CONTEÚDO

Entrevista
Júlio Cezar Augusto da Silva - Designer

Ecolink
acv.ibict.br

Matéria
Análise de Ciclo de Vida: redução do impacto ambiental e lucro para as empresas

Notas
Desenvolvimento de embalagens foi destaque de evento

Seminário de Design Sustentável supera expectativas

Sebrae expõe jóias e artesanato em evento de tecnologia

CSPD lança dois títulos em novembro

Excelência na Gestão de Unidades de Design

Ecodesign: exposição em São Paulo

Design no Bom Dia Brasil


Calendário
Seminário de Resíduos

Work Design - design social

Simpósio Senac de Materiais: Design e Identidade

Mercado Floresta

8º Encontro Nacional sobre Gestão Empresarial e Meio Ambiente

Encontro da Sociedade Brasileira de Economia Ecológica

IV Assembléia Geral Internacional FSC

II Conferência Nacional Infanto-Juvenil pelo Meio Ambiente

Conferência Nacional do Meio Ambiente

International Symposium on Environmentally Conscious Design and Inverse Manufacturing

Prêmio da Amazônia de Empreendedorismo Consciente

I Feira Latino-Americana de Produtos Certificados FSC

P&D Design 2006

Comunidade Ecodesign net

 
Editorial     

A edição de outubro tem um formato temático, com foco na Avaliação do Ciclo de Vida de Produtos. Assim, o leitor poderá fazer várias conexões e refletir sobre o tema por meio da matéria "Análise de Ciclo de Vida: redução do impacto ambiental e lucro para as empresas", assinada pelo jornalista Diogo Lopes de Oliveira, colaborador da Abipti; pela sugestão apresentada no Ecolink, a Comunidade Virtual ACV, desenvolvida pelo Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia - IBICT, com o apoio da Financiadora de Estudos e Projetos - Finep, Instituto de Tecnologia do Paraná - Tecpar e Confederação Nacional da Indústria - CNI. E ainda, sobre as considerações sobre ACV feitas pelo entrevistado do mês, o designer Júlio Cezar Augusto da Silva. Ele aborda também o trabalho realizado no INT - projetos que aliam o design à melhoria das condições de trabalho e de vida de artesãos e catadores, entre outros assuntos instigantes.

O restante do conteúdo se divide entre as Notas e o Calendário. Além dos eventos que já vínhamos divulgando, há três novidades em novembro: o Seminário de Resíduos - Recicle CEMPRE, em São Paulo, Work Design - design social, em Londrina e o Simpósio Senac de Materiais: Design e Identidade, no Rio de Janeiro.

Nas Notas os destaques vão para a matéria "O Design acessível ao consumidor", exibida na coluna Coisas do Gênero, do Bom Dia Brasil e para os resultados do Seminário de Design Sustentável do Rio de Janeiro. O CSPD promete para novembro a publicação de dois títulos na área. Mas há muito mais. Convidamos você a começar a leitura.

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Entrevista     

Júlio Cezar Augusto da Silva
Designer


 
Formado em desenho industrial pela Escola Superior de Desenho Industrial (ESDI-ERJ), com mestrado em engenharia de produção pela COPPE-UFRJ e doutorando em design pela PUC-Rio, o entrevistado do mês é Júlio Cezar Augusto da Silva. Jovem, mas com bastante experiência em Ecodesign, área que chama sua atenção desde a graduação, Júlio trabalha no Instituto Nacional de Tecnologia (INT), órgão do Ministério da Ciência e Tecnologia, no qual vem atuando em projetos de adequação do design à inclusão social.

Quais são esses projetos é o que o leitor vai descobrir acompanhando a Entrevista que está repleta de boas dicas e reflexões sobre a "onda verde" que invade o Brasil e o mundo. "O Brasil é um país abençoado pela natureza, isso talvez tenha feito com que nossa percepção da urgência da crise ambiental tenha ficado um tanto atrasada", afirmou.

Como surgiu o desejo de trabalhar na área de Ecodesign? Essa foi uma opção que veio desde a graduação?
Sempre me interessei por produtos eficientes, pelo combate ao desperdício e pelo uso racional dos recursos. Na graduação, eu gostava de estudar sobre fontes alternativas de energia e transportes eficientes. Naquela época, na virada entre os anos 80 e 90 não havia, no ensino, informações sobre Ecodesign. Conforme fui me conscientizando sobre a crise ambiental, a vontade de trabalhar com isto se desenvolveu naturalmente.

Você teve dificuldades em encontrar na academia espaços adequados para o trabalho/pesquisa nessa área?
Não, pelo contrário. No Instituto Nacional de Tecnologia (INT), que trabalha com pesquisa, desenvolvimento e prestação de serviços tecnológicos, a idéia foi bem aceita e apoiada logo que sugeri.

O mesmo ocorreu quando tentei desenvolver uma tese em Ecodesign como pesquisa de Doutorado. Ecodesign é uma linha em crescimento, conforme se verifica pelo número crescente de artigos em congressos. Acho que a academia e os institutos de pesquisa estão sensibilizados para as questões ambientais. O empresariado é que ainda não compreendeu toda a dimensão do problema.

No mestrado você defendeu a dissertação "Uso de modelos virtuais para avaliação de alternativas em design de produtos". Em que consistia esse trabalho, a que conclusões você chegou?
No mestrado eu estudei o uso de computadores em design de produtos, mais especificamente para gerar ilustrações com alto grau de realismo, a maquete eletrônica. Alguns autores chamam esta classe de aplicativos de CAID - Computer Aided Industrial Design. Na época, década passada, o uso desta ferramenta em design estava apenas começando.

Foi possível concluir que este recurso reduz o tempo de projeto, permite o teste de mais alternativas e antecipa a fase de avaliação estética. O risco do emprego desta ferramenta é o profissional se viciar em formas mais fáceis de serem criadas com o computador. Mas este risco existe no emprego de qualquer ferramenta, seja eletrônica, seja manual. Cada uma tem facilidades e dificuldades. O importante é estar lúcido para isso.

E agora, no doutorado, o que você está pesquisando?
No doutorado estou pesquisando ferramentas de apoio ao designer em Ecodesign. Quanto a ferramentas, me refiro a metodologias, softwares, manuais, check-list, enfim, quaisquer recursos que orientem o projetista na hora de desenvolver um produto com o objetivo de reduzir ao máximo seu impacto ambiental.

Partimos da observação de que designers já estão sensibilizados para a necessidade de desenvolver produtos menos impactantes ao meio ambiente, mas em geral não sabem como fazê-lo. Isso ocorre porque os profissionais que já encontraram colocação no mercado, como a minha geração, por exemplo, não estudaram a fundo este tema, principalmente na faculdade. Além do mais, as pressões do mercado nem sempre permitem que eles façam treinamentos ou atualizações, e os briefings que recebem dos clientes raramente contemplam essas preocupações.

Já existem algumas ferramentas de auxílio a decisões, como a Análise de Ciclo de Vida - ACV. Mas, em geral, são instrumentos que foram desenvolvidos para uso no âmbito da engenharia ou química industrial, não se aplicam bem ao design de produtos.

O objetivo da tese é desenvolver uma ferramenta que seja adequada ao profissional de design, que fale sua língua, e que seja aplicável na realidade de um projeto de produto.

Qual sua opinião sobre o Ecodesign e sua aplicação no Brasil em comparação com outras realidades que você conheça?
Ainda não conheço pessoalmente a realidade do Ecodesign lá fora, mas sei que em alguns países europeus, principalmente Holanda e Alemanha, essa área está bem desenvolvida, há muito tempo. O Brasil é um país abençoado pela natureza, isso talvez tenha feito com que nossa percepção da urgência da crise ambiental tenha ficado um tanto atrasada. Mas estamos melhores que os EUA, por exemplo, onde pesquisas apontam que a maioria da população ainda ignora, ou quer ignorar o assunto.

A propriedade intelectual ainda é um campo nebuloso. Você tem um registro e está com o pedido de outro em andamento. Como foram esses processos? Qual a importância que o registro tem para você? Você aconselharia as pessoas a enfrentarem a burocracia?
O difícil, em minha opinião, não é o registro, mas a comercialização da idéia após o registro, que é o que justifica o trabalho de solicitar a patente. Os empresários em geral não investem em inovação e um conceito novo exige muito investimento para passar de uma boa idéia a um produto no mercado.

Quanto ao registro em si, na minha experiência foi muito simples. O atendimento no Instituto Nacional de Propriedade Intelectual (INPI) foi atencioso, esclarecedor e os custos não foram elevados. Não recorri a escritórios de advocacia para me orientar, contei com os próprios funcionários do órgão. Para alguns casos mais complexos, talvez seja válido o apoio de um consultor. No meu caso não foi necessário.

Quem tiver uma idéia inovadora e com potencial comercial, acho que vale a pena o investimento, para que possa demonstrar o produto a possíveis fabricantes, com menor risco de ver sua idéia roubada. O registro não impede totalmente que isso aconteça, principalmente porque no Brasil temos muita informalidade, produtos copiados. Mas reduz o risco.

Você tem realizado alguns trabalhos para o Ministério da Ciência e Tecnologia? Como se dão esses contatos? Quais são esses trabalhos?
O INT é um órgão do Ministério da Ciência e Tecnologia. Algumas demandas surgem a partir de visitas de rotina de diretores do MCT, outras por meio da divulgação do nosso trabalho, realizado pelo nosso setor de comunicação.

Os últimos trabalhos que realizamos, a pedido do Ministério, foram o Projeto de Produtos em Garrafas PET e o curso de Capacitação de Artesãos, ambos solicitados pela Secretaria de Inclusão Social do Ministério. Os beneficiados foram cooperativas e comunidades de Maceió, Macapá, Brasília, Salvador e Rio de Janeiro.

 
Sofá de PET  
O projeto PET visa o repasse de técnicas de aproveitamento de garrafas PET recolhidas para manufatura de produtos, principalmente móveis. Ao comercializar produtos prontos no lugar de sucata, as cooperativas aumentam seus ganhos. A atividade de construir produtos também aumenta a dignidade e auto-estima do catador, que realiza uma atividade essencial para a sociedade, mas é muito desvalorizado.

Já o projeto de Capacitação de Artesão é um treinamento onde ensinamos princípios de design para artesãos, com o objetivo de melhorar a qualidade e a inovação de seus produtos. Não ensinamos técnicas nem apresentamos soluções prontas, ao contrário, estimulamos o artesão para que este desperte sua criatividade, aprimore seu estilo pessoal e a representatividade da cultura local em sua obra.

O trabalho de catadores e cooperativas tem crescido nos últimos anos. Como você vê o potencial dessa área em relação ao Ecodesign?
Algumas estimativas apontam que já são 500 mil os catadores no Brasil. O trabalho destes cidadãos viabiliza o modelo de reciclagem brasileiro, mas as condições de trabalho são muito ruins. É um trabalho desvalorizado, insalubre, sem dignidade. Há muita coisa a fazer para melhorar as condições de vida dos catadores, e os designers podem contribuir muito, projetando ferramentas, EPI's, vestuários.

Atualmente existem vários prêmios de design para produtos manufaturados com garrafas PET, EPI's e ferramentas para catadores. Essa quantidade de concursos é um reflexo da importância que tem sido dispensada ao assunto, o que é muito positivo.

Dos trabalhos que já realizou em Ecodesign, quais considera mais importantes ou o que é importante em um profissional para realizar um produto nesse perfil?
   
 
Kit Látex
Além dos projetos de reaproveitamento de PET, gostei muito do trabalho que fizemos para seringueiros da região de Xapuri, no Acre. O objetivo do trabalho era criar um "kit" de ferramentas para coleta de látex adequado ao trabalho na floresta equatorial, que ajudasse a manter a viabilidade econômica da prática. Essa atividade humana é um exemplo de manejo sustentável da floresta, pois é realizada em um ritmo que respeita os ciclos naturais. O seringueiro precisa conservar a floresta intacta para sua sobrevivência, mas sofre com a competição do látex obtido em áreas de cultivo, que apresentam maior produtividade. A despeito da produtividade menor na floresta, é estratégico incentivar a continuidade deste trabalho, porque incentiva a busca de outras atividades sustentáveis na Amazônia, e porque o seringueiro pode desmatar a floresta caso não consiga mais tirar o sustento de sua família através do látex. Naturalmente, para este trabalhador, como para todos nós, a sobrevivência vem antes da ecologia. O importante, portanto, é conciliar ambas as necessidades de forma harmônica.

Outro trabalho que realizamos para comunidades da floresta amazônica foi o design de um "kit" para detecção de mercúrio em peixes, que pode ocasionar graves problemas de saúde. Vários rios da região estão contaminados, devido ao garimpo do ouro. O "kit" foi desenvolvido por técnicos do CETEM e ao INT coube realizar o design das peças e a programação visual do programa de divulgação.

Para trabalhar nesta área acho que o importante é o desejo de realizar projetos em harmonia com o meio-ambiente, ter uma postura de respeito e parceria com relação à natureza, buscar a eficiência no uso de recursos e evitar o desperdício.

Madeira, PET, artesanato... Que linha você indicaria a uma entidade que tivesse interesse em realizar algum trabalho nessa área com vistas à sustentabilidade?
Em madeira há muita coisa a ser realizada para combater o desperdício. Por exemplo, fizemos no INT um trabalho interessante para uma fábrica de móveis, que solicitou o projeto de uma série de produtos que aproveitassem as sobras. Esta empresa percebeu que boa parte da madeira é desperdiçada, madeira nobre, aplainada, tratada. São pedaços relativamente pequenos que, a princípio, não podem ser utilizados diretamente em mobiliários, então o que era matéria-prima torna-se um problema. Algumas fábricas gastam dinheiro contratando empresas para retirar o "lixo", outras chegam a incendiar a madeira. Várias empresas têm o mesmo problema, então existe espaço para propor soluções criativas, que transformem o que era um problema em lucro e, ainda, contribuam para o meio-ambiente, ao poupar derrubada de mais árvores nobres, cada vez mais raras. Outra possibilidade é criar mecanismos para a doação dessa madeira para artesãos, o que seria interessante para ambas as partes.

No caso dos projetos de produtos em PET, além de desenvolver produtos para serem comercializados e ferramentas para facilitar o trabalho do catador, também é importante o apoio às comunidades na fase posterior do projeto do produto. Orientar na divulgação, administração, venda, controle de qualidade, produtividade.

Outra linha em que é necessária atenção é a Análise de Ciclo de Vida. Há a necessidade urgente da criação de um banco de dados nacional de materiais e processos, que é um trabalho muito complexo e demorado, mas fundamental para que tenhamos uma ferramenta de avaliação de impacto ambiental adequada a nossa realidade.

Que avaliação você faz dessa "onda verde"?
O Ecodesign muitas vezes é tratado pelas empresas de forma superficial, cosmética. Os conceitos ambientais vêm sendo absorvidos pelo sistema vigente apenas como mais um estímulo às vendas. Produtos ditos "verdes" têm apelo comercial e as empresas se deram conta disso. Mas Ecodesign vai muito além.

Uma abordagem ambientalista envolve questionamentos mais profundos, que alcançariam nosso modelo de desenvolvimento econômico, nossos hábitos de consumo, a prática de manipular nossos desejos para nos lançar no insaciável ciclo de consumo e descarte.

A reciclagem é um exemplo. O que seria a menos eficiente estratégia de Ecodesign, atrás da redução, re-uso e remanufatura, é apontada como uma panacéia. Como se pelo fato da matéria-prima do produto ser reciclável ele não fosse impactante. Fora que muitos materiais ditos recicláveis não são "economicamente" recicláveis, logo, a reciclagem propriamente dita não ocorrerá. E mesmo quando a reciclagem é viável economicamente, muitas vezes o impacto ambiental do processo é maior do que o benefício, porque o retorno do produto e seu reprocessamento gastam combustível, água, energia. É preciso analisar todo o ciclo, e não apenas a ponta final.

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Ecolink     

acv.ibict.br

Nossa sugestão do mês é a Comunidade ACV. Ela foi criada com o intuito de integrar parceiros da indústria, governo, instituições de pesquisa e academia, interessados em desenvolver e aprimorar a metodologia de Avaliação do Ciclo de Vida no Brasil.

 
A Comunidade possui fácil navegabilidade, dividindo-se em tópicos que facilitam a busca e troca de informações. Para introdução no tema, recomenda-se acessar inicialmente os tópicos: Sobre ACV, Fases de ACV, Usos da ACV e Normalização, situados no menu superior do site. O ambiente também disponibiliza áreas destinadas a Agenda, Boletins, Casos de Sucesso (organizações públicas ou privadas que estejam aplicando a ACV com sucesso), Divulgação da Comunidade (espaço para mostrar as atividades de profissionais e empresas relacionadas a ACV), Espaço de Contribuição: Eventos, Fórum, Grupos ACV (usuários com interesses em comum), Links, Membros da Comunidade (incluindo localização e descrição), Notícias, e Publicações.

A Comunidade ACV foi desenvolvida pelo Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia - IBICT, com o apoio da Financiadora de Estudos e Projetos - Finep, Instituto de Tecnologia do Paraná - Tecpar e Confederação Nacional da Indústria - CNI.

Ecolink: acv.ibict.br.

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Matéria     

Análise de Ciclo de Vida: redução do impacto ambiental e lucro para as empresas
Diogo Lopes de Oliveira


Avaliar os impactos ambientais causados por um produto desde a seleção de matérias-primas, passando pelos processos de fabricação e montagem, até o seu descarte final. Essa é a função da Análise de Ciclo de Vida (ACV), uma metodologia que desperta o interesse de um número cada vez maior de empresas, porque reduz o impacto no meio ambiente, o desperdício e os custos.

Os danos causados pela atividade industrial se devem ao fato de que substâncias são acidental ou intencionalmente descartadas no ambiente em quantidades maiores que no seu processo natural. "No sentido de controlar e mesmo reverter essa situação, os países em desenvolvimento estão intensificando os esforços para melhorar o desempenho ambiental das suas atividades produtivas", garante o professor Armando Pires Caldeira, do departamento de engenharia mecânica da UnB.

Segundo o professor Gil Anderi, da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP), as empresas podem usar a ACV para identificar oportunidades de melhoria ambiental de seus produtos e de atuação sobre fornecedores, além de identificar quantitativamente as interações do ciclo de vida do produto com o meio ambiente e avaliar os potenciais impactos ambientais associados a essas interações.

Legislação brasileira

No Brasil, de uma forma geral, muitos Estados já contam com regulamentações ambientais, em diferentes níveis, que visam controlar e reduzir o nível de poluentes nas emissões industriais ou em águas superficiais e na atmosfera. Nesse sentido, a aplicação das normas ISO 14000 [padronização internacional que controla o impacto ambiental dos diferentes processos produtivos], serve para diminuir os riscos de desequilíbrio ecológico.

Para Armando Caldeira, a produção sustentável no Brasil depende de fatores como a consolidação de uma base de conhecimentos técnicos e científicos sobre os materiais, os produtos e os serviços; a adaptação e a difusão de conceitos e metodologias utilizadas na avaliação do perfil ambiental de produtos; a possibilidade de se passar a integrar os aspectos ambientais nos projetos de desenvolvimento e no design de novos produtos ou serviços; de uma maior participação na discussão mundial de comércio exterior e meio ambiente e da criação e manutenção de oportunidades de mercado para produtos e serviços.

Outro aspecto relevante para a ACV são as características regionais de onde será aplicada. A produção e o uso de materiais metálicos na América Latina é um exemplo. "A ACV aplicada ao setor mineiro metalúrgico depende fundamentalmente da estrutura industrial de cada país, de sua base mineral e do estado da arte das tecnologias de extração mineral e transformação metalúrgica. Essa diferenciação natural e tecnológica tem forte potencial, portanto, de inibir e incentivar as exportações desses bens", afirma o professor.

Para os países em desenvolvimento, como é o caso do Brasil, a base de dados utilizada pelas nações desenvolvidas não pode ser aplicada de forma direta, devido às diferenças existentes em tecnologia, tecno-estruturas, geologia, clima, densidade de população, biomas e tipos de produtos.

Neles, a aplicação da ACV depende da existência de uma atividade de pesquisa e do desenvolvimento de projetos, além de dados aplicáveis às matérias-primas e aos processos de produção locais.

Diogo Lopes de Oliveira é colaborador da ABIPTI. O texto Análise de Ciclo de Vida: redução do impacto ambiental e lucro para as empresas foi publicado originalmente no jornal C&T na Íntegra, produzido pela ABIPTI para a Semana Nacional de C&T que, ocorreu de 3 a 9 de outubro, em todo o Brasil.

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Notas     

Desenvolvimento de embalagens foi destaque de evento

O Comitê de Design da Associação Brasileira de Embalagem (ABRE) realizou a "Mostra ABRE de Design de Embalagem 2005", durante a Semana ABRE do Design de Embalagem. Em sua sétima edição, o evento que aconteceu nos dias 27 e 28 de outubro, em São Paulo, buscou mostrar uma visão da atual gestão do design no Brasil e no mundo, contando com cases de desenvolvimento integrado de embalagem e produto, com enfoque na geração de negócios.

A programação contou com palestras e exposição das embalagens desenvolvidas pelas agências do Comitê de Design da ABRE em 2005.

O público-alvo foram os gerentes de marketing e produtos de empresas fabricantes e usuárias de embalagens, agências de design, experts das áreas de promoção, propaganda, PDV, pesquisa, entre outros.

Fonte: www.abre.org.br.


Seminário de Design Sustentável supera expectativas

O Seminário de Design Sustentável do Rio de Janeiro, evento que ocorreu no dia 6 de outubro, promovido pelo Centro de Tecnologia em Design do Senac Rio, superou todas as expectativas, segundo os organizadores. Em 15 dias as inscrições foram encerradas e foi necessária a transmissão simultânea em um salão anexo ao auditório.

O evento reuniu profissionais renomados como Haroldo Lemos, do Instituto Brasil PNUMA (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente); doutora Cinthia Malaguti, designer, professora e consultora do SEBRAE; Mauro Wanderley, mestre em tecnologia ambiental e assessor industrial da Comlurb; Leila Lemgruber, doutoranda em design na PUC-Rio; Lucy Niemeyer e Fred Gelli, da Tátil; Cláudio Vieira, designer e criador do compensado de pupunha; e Ayrton Xerez, secretário municipal do Meio Ambiente, entre outros.

Paralelamente, aconteceu uma mostra de projetos e produtos desenvolvidos nessa área. Móveis elaborados a partir do zorite (um composto de celulose e resina natural), do compensado de pupunha; camisetas e móveis de garrafa PET reciclada; jóias de resíduos, bancos de madeira plástica e objetos de couro vegetal foram alguns dos produtos expostos.

Fonte: www.rj.senac.br.


Sebrae expõe jóias e artesanato em evento de tecnologia

Entre os dias 5 e 8 de outubro aconteceu, em São Paulo, o 4º Salão Internacional de Inovação Tecnológica (Brasiltec). O estande do Sebrae no evento destacou o resultado do trabalho Jóias do Artesanato Paulista, fruto de uma parceria entre o Instituto Brasileiro de Gemas e Metais Preciosos (IBGM) e o grupo Casa. Trata-se de uma coleção que utiliza técnicas artesanais e que serviu de inspiração para a criação dos 18 designers que tiveram suas peças expostas. O Salão contou ainda com a produção de dez empresas pertencentes ao Arranjo Produtivo Local (APL), de São José do Rio Preto.

"A união de design, artesanato e tecnologia agrega um diferencial a um produto nacional já reconhecido mundialmente por sua qualidade: a jóia", afirmou o coordenador de Design do Sebrae em São Paulo, Paulo Sérgio Franzosi.

Fonte: Agência Sebrae www.asn.interjornal.com.br/site.


CSPD lança dois títulos em novembro

Está sendo esperado para o próximo mês o lançamento, pelo Centro São Paulo de Design, de duas publicações, ambas com a parceria do SEBRAE-SP. Um deles é o Manual de Requisitos Ambientais para o Desenvolvimento de Produtos, escrito pela designer Cyntia Malaguti. A obra aborda a importância das questões ambientais no desenvolvimento de produtos considerando estratégias e metodologias para integração com a disciplina de design. Apresenta, ainda, cases e critérios ambientais.

Já o Catálogo Novos Materiais - Componentes - Processo é resultado do trabalho realizado pelo Núcleo de Materiais do CSPD, por meio do Projeto Novos Materiais, Componentes e Processos. Participaram 41 fabricantes de matérias-primas, 31 escritórios de design e 30 empresas de micro e pequeno portes na fabricação de protótipos.

Fonte: www.cspd.com.br.


Excelência na Gestão de Unidades de Design

Em continuidade ao Ciclo 2005/2006 do Projeto Excelência na Gestão de Unidades de Design (EGD), a ABIPTI realizou, dias 24 e 25 de outubro, no Centro de Tecnologia em Design Senac Rio (RJ), a Capacitação em Avaliação da Satisfação do Cliente, ministrada pelo consultor Leon Kramarz.

Os próximos eventos previstos são: Capacitação na Elaboração do Relatório de Gestão e Capacitação de Examinadores de Relatórios de Gestão. Ambos serão em Santa Catarina, entre os dias 7 e 10 de novembro.

O EGD teve início no ano passado e tem como objetivo apoiar Unidades de Design na melhoria de suas práticas de gestão, beneficiando a qualidade dos serviços prestados à sociedade. Ele é realizado pela ABIPTI e pelo Sebrae e tem como parceiros o Instituto Paulista de Excelência de Gestão (IPEG), a Fundação Nacional da Qualidade (FNQ) e, os ministérios da Ciência e Tecnologia (MCT) e Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC).


Ecodesign: exposição em São Paulo

A Universidade Presbiteriana Mackenzie realizou, de 25 a 28 de outubro, a exposição ECODESIGN - Trabalhos com materiais recicláveis e reuso de embalagens de aço pós-consumo. O evento aconteceu no Espaço Cultural João Calvino, em São Paulo.


Design no Bom Dia Brasil

O jornal Bom Dia Brasil, da Rede Globo, exibiu no dia 26, na coluna Coisas do Gênero, a matéria intitulada: O Design acessível ao consumidor. "O que pode diferenciar um produto do outro, por exemplo, na hora da compra pode não ser o que ele faz, mas como ele se apresenta", diz a apresentadora Renata Vasconcellos na chamada. Com mais de cinco minutos de duração, a proposta da matéria foi a reflexão sobre marca, produto e a importância da imagem como diferencial, avalizada pelos designers entrevistados: Fred Gelli, Guto índio da Costa, Fernando Prado, Gabriel Patrocínio, Fernando Campana e Luiz Pedrazzi. Bom Dia Brasil vai ao ar de segunda à sexta-feira, às 7h15.

Para assistir ao vídeo acesse o link: gmc.globo.com.

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Calendário     

Novembro
Seminário de Resíduos


O Compromisso Empresarial para Reciclagem (Cempre) realiza, de 8 a 10 de novembro, no Expo Center Norte, em São Paulo, o Seminário de Resíduos - Recicle CEMPRE - reciclando nosso compromisso com a reciclagem.

O evento será composto pelos seguintes painéis: Política Nacional de Resíduos Sólidos; Responsabilidade Socioambiental - A relação comunidade-empresa nas políticas dos três R; Prefeituras; A contribuição das cooperativas de catadores; Inovação Tecnológica; A indústria de reciclagem e seus avanços; além da apresentação de cases. Confira aqui a programação completa.

Mais informações: (11) 3917-2878 e 0800-7701449 e rmai.eventos@uol.com.br.


Work Design - design social

A Universidade Estadual de Londrina promove, entre os dias 8 e 11 de novembro, o evento Work Design - Design Social. Fazem parte da programação a palestra "Design estratégico para a sustentabilidade: possíveis integrações entre a dimensão social e a ambiental", proferida pelo Prof. Dr. Carlo Vezzoli Manzini e ainda as oficinas do lazer e das idéias.

Informações e inscrições: (43) 3371-4479, www.uel.br/eventos/workdesign e ceca@uel.br.


Simpósio Senac de Materiais: Design e Identidade

Fomentar o questionamento acerca dos materiais como possíveis condicionadores nos projetos de Design é o objetivo do Simpósio Senac de Materiais: Design e Identidade. O evento será promovido nos dias 8 e 9 de novembro, pelo Centro Universitário Senac de São Paulo por intermédio dos cursos de Design Industrial, Moda e Comunicação Visual e dar-se-á no Centro de Convenções do Centro Universitário Senac - Campus Santo Amaro (Av. Eng. Eusébio Stevaux, 823 - São Paulo-SP).

A proposta é discutir as particularidades de materiais inovadores no cenário brasileiro e mundial. Serão discutidos temas como a sustentabilidade, a tecnologia e o tratamento das superfícies e como a possibilidade da construção de uma "identidade" pode surgir por meio da aplicação, transformação e adequação de materiais ao projeto de Design.

Mais informações: www1.sp.senac.br/hotsites/cas/designmateriais.


Mercado Floresta

 
De 5 a 8 de novembro, a Oca do Ibirapuera, em São Paulo, sediará a maior feira de produtos e serviços de base florestal já realizada, segundo a organização do evento. Trata-se do Mercado Floresta, cuja programação inclui palestras, workshops, mostras, academia gastronômica e rodadas de negócios.

Madeiras certificadas, gastronomia, design, artesanato, cosmética, móveis, decoração, tecidos e borracha serão alguns dos temas tratados no evento, promovido pela ONG Amigos da Terra - Amazônia Brasileira.

Mais informações: www.mercadofloresta.org.br. Tel.: (55-11) 3887-9369 - Fax: (55-11) 3884-2795 - E-mail: info@amazonia.org.br.


8º Encontro Nacional sobre Gestão Empresarial e Meio Ambiente

 
O evento acontece de 9 a 11 de novembro, no Rio de Janeiro, com o objetivo de promover o intercâmbio entre as empresas e o meio ambiente, com base nos princípios do desenvolvimento sustentável. O tema central é "Responsabilidade Socioambiental num Mundo Globalizado".

A promoção é da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo e da Escola Brasileira de Administração Pública e Empresas.

Informações: www.ebape.fgv.br/engema.


Encontro da Sociedade Brasileira de Economia Ecológica

O evento tem o apoio da ABIPTI e será realizado entre os dias 23 e 25 de novembro, em Brasília. A promoção é da Sociedade Brasileira de Economia Ecológica, a ECOECO, que escolheu como tema para a 6ª edição do encontro o "Meio Ambiente e Políticas Públicas".

A programação consta de apresentação de trabalhos, seminários, mesas-redondas, mini-cursos, assembléia dos sócios da ECOECO e dia de Campo.

As mesas de discussão abordarão os seguintes tópicos: Teoria Econômica e Meio Ambiente; Políticas Públicas e Instrumentos Econômicos para o Desenvolvimento Sustentável; Desenvolvimento Urbano e Meio Ambiente; Sustentabilidade de Biomas Ameaçados; Pobreza e Meio Ambiente.

A inscrição custa R$120,00 para não-sócio e R$80,00 para sócios.

Mais informações: ecoeco@eco.unicamp.br e www.ecoeco.org.br.


Dezembro
IV Assembléia Geral Internacional FSC


 
Organizado pela Secretaria Executiva do FSC Brasil, juntamente com o escritório da América Latina e do próprio Centro Internacional, o evento acontece de 4 a 11 de dezembro, em Manaus. A expectativa é que mais de 350 membros das câmaras sociais, ambientais e econômicas do FSC se reúnam para debater, trocar experiências e votar as moções que pautam a atuação da organização.

Mais informações: www.fsc.org.br.


II Conferência Nacional Infanto-Juvenil pelo Meio Ambiente

 
O evento acontece em Brasília, de 5 a 9 de dezembro, e vai abordar temas como: mudanças climáticas, biodiversidade, segurança alimentar e nutricional e diversidade étnico-racial, a partir de debates sobre acordos internacionais dos quais o Brasil é signatário.

A II Conferência Nacional Infanto-Juvenil pelo Meio Ambiente envolve um processo de mobilização e realização de Conferências nas Escolas e Comunidades em todo o País e contará com a presença de 700 delegados e delegadas de todos os Estados, além de observadores internacionais.

Mais informações: 0800-616161; conferenciainfanto@mec.gov.br e www.mec.gov.br/conferenciainfanto.


Conferência Nacional do Meio Ambiente

A Conferência Nacional do Meio Ambiente também será em Brasília, entre os dias 10 e 13 de dezembro, com o tema: "Política Ambiental Integrada e o Uso Sustentável dos Recursos Naturais", diretrizes do Ministério do Meio Ambiente.

O objetivo da conferência é construir um espaço de convergência social para a formulação de uma agenda nacional, por intermédio de mobilização, educação e ampliação da participação popular, com vistas ao estabelecimento de uma política de desenvolvimento sustentável para o País.

Participarão das discussões representantes da comunidade científica; povos indígenas; comunidades tradicionais e quilombolas; ONG's ambientalistas; movimentos sociais; sindicatos; setor empresarial; governos federal, estaduais e municipais; poderes legislativo e judiciário.

Informações: www.mma.gov.br/cnma/mma.


EcoDesign 2005: 4th International Symposium on Environmentally Conscious Design and Inverse Manufacturing

 
O evento acontece de 12 a 14 de dezembro de 2005, em Tóquio, Japão, e está sendo organizado pela Union of EcoDesigners (Association of EcoDesign Societies, Japan). Serão abordados os seguintes temas: EcoDesign of Social System [Special Theme]; Eco Life-style; Sustainable Businesses; Environmentally Conscious Products and Services; Sustainable Consumption and Recovery of Resource and Energy; Asia - EcoDesign in Asia (Special Theme).

Informações: www.ecodenet.com/ed2005.


Janeiro de 2006
Prêmio da Amazônia de Empreendedorismo Consciente


Lançado pelo Banco da Amazônia, o prêmio tem como objetivo incentivar projetos de ecossistemas de negócios, mobilizando o maior número possível de pessoas em todo o mundo na criação de soluções concretas e viáveis para o desenvolvimento econômico e social na região.

O prêmio está aberto a todos os interessados do Brasil e de outros países, independente da faixa etária ou ocupação. Os trabalhos devem ser inscritos individualmente até o dia 31 de janeiro de 2006.

O vencedor receberá US$ 100 mil, havendo prêmios extras para autores com até 30 anos, de 30 a 65 e acima de 65. Cada um receberá oito mil milhas de passagens aéreas para a região amazônica e 15 dias de hospedagem para duas pessoas.

Mais informações: www.bancoamazonia.com.br.


Abril de 2006
I Feira Latino-Americana de Produtos Certificados FSC


O FSC Brasil, em parceria com o Imaflora e o Imazon, lança a II Feira Brasil Certificado. O evento reunirá produtores brasileiros e da América Latina, formando a I Feira Latino-Americana de Produtos Certificados FSC.

O evento acontece de 18 a 20 de abril de 2006, no Frei Caneca Shopping e no Convention Center, em São Paulo. Serão 60 estandes de empresas e comunidades que trabalham com produtos certificados, fóruns e workshops de discussão.

Informações: www.brasilcertificado.com.br.


Agosto de 2006
P&D Design 2006 - Congresso Brasileiro de Design


O Congresso Brasileiro de Design, P&D Design 2006, está previsto para os dias 7, 8 e 9 de agosto de 2006 e acontecerá em Curitiba, no Paraná. O prazo para o envio de artigos vai até o dia 7 de dezembro de 2005 e o resultado sairá no dia 7 de julho de 2006. O P&D caracteriza-se pela amplitude dos temas discutidos, que envolvem três grandes áreas: Design Gráfico; Design de Produto e Fundamentos do Design.

Mais informações: www.design.ufpr.br/ped2006.

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