
Brasília, 5 de
dezembro de 2007 - Nº 11 - Ano 1
1 - Congresso
sobre biodiesel discute diversidade de pesquisas e inclusão social
2 - MME designa
representantes para compor comitê gestor de energia
3 - Petrobras investirá US$ 9 bilhões
na qualidade do diesel
4 - Nona Rodada de licitações da ANP bate
recorde de arrecadação
5 - Artigo de André Papaleo exalta a TI aplicada ao agronegócio
6 - Moradias
populares receberão sistema de aquecimento solar, em Minas Gerais
7 - Lei obriga a
instalação de sistema de energia solar em novas construções de São Paulo
8 - Energia e Estado
serão os temas debatidos em seminário que acontece em Curitiba
Agenda
1 - Congresso sobre biodiesel
discute diversidade de pesquisas e inclusão social
O 2º Congresso da Rede Brasileira de
Tecnologia de Biodiesel, realizado pela ABIPTI e pelo
Ministério da Ciência e Tecnologia, em Brasília, nos dias 27 a 29 de
novembro, discutiu temas pertinentes ao momento, já que, de acordo com a
lei n° 11.097/05, será obrigatória a adição de 2% de biodiesel ao óleo
diesel a partir do próximo ano, sendo que este percentual passará para 5%
em 2013. Durante o evento, foram levantadas questões que ligam o biodiesel
ao desenvolvimento sustentável, agricultura, produção, co-produtos,
armazenamento, controle de qualidade e
utilização. Nos três dias, a
inclusão e responsabilidade social foram enaltecidas. A professora
Cristina Quintela, do Instituto de Química da Universidade Federal da
Bahia (UFBA), falou em sua apresentação sobre a geração de empregos
estimulada pelo biodiesel. "Se exportarmos sementes e não biodiesel,
nós vamos sustentar as famílias de outros países",
defendeu. A presença de jovens
pesquisadores, na platéia ou como autores de pesquisas, também foi
destaque durante o congresso. Entre eles esteve a mestranda Manoela
Maciel, da Universidade Federal de Viçosa (UFV), que apresentou um estudo
sobre a extração de óleo vegetal da soja, dendê e mamona. "A soja pode ser
processada todo ano, mas possui baixo teor de óleo. O dendezal necessita
de alto investimento inicial, mas apresenta ausência de estiagem. No caso
da mamona, a torta dela é muito rica para restaurar terras degradadas",
diz. A principal conclusão do estudo de Manoela foi a não utilização da
mamona como única fonte de óleo vegetal, já que a produção do óleo vindo
dela possui alto custo. Os
resultados das pesquisas apresentadas no congresso demonstram que os
estudos não podem ser centrados em apenas um tipo de planta ou grão que
potencialmente produza biodiesel. Entretanto, esses estudos despendem de
elevados investimentos e, não somente, tempo. É o que defende José Honório
Accarini, membro da Comissão Executiva Interministerial e do Grupo Gestor
do Biodiesel, que esteve presente no congresso. "Seja a mamona, seja a
soja, a palma, o milho, todas as pesquisas foram empurradas pelas
necessidades do mercado. Há muita gente que diz que o governo traçou um
programa de biodiesel com duas oleaginosas sendo que existem mais de 100,
mas é preciso saber que a soja foi desenvolvida porque existia uma demanda
muito forte", argumenta. Accarini
também falou sobre como o Brasil vem se destacando no âmbito do
desenvolvimento de tecnologias que aperfeiçoam e expandem as pesquisas
feitas no país. "Existem missões estrangeiras, de países que estão naquela
faixa tropical, que vêm ao Brasil e que querem tecnologia brasileira. A
escolhida é a menina dos olhos das pesquisas: a Embrapa", diz. A Empresa
Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) foi criada em 1973, é
vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e
associada à
ABIPTI. Valores A
pesquisadora Ana Maria Navaes da Universidade Federal Rural de Pernambuco
(UFRPE) falou sobre a necessidade da organização dos agricultores
familiares de um arranjo produtivo local (APL) implantado na região
Semi-Árida pernambucana. O APL, formado por 13 municípios, é composto por
50 mil agricultores para a formação de 15 mil/ha de plantios comerciais de
mamona. Ana destacou que os agricultores da região possuem renda baixa e
que a produção de 3/ha de mamona, que é o mínimo recomendado, resultaria
em R$ 1.812 por ano. Para propiciar a segurança econômica dos
agricultores, Ana aponta algumas ações que poderiam ser feitas, como a
compra antecipada da mamona e a expansão do crédito. "Hoje quando você
fala em mamona para os agricultores, eles dizem que não querem, pois já
plantaram e ninguém comprou",
diz. O APL de mamona em Pernambuco
também mostrou carência de articulação da cadeia produtiva e as vantagens
que podem ser obtidas caso os agricultores injetassem, em sua cultura,
capacidade gerencial, de negociação em grupo para que assim tirassem maior
proveito das relações de
comércio. Necessidades similares
foram evidenciadas pelo químico Evandro Dall'Oglio da Universidade Federal
de Mato Grosso (UFMT) no Projeto Biodiesel Guariba, implantado desde o
início do segundo semestre de 2004, em uma comunidade amazônica, em prol
da auto-sustentabilidade. O projeto teve como objetivo a construção de uma
usina de produção de biodiesel a partir de matérias-primas locais, para
geração de energia. Uma das
respostas positivas foi a diminuição das queimadas, prática comum na
região, já que os habitantes vêem na exploração da madeira a única opção
econômica rentável. "Existe um conflito de consciência, pois muitos deles
ofertam mão-de-obra para esse poder econômico estabelecido, do ciclo
ilegal da madeira, do grilo, embora no discurso deles exista interesse da
preservação, da conservação da floresta", constata
Dall'Oglio. Pinhão-manso Uma
das oleaginosas mais debatidas durante o evento foi o pinhão-manso. Entre
eles o estudo sobre Diversidade genética entre acesso de Jatropha sp.,
apresentado por Antônio Carlos Fraga, especialista em Fitotecnia e
professor da Universidade Federal de Lavras (UFLA), em Minas Gerais. No
congresso foi falado sobre os produtos em que a planta pode ser aplicada,
como em lubrificantes, tintas e vernizes, mas também foram apontadas
certas desvantagens dela. "Algumas idéias que foram colocadas sobre o
pinhão-manso são falsas, de que a planta não teria doença, não teria
praga. Como ser vivo tem que ter todos os defeitos", disse Fraga. Quanto à
discussão sobre o descrédito do pinhão-manso como agente produtor de
biodiesel, Fraga afirmou que todas as pesquisas são válidas. "Diversidade
de idéias entre pesquisadores faz crescer, o que nós não podemos ter é
engessamento de idéias. A ciência não cresce se tivermos isso", diz. Já
outra pesquisa, Avaliação do potencial alergênico de sementes de Jatropha
Curcas, trata da capacidade do pinhão-manso em desenvolver ação
alérgica. Os estudos apresentados
durante o congresso estarão disponíveis, em breve, no portal www.biodiesel.gov.br. (Basilia
Rodrigues para o Inovação Energética)
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2 - MME designa
representantes para compor comitê gestor de energia
Por meio de portaria publicada no Diário
Oficial da União, no dia 3 de dezembro, o Ministério de Minas e Energia
(MME) designou representantes para compor o Comitê Gestor de Indicadores e
Níveis de Eficiência Energética (CGIEE), criado pelo Decreto n° 4.059, de
19 de dezembro de 2001. Os representantes
são: • Paulo Augusto Leonelli, do
Ministério de Minas e Energia, que será o presidente do
comité; • Adriano Duarte Filho, do
Ministério da Ciência e Tecnologia
(MCT); • Paulo Malamud, do
Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior
(MDIC); • Sheyla Maria das Neves
Damasceno, da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), que
substituirá Roberto Wagner Lima
Pereira; • Jacqueline Barboza
Mariano, da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocumbustíveis
(ANP), que substituirá José Guilherme de Souza
Moreira; • Elizabeth Marques Duarte
Pereira, especialista em matéria de energia, que substituirá Marcos José
Marques, com mandato de dois anos; Além
disso, a portaria reconduz Luiz Augusto Horta Nogueira, também
especialista em matéria de energia e representante de universidade
brasileira. Veja a portaria na
íntegra neste link. Acesse
o decreto que instituiu o CGIEE por este link.
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3 - Petrobras
investirá US$ 9 bilhões na qualidade do diesel
A Petrobras anunciou o investimento de
US$ 9 bilhões, de 2008 a 2012, nas unidades de hidrotratamento de diesel,
o que irá melhorar a qualidade do combustível e seguir as exigências do
Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores
(Proconve), estabelecido pelo Conselho Nacional de Meio Ambiente
(Conama). Segundo a assessoria de
imprensa da Petrobras, a nova fórmula não se configura em um diesel
“ecológico”, já que não deixa de ser poluente. O que se objetiva é
diminuir o teor de enxofre para 50 ppm, sendo que atualmente a fórmula do
combustível apresenta 500 ppm. De acordo com a Direção de Abastecimento da
Petrobras, a modificação terá eficiência com a fabricação de um novo tipo
de motor, o “Euro IV”, já existente em outros países, como os Estados
Unidos. De acordo com a lei n°8.723/93,
os fabricantes possuem até três anos para se adequarem. Nesse sentido, as
fabricantes terão até o final de 2010 para desenvolver o
motor. As distribuidoras também sofrerão
mudanças. Cada posto deverá ter bomba e local de armazenagem especiais
para o novo diesel. (Com informações da
Petrobras)
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4 - Nona Rodada de
licitações da ANP bate recorde de arrecadação
Dia 27 de novembro, a Agência Nacional do
Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) realizou, no Rio de Janeiro,
a Nona Rodada de Licitações de áreas para exploração e produção de
petróleo e gás natural. Foram arrecadados R$ 2,1 bilhões. Com isso, a
edição bateu recorde. Das 67
empresas participantes, 32 foram brasileiras e 35, estrangeiras. As áreas
oferecidas abrangiam nove bacias sedimentares: Rio do Peixe, Campos,
Espírito Santo, Potiguar, Pernambuco-Paraíba, Recôncavo, Pará-Maranhão e
Santos, Parnaíba. Foram arrematados 117 blocos dos 271
disponíveis. Veja a lista dos blocos que
foram oferecidos e dos arrematados neste link.
Nele, você também encontrará o quanto foi arrecadado por bloco
licitado. (Com informações da ANP)
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5 - Artigo de André
Papaleo exalta a TI aplicada ao agronegócio
Em artigo, publicado no jornal Gazeta
Mercantil, de 28 de novembro, o vice-presidente de indústria, manufatura e
distribuição da Oracle para a América Latina, André Papaleo, fala sobre o
mercado de biodiesel e do
agronegócio. Papaleo discute, em
seu texto, a diferença entre a produção industrial, que segue uma demanda
de mercado, e a produção agrícola, que acontece antes de ser conhecida a
capacidade de consumo que será atingida, em especial quanto ao plantio da
cana-de-açúcar. “O ciclo da cana em larga escala não é simples. Exige
inúmeras decisões importantes que podem fazer diferença entre o lucro e o
prejuízo”, diz. Por isso, ele defende um
planejamento do plantio, para que não sobre nem falte produto. E, para
tanto, ele aponta a tecnologia de informação (TI) como saída, já que por
meio de ferramentas e sistemas de acompanhamento a produtividade pode ser
melhorada. “Estes sistemas informam os recursos necessários para que a
lavoura seja programada antecipadamente e de forma integrada, em linha com
os seus objetivos globais de produção, otimizando a matriz de
custos”. O autor trata a discussão da
energia e a ajuda tecnológica como um dilema e também faz afirmativas,
categóricas, sobre o assunto. “No desafio brasileiro da bioenergia, não há
lugar para amadorismo, nem margem para erros. O planejamento da demanda
evita excesso ou falta de oferta e até aumenta nossa competitividade em
novos mercados, inclusive o da exportação”, sintetiza.
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6 - Moradias
populares receberão sistema de aquecimento solar, em Minas
Gerais
A Companhia Energética de Minas Gerais
(Cemig) calcula instalar sistemas de aquecimento solar, até o final deste
ano, em 403 moradias do Estado, sendo 164 moradias de Pouso Alegre, 77 em
Itatiaiuçu, 60 em Piedade de Caratinga, 52 em Conquista e 50 em Dores do
Campo. A ação faz parte do projeto Aquecimento de Água com Energia Solar
em Conjuntos Habitacionais e é uma parceria da Cemig com a Companhia
Habitacional do Estado de Minas Gerais (Cohab-MG) e a Secretaria de Estado
de Desenvolvimento Regional e Política Urbana
(Sedru). Iniciado em 2002, o
projeto já beneficiou 1.671 famílias. Para 2008, as cidades de
Formiga, Prudente de Morais, Candeias, Bocaiúva e Belo Horizonte já estão
na lista dos próximos lugares que receberão o equipamento.
Resultados O
sistema privilegia casas populares, construídas pela Cohab, que possuam
consumo médio de 150 kWh por mês. Após a instalação foi observada uma
redução de 52 kWh por mês, o que corresponde a uma economia mensal de mais
de 30% do consumo total. O papel da
Cemig é doar os equipamentos, que custam em média R$ 1,5 mil. Eles têm
capacidade de 200 litros de água aquecida, o suficiente para abastecer
cinco banhos por dia. Com o projeto, a Cemig ganhou, durante a 7ª
Conferência Latino-Americana sobre Meio Ambiente e Responsabilidade Social
- Ecolatina 2007, o Prêmio Ambiental Ponto Terra - Minas 2007, na
categoria empresa. (Com informações
da Cohab-MG)
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7 - Lei obriga a
instalação de sistema de energia solar em novas construções de São
Paulo
O projeto de lei n° 326/07, de autoria do
deputado estadual José Augusto (PSBD/SP), aprovado pelo plenário da
Assembléia Legislativa de São Paulo, no dia 21 do mês passado, prevê que
os projetos de novas edificações públicas, em São Paulo, deverão conter
sistemas de aquecimento solar de
água. A medida, que está apenas
aguardando a sanção do governador José Serra (PSDB/SP) para virar lei, irá
suprir, pelo menos, 40% de toda a demanda de energia usada por ano para
aquecer água sanitária. As condições climáticas foram usadas como uma das
justificativas do parlamentar. “O aquecimento solar provém de fonte limpa
e constante, abundante em nosso país e é vantajoso em relação a qualquer
outro, tanto quanto ao meio ambiente, como ao custo”,
diz. O texto do projeto também determina
que os materiais usados tenham o selo de avaliação da conformidade.
Isenção De
acordo com o projeto, os editais de licitação para novas obras e
construções de edificações públicas deverão trazer a instalação do sistema
de energia solar como uma das exigências. Caso, por meio de um estudo
técnico, seja comprovada a inviabilidade do sistema, a construção fica
isenta de seguir a
lei. O governador do
Estado tem até dia 20 de dezembro para sancionar ou vetar a
lei. Veja a lei na íntegra neste link.
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8 - Energia e Estado
serão os temas debatidos em seminário que acontece em
Curitiba
Nos dias 11 e 12 de dezembro, acontecerá o
seminário Debates do Brasil, sobre Energia e Estado. O evento será
realizado no Museu Oscar Niemeyer em Curitiba
(PR). A série de seminários é uma
iniciativa da publicação de mídia independente Retrato do Brasil,
formulada em 1984, por quatro jornalistas - Mino Carta, Raimundo Rodrigues
Pereira, Fernando Morais, Elifas
Andreatto. Retrato Brasil se dedica
a discutir diversas questões atuais. Seguindo esse ideal, a publicação
traz como primeiro tema a ser abordado nos seminários a situação
energética brasileira. No primeiro dia do
evento, serão discutidas as mudanças climáticas. No dia seguinte o assunto
será energia tradicional e
biocombustível. A Secretaria de Estado da
Ciência, Tecnologia e Ensino superior (Seti-PR), que é uma instituição
associada à ABIPTI, apóia a
iniciativa. Alguns textos relacionados à
energia estão no site do projeto www.debatesdobrasil.com.br.
Lá, também, podem ser feitas as
inscrições. (Com informações do site
Debates do Brasil)
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Agenda . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
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Seminário Debates do Brasil sobre Energia e
Estado 11 a 12 de dezembro Realização: Retrato
Brasil Informações: (41) 3323-1767 E-mail: secretaria@debatesdobrasil.com.br Site:
www.debatesdobrasil.com.br Local:
Auditório do Museu Oscar Niemeyer. Centro Cívico – rua Marechal Hermes,
999, em Curitiba/PR.
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Contato . . . . . . .
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O informativo quinzenal Inovação
Energética é um produto da Agência Gestão C&T de
Notícias elaborado por meio de parcerias entre as Unidade de Arranjos
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