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EDIÇÂO EXTRA
Brasília, 7 de novembro de 2007 — Nº 668 — Ano 8
LEIA NESTA EDIÇÃO _____________________________________
1. Escolha do novo diretor-presidente do Itep é considerada um marco para o setor de C&T de Pernambuco
2. Lygia Pupatto ressalta que Conferência Estadual deverá aproximar mais a C&T da sociedade
3. “Risco de criatividade” das empresas deve ser compartilhada com o setor público, avalia pesquisador
4. Pesquisador do Ipea diz que a universidade está estruturada para adquirir conhecimento e não para aplicá-lo
1 - Escolha do novo diretor-presidente do Itep é considerada um marco para o setor de C&T de Pernambuco
O secretário executivo da ABIPTI, Lynaldo Cavalcanti de Albuquerque, destacou, em entrevista ao Gestão C&T online, que o setor de C&T de Pernambuco passa por momento importante com o processo de escolha do novo diretor-presidente da Associação Instituto de Tecnologia de Pernambuco (Itep). “É uma escolha estratégica, já que o instituto é referência, tanto no Estado, como no Nordeste brasileiro”. Cavalcanti ressaltou o papel do Itep para o projeto de desenvolvimento de Pernambuco.
O processo de seleção está aberto até o dia 19 deste mês. Este é o prazo para os candidatos se inscreverem, de acordo com o edital de busca. Após o registro, os pretendentes ao cargo serão avaliados por um comitê de seleção, que tem, como principal função, avaliar e encontrar aqueles que se identifiquem com as diretrizes técnicas e político-administrativas estabelecidas para a instituição. O Itep é uma entidade filiada à ABIPTI e é um dos sócio-fundadores da associação.
Para participar do processo de seleção, os candidatos deverão encaminhar os seus currículos e um plano de gestão que deverá ser executado nos próximos três anos, período de mandato do diretor-presidente do Itep. Este plano deverá ser construído com base na realidade técnica, organizacional e financeira da instituição. Os documentos que forem enviados via Correios terão considerada a data da postagem e não a do recebimento do material.
Podem participar da seleção candidatos que tenham atuação profissional comprovada no setor público ou privado em atividades técnicas de produção de bens e serviços, pesquisa, consultoria, ensino e assessoramento em quaisquer das áreas de atuação do Itep (inovação, pesquisa científica, desenvolvimento tecnológico, empreendedorismo e formação de capital humano). Também é exigida experiência gerencial mínima de quatro anos, computados pela soma de anos ou frações do tempo de exercício profissional em cargos comprovadamente ocupados.Itep
Criado em 1942, em outubro de 2003, o Itep se transformou em uma associação sem fins lucrativos, qualificada pelo governo do Estado de Pernambuco como Organização Social (O.S.). Os objetivos da instituição são: formulação e execução de projetos, estudos e pesquisas aplicadas visando o desenvolvimento da sociedade; geração e difusão de tecnologias com intuito de modernizar e melhorar a qualidade dos serviços e bens produzidos na região Nordeste; prestação de serviços tecnológicos aos setores público e privado e à sociedade; promoção do empreendedorismo e da gestão tecnológica empresarial e capacitação de recursos humanos em tecnologia. Outra preocupação do Itep é com o relacionamento com o setor produtivo, já que a instituição tem contribuído para a solução de gargalos tecnológicos e para o desenvolvimento sustentável do Estado.
São seis as áreas em que o Itep atua, todas consideradas estratégicas. São elas: tecnologia ambiental; tecnologia de alimentos; tecnologia de materiais e construção civil; difusão tecnológica; capacitação tecnológica; e institucional.Pernambuco
O governo do Estado de Pernambuco está revitalizando o setor de ciência e tecnologia. Durante a abertura da reunião conjunta dos conselhos nacionais de Secretários Estaduais para Assuntos de CT&I (Consecti) e das Fundações de Amparo à Pesquisa (FAPs), realizada nos dias 30 e 31 de agosto, em Recife, o governador do Estado, Eduardo Campos, disse que os gestores de Estados e municípios devem entender que esse é o momento central para se dar um salto no padrão da ciência e tecnologia do país. Ele também destacou que o orçamento da Fundação de Amparo à Ciência e Tecnologia do Estado (Facepe) foi duplicado em relação ao de 2006. “No ano passado, foi de R$ 2,6 milhões. Este ano, nós estamos chegando a aproximadamente R$ 6 milhões, pagando tudo o que havia de pendência e contrapartida”, afirmou. Essas informações e dados foram publicadas nas matérias da edição nº 644 do Gestão C&T online.
O diretor-presidente da Facepe, Diogo Ardaillon Simões, informou, também em matéria do Gestão C&T online, que em 2008 a fundação contará com R$ 20 milhões; em 2009 serão R$ 30 milhões; e em 2010, o dobro dos recursos que serão disponibilizados no ano que vem, R$ 40 milhões. A Facepe também é associada à ABIPTI.Confira pelos links abaixo algumas notícias publicadas pelo Gestão C&T online, neste ano, sobre o Itep:
18/10/07
Itep lança edital para escolha de novo diretor-presidente
27/08/07
Mestrado em tecnologia ambiental está com inscrições abertas
23/04/07
Incubadora do Itep selecionará nove projetos para apoiar desenvolvedores de inovações
12/04/07
Seminário sobre tecnologia de produção do gesso é tema de evento do Itep
02/04/07
Anprotec seleciona empresa incubada no Itep para participar de reality show de empreendedorismo
29/03/07
Itep divulga previsão de chuvas para o leste da região Nordeste
22/02/07
Profissionais da rede estadual de ensino de Pernambuco vão contar com curso de pós-graduação
22/01/07
Pernambuco ganhará nova usina de biodieselA íntegra do edital de seleção para o novo presidente do instituto está disponível neste link.
Informações adicionais, pelo site www.itep.br.
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2 - Lygia Pupatto ressalta que Conferência Estadual deverá aproximar mais a C&T da sociedade
Começou ontem (6), em Londrina (PR), a primeira Conferência Estadual de C&T do Paraná. A iniciativa é da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Educação Superior do Estado (Seti), instituição associada à ABIPTI, e conta com o apoio do MCT.
Em entrevista ao Gestão C&T online, a secretária de C&T e Ensino Superior do Paraná, Lygia Lumina Pupatto, ressalta que a conferência tem três frentes de atuação. Ela conta que a primeira é que o evento reúne diferentes áreas do conhecimento. ”Quebramos a lógica acadêmica que realiza um evento para cada área”, diz.
O segundo ponto, de acordo com a secretária, é que o evento conta com a adesão de muitos pesquisadores. A idéia é que eles possam discutir temas para subsidiar as políticas públicas na área de C&T e ensino superior.
Além disso, Pupatto destaca que a conferência é uma forma de a secretaria prestar contas para a sociedade dos projetos que são financiados com recursos do Fundo do Paraná. Ela salienta que o fundo é constituído pelo dinheiro que vem de impostos. A idéia, na opinião da secretária, é prestar as contas e apresentar à sociedade a excelência do trabalho desenvolvido com os recursos que ela mesma aplica.
“Isso nos qualifica perante a sociedade. Acho que o evento é um grande desafio para que a população sinta a C&T mais perto dela”, observou. Pupatto ainda adiantou, ao Gestão C&T online, que essa não será a única conferência de C&T a ser realizada no Estado. Ela conta que a proposta é que o encontro se torne anual. A cada ano, será feito um rodízio em uma instituição de ensino superior do Paraná. “Iniciamos uma política e queremos manter isso, até porque temos mais de 400 projetos que são financiados e na medida em que forem sendo concluídos eles devem ser apresentados”.Hospital Universitário
Durante a solenidade de abertura do evento, a Seti, a Secretaria Estadual de Saúde, a Universidade Estadual de Londrina (UEL) e o Hospital Universitário assinaram um convênio para a implantação do núcleo de transplante de medula óssea no hospital.
O valor dos recursos não foi anunciado, mas a idéia é que sejam ainda destinados para a melhoria da infra-estrutura da CTI e da UTI neonatal do hospital.Protesto
Na ocasião, um grupo de ambientalistas e estudantes fez um pequeno protesto contra o estudo o governo paranaense que prevê a instalação de uma usina elétrica em Mauá. O grupo pediu ao governo que analise com calma os licenciamentos ambientais concedidos para o início do empreendimento. Além disso, eles destacaram a oportunidade para que a sociedade possa refletir sobre o papel da C&T e do meio ambiente.
A programação completa da conferência pode ser obtida no site www.seti.pr.gov.br.
(Tatiana Fiuza, de Londrina, para o Gestão C&T online)
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3 - “Risco de criatividade” das empresas deve ser compartilhada com o setor público, avalia pesquisador
Para o pesquisador João Alberto de Negri, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), o “risco de criatividade”, quando se faz inovação tecnológica (nas empresas), deve ser compartilhado com o setor público. A idéia foi defendida, hoje (7), durante a Conferência Estadual de C&T do Paraná, que acontece em Londrina (PR).
Ele explica que toda empresa possui dois tipos de risco no processo de produção de inovação tecnológica. O primeiro deles é o risco empresarial, que deve ser assumido, em sua avaliação, pela própria empresa. O segundo risco é o que envolve a criatividade, são os investimentos em P&D que são feitos sem se levar em conta se vai gerar um produto ou um processo realmente inovador. “Esse risco deve ser compartilhado com o Estado”, disse.
Negri ressaltou que as empresas que estão promovendo o crescimento do país são aquelas que estão investindo em P&D de forma contínua. “Mas elas ainda fazem os investimentos do próprio bolso”, salientou.
O pesquisador conta que uma das propostas do Ipea, que foi incorporada pelo MCT no Plano de Ação para os próximos quatro anos, previsto para ser lançado este mês, é elevar o percentual de investimentos em P&D com base no PIB. A idéia, levantada por Negri, é que se aplique R$ 1 bilhão nas empresas, por ano, nos próximos oito anos até se alcançar um investimento de R$ 8 bilhões para P&D. O pesquisador explica ainda que, num primeiro momento, pretende-se beneficiar 5 mil empresas.Diagnóstico
Negri fez ainda um diagnóstico da situação da inovação tecnológica no país. Ele explica que o Brasil possui menos de uma pessoa por empresa envolvida na área de P&D. Em países como França e Alemanha, esse índice chega a 14,3 e 8,7 pessoas, respectivamente. “O Brasil está muito abaixo dos padrões internacionais”, afirmou.
Ele apresentou ainda os investimentos públicos feitos nas empresas para que elas façam inovação. Cerca de 10% do total que a empresa investe para inovar no Brasil são provenientes de recursos públicos. O pesquisador ressalta que a média da União Européia de empresas que recebem investimentos de fundos públicos é de 45% do total investido em inovação. Ele lembra que na Europa boa parte desses recursos são com taxas de juro zero. “No Brasil, os projetos são financiados com as taxas de mercado, a exceção dos poucos programas que a Finep desenvolve para reverter esse quadro.”
Outra pesquisa, realizada por Negri, levantou os dados sobre inovação tecnológica no Brasil e comparou com empresas similares da Argentina, México e Espanha. “O Brasil está numa média boa nessa comparação. Poderíamos fazer melhor, mas há um esforço que está sendo realizado para que os percentuais sejam maiores”, avaliou.
Ele salientou ainda que parece não haver no país um consenso de que de fato é a inovação tecnológica que promove o desenvolvimento. Em sua opinião, o Brasil tem boas condições de se inserir com tecnologia no mercado para competir. Negri acredita que o país nunca vai deixar de ter boas condições de atuar na área agrícola. “Mas esse é o momento em que há a oportunidade de se desenvolver renda e riqueza para o país por meio da inovação tecnológica. Deve-se estimular a P&D nas empresas e intensificar, nessa área, o que o governo está fazendo de forma acanhada”, observou.Redes
O vice-presidente da ABIPTI pela região Sul, Aldair Tarcísio Rizzi, que participou do debate, considera que as empresas brasileiras ainda não sabem aproveitar o potencial de pesquisa e desenvolvimento que as universidades e os institutos de pesquisa tecnológica (IPTs) possuem.
“Os empresários quando precisam desenvolver P&D internamente pinçam um pesquisador da universidade e levam para a empresa, o que torna a relação mais pessoal do que institucional”, salientou. Ele ressaltou a necessidade da constituição de redes de pesquisas que integrem tanto as universidades quanto os IPTs às empresas.
Rizzi, que também é superintendente do Instituto de Tecnologia para o Desenvolvimento (Lactec), lembrou que há três eixos: a empresa precisa investir em P&D; a universidade deve promover ações para aplicar o conhecimento na produção; e os institutos de pesquisa devem desenvolver inovação tecnológica, mas precisam se articular com o meio acadêmico para formar massa crítica. As redes, na opinião do vice-presidente, proporcionariam essa interação entre as três instituições.
(Tatiana Fiuza, de Londrina, para o Gestão C&T online)
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4 - Pesquisador do Ipea diz que a universidade está estruturada para adquirir conhecimento e não para aplicá-lo
O pesquisador do Instituto de Pesquisa Economica e Aplicada (Ipea), Devonzir Arthur Gusso, disse, hoje (7), durante a 1ª Conferência Estadual de C&T do Paraná, que a universidade está, atualmente, estruturada para adquirir conhecimento e não aplicá-lo. Na avaliação de Gusso, a universidade e os institutos de pesquisa têm um papel fundamental na estruturação da política de desenvolvimento do país. “A universidade tem que buscar isso e ser mais ousada.”
O pesquisador acredita que as universidades devem trabalhar para atuar nesse novo modelo econômico, em que países estão crescendo mediante a aplicação da tecnologia. “Estamos formando operadores de tecnologia e não uma pessoa que conhece a tecnologia e sabe aplicá-la”, enfatizou.
Ele observou ainda que a sociedade deve questionar a constituição das universidades e a forma como elas estão atuando. “Qualquer aglomerado de faculdade hoje se coloca uma placa dizendo que é universidade. E a pesquisa?”, questionou.
O pesquisador lembrou que o país insiste em colocar todas as pessoas no ensino superior, sendo que em muitos lugares de todo o mundo há uma educação terciária técnica que aqui não existe. Ele lembra que esses profissionais também são os responsáveis pelo desenvolvimento da tecnologia.
Dados apresentados por Gusso mostram que dois terços dos doutores formados em todo o país permanecem nas universidades em atividades de ensino e pesquisa. Ele lembra que o país possui um nível satisfatório na formação de doutores e na excelência científica, mas ressalta que não há um esforço mecanizado para colocar nas salas de aula as tendências globais.
Para ele, o Brasil não possui uma estratégia de desenvolvimento de longo prazo. “O país percorre lento e hesitantemente o caminho do desenvolvimento”, avaliou. Ele considera que o Brasil está ficando para trás quando se avalia o cenário de crescimento da China e da Índia na economia mundial.
É preciso, na opinião de Gusso, melhorar os padrões de comunicação e a sinergia entre os sistemas de pesquisa e de produção. Ele diz que o país pode olhar um pouco mais para ver o que a Ásia e a Europa estão fazendo e se reestruturar. “Pesquisadores e agentes de inovação serão melhor formados e empregados quanto melhores forem as estratégias”, finalizou.
(Tatiana Fiuza, de Londrina, para o Gestão C&T online)
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