 160 mil bolsas em 2010. Hoje, são disponibilizadas 95 mil. “Para isso, nós já temos recursos assegurados no Plano Plurianual (PPA), discutidos com bastante detalhes com a área econômica”, disse. Ao longo de três anos, as duas agências deverão contar com R$ 6,5 bilhões. Segundo o ministro, o governo também aguarda um aporte igual ou maior nos sistemas estaduais. 
     Outra meta destacada pelo ministro é a que pretende contribuir para que a inovação passe a fazer parte da agenda das empresas brasileiras. “Ainda há pouca percepção em vários setores da indústria sobre a importância da inovação no seu desenvolvimento para que as empresas possam competir em um mundo globalizado”, destacou. 

     Recursos 
     Do total de R$ 41 bilhões previstos para o plano de ação, R$ 18,6 bilhões são oriundos do MCT e do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT). O restante dos recursos (54%) serão alocados por outros órgãos e fundos de financiamento. Entre eles, os ministérios de Minas e Energia; da Saúde; da Educação, por meio da Capes; da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa); além do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). 
     Os fundos Nacional de Desenvolvimento (FND), de Amparo ao Trabalhador (FAT) e para o Desenvolvimento Tecnológico das Telecomunicações (Funtell) também disponibilizarão recursos para o plano. Eles deverão contribuir entre 1% a 4% do total previsto. De acordo com o MCT, todas as dotações orçamentárias estão previstas na Lei Orçamentária Anual 2007 e no Projeto da Lei Orçamentária Anual 2008. 
     A versão resumida do plano e a apresentação do ministro Sergio Rezende durante a solenidade estão disponíveis neste link
     (Bianca Torreão para o Gestão C&T online) 


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2 - Criado Sistema Brasileiro de Tecnologia

     Proposto como um dos instrumentos da política de incentivo à inovação, o Sistema Brasileiro de Tecnologia (Sibratec) foi lançado ontem (20), pelo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva. O decreto que implementa o sistema foi assinado durante a apresentação do Plano Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação para o Desenvolvimento Nacional, realizada no Palácio do Planalto. 
     Em entrevista exclusiva ao Gestão C&T online, o secretário executivo do Ministério da Ciência e Tecnologia, Luis Antonio Elias, destacou a importância da iniciativa. Segundo ele, o Sibratec vai organizar não só as ações do MCT, mas também do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) e de todos os demais ministérios que contam com institutos federais, no sentido da aplicação de recursos.  
     Segundo ele, o novo sistema se distribui em torno de três eixos fundamentais: o eixo da inovação, ou seja, para a aplicação de recursos que se voltem para a parceria dos institutos com o setor industrial; o eixo dos serviços tecnológicos, especialmente voltado para a questão da metrologia e que, segundo Elias, se refere até ao aspecto básico e extremamente importante de ampliar a cadeia metrológica brasileira; e o eixo do extensionismo, voltado para o processo de gestão para a inovação. 
     “Acho que o movimento de criação do sistema é amplo o suficiente para abrigar não só os institutos federais, como em parceria com os institutos estaduais, chegarmos aos institutos privados”, destacou. Ainda segundo ele, o Sibratec também deverá ser organizado em torno de algumas áreas prioritárias, que ainda serão eleitas. Elias lembra que os temas e áreas terão capilaridade nos institutos federais, estaduais e privados. 

     Sibratec 
     De acordo com o decreto nº 6.259, o Sibratec tem como objetivo apoiar o desenvolvimento tecnológico do setor empresarial nacional, por meio da promoção de atividades de pesquisa e desenvolvimento de processos ou produtos voltados para a inovação e de prestação de serviços de metrologia, extensionismo, assistência e transferência de tecnologia. O texto ainda determina que a promoção das atividades do sistema deverão estar alinhadas com as prioridades da Política Industrial, Tecnológica e de Comércio Exterior (Pitce).  
     As entidades integrantes do Sibratec serão organizadas na forma de redes, que poderão ser temáticas, de acordo com as prioridades da Pitce. Em alguns casos, para melhor atender às demandas empresariais, as entidades poderão ser organizadas em redes regionais, com vistas ao desempenho de, pelo menos, uma das seguintes atividades: pesquisa, desenvolvimento e inovação de processo e produto; prestação de serviços tecnológicos; e extensão ou assistência tecnológica. 

     Comitê Gestor 
     Um comitê gestor será responsável por coordenar e articular o sistema. A instância definirá os critérios de seleção das entidades que comporão o Sibratec e os termos de compromissos a serem assumidos pelas instituições; as redes que integrarão o sistema; as medidas para integrar o Sibratec na implementação da Pitce; entre outras atribuições. 
     O grupo contará com um representante do MCT e dos seguintes ministérios: Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC); Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa); Educação (MEC); Saúde; Minas e Energia (MME); e Comunicações. Os seguintes órgãos e entidades também estão representados na instância: Núcleo de Assuntos Estratégicos da Presidência da República (NAE); Finep; CNPq; Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES); Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes); Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro); Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI); Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI); Confederação Nacional da Indústria (CNI); Sebrae; e Associação Nacional de Pesquisa, Desenvolvimento e Engenharia das Empresas Inovadoras (Anpei). O Inmetro e a Anpei são instituições associadas à ABIPTI
     A íntegra do decreto está disponível neste link.   
     (Bianca Torreão para o Gestão C&T online) 


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3 - Presidente regulamenta Lei Rouanet da Pesquisa e lança edital para escolha de projetos

     Durante a cerimônia de lançamento do plano de ação do MCT, realizada ontem (20), no Palácio do Planalto, o presidente Lula assinou uma série de decretos e portarias que beneficiam a área de CT&I. Entre eles, está o decreto nº 6.620, que regulamenta a chamada Lei Rouanet da Pesquisa. 
     Na ocasião, também foi assinada a chamada pública nº 01∕2007 para seleção projetos de P&D no âmbito da nova lei. O edital é de fluxo contínuo. A proposta o governo é conceder, em benefícios fiscais, até R$ 150 milhões para as empresas no próximo ano.  
     O objetivo da chamada é promover e incentivar a P&D de processos e produtos inovadores no país, tendo em vista o bem público, o progresso da ciência, a autonomia tecnológica do país, a associação entre ICTs e empresas, a fim de aprimorar o ambiente empresarial nacional e regional, bem como dinamizar a obtenção de direitos de propriedade industrial e intelectual pelas ICTs e pelas empresas nacionais, mediante concessão de incentivos fiscais a projetos de pesquisa científica e tecnológica e de inovação tecnológica. 
     A idéia é estimular o compartilhamento de custos, diminuir o risco tecnológico da inovação e estimular a ampliação das atividades de inovação no universo produtivo brasileiro. A chamada vai priorizar temas que estejam em consonância com as ações da Política Industrial, Tecnológica e de Comércio Exterior (Pitce).
     As propostas devem seguir três temas. São eles: ações horizontais, para incremento da cooperação entre as ICTs e empresas, aumento da competitividade pela inovação, adensamento tecnológico e dinamização das cadeias produtivas, redução do custo das atividades de pesquisa e desenvolvimento tecnológico e atendimento à relevância regional; opções estratégicas, para semicondutores e software, fármacos e medicamentos e bens de capital; e atividades portadoras de futuro, como a biotecnologia, nanotecnologia, biomassa e energias alternativas.
     A seleção das propostas será feita pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior do Ministério da Educação (Capes/MEC). 
     Para conferir a íntegra da chamada, publicada na edição de hoje (21) do Diário Oficial da União (DOU), acesse este link.  

     Regulamentação
     A Lei Rouanet da Pesquisa prevê benefícios fiscais para empresas investirem nas instituições científicas e tecnológicas (ICTs). O decreto de regulamentação prevê seis diretrizes para as ações que poderão ser executadas em parceria. São elas: promover e incentivar o desenvolvimento científico, a pesquisa e a capacitação tecnológica, tendo em vista o bem público, o progresso da ciência, a autonomia tecnológica do Brasil e o aprimoramento do ambiente produtivo e industrial nacional ou regional; potencializar a capacidade de criação e inovação das ICTs nacionais; fomentar a pesquisa aplicada ao ambiente produtivo e industrial; dinamizar a obtenção de direitos de propriedade industrial e intelectual por ICTs e empresas nacionais como forma de incremento à competitividade do setor produtivo e industrial do país; formar recursos humanos para a pesquisa científica e tecnológica; induzir formas alternativas de financiamento a projetos de pesquisa científica e tecnológica e de inovação tecnológica nas ICTs; e articular estruturalmente o sistema de criação e inovação das ICTs nacionais ao ambiente produtivo e industrial. 
     Poderão receber investimentos do setor privado as ICTs públicas, conforme determina a Lei de Inovação. O decreto 6.620 ainda determina que a participação nos direitos de titularidade de propriedade industrial e intelectual será compartilhada entre empresas e ICTs. As empresas terão mais direito de propriedade quanto menos elas usufruírem do benefício fiscal.
     O benefício previsto no decreto é de no mínimo a metade e no máximo duas vezes e meia o valor dos dispêndios efetuados com base de cálculo na Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL).   
     Para receber a isenção fiscal, as empresas terão de submeter projetos de investimentos em ICTs. As propostas serão analisadas por um comitê de avaliação que será composto por representantes do MCT, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) e do Ministério da Educação (MEC). 
     Para conferir a íntegra do decreto acesse este link.  

     Importação para pesquisa
     Outro decreto assinado pelo presidente foi o de nº 6.262 que simplifica os procedimentos para importação de bens destinados à pesquisa científica e tecnológica. O texto determina que as máquinas, equipamentos, aparelhos e instrumentos, bem como suas partes e peças de reposição, acessórios, matérias-primas e produtos intermediários importados destinados à pesquisa científica e tecnológica terão seu despacho aduaneiro simplificado. Caberá ao MCT e ao MDIC determinar quais serão os termos da simplificação. A íntegra do decreto está disponível neste link.  


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4 - Luiz Pingueli Rosa diz que PAC da C&T, se for cumprido, atenderá expectativa dos pesquisadores do país

     Caso seja cumprido, o Plano Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação para o Desenvolvimento Nacional deverá atender a expectativa dos pesquisadores do país. Esta é a avaliação do diretor do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe/UFRJ), Luiz Pinguelli Rosa. “Sendo cumprido, se libertando dos contingenciamentos, do superávit primário, das restrições da política monetária, será muito bom”, disse ele. 
     Na opinião de Pinguelli, o lançamento do plano de ação representa um passo significante e inspira otimismo. Ele também destaca o fato de a área de engenharia estar explícita no plano. “Quase sempre se pensava em ciência fundamental, que é a mais importante, mas se esquecia muito da engenharia e da tecnologia. Nesse programa, a engenharia e a tecnologia ganharam grande destaque e isso é muito positivo”, afirma. 
     Já o presidente do Conselho Nacional das Fundações de Amparo à Pesquisa (Confap), Odenildo Sena, acredita que o plano representa uma revolução para o setor científico e tecnológico brasileiro. De acordo com ele, nunca o país trabalhou nem em curto, nem em médio prazo num plano nacional de C&T. “O Brasil não será mais o mesmo depois dele”, afirma.
     No entanto, Sena, que também é diretor presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), apresenta uma ressalva. Na sua avaliação, para ser nacional, o plano deveria envolver mais explicitamente os sistemas estaduais. “Hoje, eles têm uma contribuição enorme no avanço da ciência e tecnologia no país”, destaca.
     Ele cita o exemplo da instituição que dirige. Segundo Sena, com apenas quatro anos e meio de existência, hoje a Fapeam é responsável pelo financiamento de  201 bolsas de doutorado no Estado do Amazonas. “Isto se espalha pelo resto do país”, afirma.

     ABIPTI 
     Para o deputado federal Ariosto Holanda (PSB-CE), uma das principais novidades do Plano de Ação, é o fato de a iniciativa reunir as diferentes ações relacionadas à área de C&T que ocorriam isoladamente nos diversos ministérios e órgãos do governo federal e que agora serão sistematizadas pelo MCT. Ele também cita as ações voltadas para a área social, como a implantação dos Centros Vocacionais Tecnológicos (CVTs). 
     Holanda ainda destaca a importância da ABIPTI para a implementação do plano de ação, já que, na sua avaliação, a iniciativa do governo federal só será executada com a participação dos institutos de pesquisa tecnológica. “Os institutos têm que discutir qual é a forma mais efetiva e objetiva de executar esse plano”, afirma.
     A Fapeam é uma instituição associada à ABIPTI. 
     (Bianca Torreão e Paulo Brunet para o Gestão C&T online) 


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