CONTEÚDO

Entrevista
Jacomo Botter

Matéria
Pouca chuva, muito couro
O sucesso do curtimento ao vegetal da comunidade da Ribeira, na Paraíba


Ecolink
resbrasil.com.br

Ensino&Extensão
ELISAVA - Escuela Superior de Diseño

Calendário
P&D Design 2004

9º Seminário Internacional de Alta Tecnologia

XIV Prêmio Brasileiro de Embalagem

Bienal Internacional de Design de Saint-Étienne


Notas
Fórum Permanente de Energia promove seminário sobre Ecodesign - I

Fórum Permanente de Energia promove seminário sobre Ecodesign - I I

Exposição apresenta trabalhos realizados em curso de Ecodesign

Prêmio Ambiental von Martius encerra inscrições

I Congresso Interamericano de Resíduos Sólidos

Comunidade Ecodesign net

 
Editorial     

Na décima quinta edição da Ecodesign-news, trouxemos para a seção Entrevista o designer Jacomo Botter, que é também professor, consultor, e grande conhecedor das questões referentes ao impacto ambiental e da importância do ecodesign nos processos industriais. Jacomo nos falou da disciplina acadêmica e cursos por ele desenvolvidos e a surpreendente receptividade dos participantes. Coloca-nos sua visão a respeito da postura das indústrias e da sociedade brasileira diante do tema e nos fala ainda sobre a tradução da ISO TR 14062, norma para a qual está contribuindo a convite da FIESP.

A preocupação na otimização dos processos mostra resultados efetivos não só na indústria como também nas atividades artesanais. Levamos o leitor à cidade de Cabaceiras, Paraíba, e mostramos como o curtimento vegetal do couro, forte atividade econômica na região, teve seu valor potencializado pela inserção e difusão de tecnologias e da capacitação de curtidores e artesãos. Etapas do curtimento que geravam danos ao meio ambiente foram revistas, além da preocupação com o florestamento e com a identidade regional dos produtos. Os resultados desse trabalho você lerá na matéria "Pouca chuva, muito couro".

No Ecolink do mês sugerimos a visita ao site da RES Brasil, uma empresa brasileira criada para atuar no licenciamento de materiais e tecnologias para fabricação de embalagens plásticas com características de degradabilidade, biodegradabilidade, compostabilidade e hidrossolubilidade.

Apresentamos em Ensino e Extensão o perfil do Elisava, centro situado em Barcelona, Espanha, que oferece curso de pós-graduação em Ecodesign. Em Calendário o leitor terá informações do P&D Design 2004, 9º Seminário Internacional de Alta Tecnologia, XIV Prêmio Brasileiro de Embalagem e Bienal Internacional de Design de Saint-Étienne. A sessão Notas merece atenção do leitor, pois está abrangente e traz informações relacionadas à energia e ambiente, cursos, prêmios e congressos realizados.

Uma boa leitura a todos.

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Entrevista     
 

Jacomo Botter
Designer responsável pela criação da disciplina 'Ecodesign e Análise do Ciclo de Vida do Produto' no curso de gestão Ambiental da Universidade Anhembi-Morumbi

O designer Jacomo Botter, 49 anos, é graduado pela UNG - Universidade de Guarulhos e pós-graduado pela TCP - Technische Computer Programme G.M.B.H., em Mülheim, Alemanha, em Design de Mobiliário por Computador.

Mas a sua forte atuação no sentido de pensar o ecodesign e criar estratégias para inserí-lo tanto nas universidades quanto em grandes instituições é a razão pela qual o escolhemos como entrevistado do mês. Jacomo também é sócio de um escritório, o DECDESIGN Projetos em Arquitetura, Design e Ecodesign e consultor.

Botter desenvolveu os cursos Ecodesign - Repensando o produto dentro da ótica do impacto ambiental, para o CSPD (Centro São Paulo Design) e SENAI (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial), cuja aplicação gerou a necessidade de outros três produtos: um módulo avançado em desenvolvimento conjunto com a Gerência de Tecnologia Industrial do SENAI - SP; o Ecodesign e Design de Interiores para o SENAC - SP e também a matéria Ecodesign e Análise do Ciclo de Vida do Produto para o curso de Gestão Ambiental da Universidade Anhembi - Morumbi.

Foi membro convidado da FIESP nas discussões da tradução da norma ISO TR 14062 - Gestão Ambiental - Integração de aspectos ambientais no desenvolvimento do produto.

Além disso, Jacomo Botter é um dos mais novos assinantes da Comunidade Ecodesig-Net.

Como se deu o seu interesse pelo ecodesign?
Acredito que foi durante a tese de graduação da faculdade de Desenho Industrial. Desenvolvemos um sanitário modulado que poderia ser utilizado em locais onde não haveria infra-estrutura de saneamento básico instalada e isso nos levou a uma série de questionamentos, tanto nas pesquisas dos elementos construtivos quanto à destinação dos dejetos. Isto foi no ano de 1979 e até hoje estes questionamentos me acompanham. Acho que esta é a função principal do designer: questionar. O Caio Fernando Abreu (escritor, já falecido) tinha uma frase interessante sobre isso: "Há algo errado com quem cria. É alguém que não está satisfeito com a realidade objetiva (...) e precisa recriá-la para poder viver, suportar o real". Instigar esta insatisfação é o objetivo destes nossos cursos de Criatividade e Ecodesign.

Em sua opinião, o Brasil está acompanhando outros países com relação à preocupação com o ecodesign? Quais são as evoluções e no que o País ainda está falho?
Estamos nos movimentando nesta direção. Acho o povo brasileiro altamente criativo. Que outro país no mundo dorme com uma moeda e acorda com outra sem que haja necessidade de uma intervenção enérgica para apaziguar os ânimos? Passamos por processos de mudanças drásticos mas somos capazes de assimilá-los de forma tal que, somente sendo criativos e maleáveis, estes processos se consolidam. Isso nada tem de passividade, e sim da necessidade de se readaptar à nova ordem, achar uma saída criativa. Não é possível dissociar ecodesign de criatividade. O designer que temos que ter como modelo daqui para frente não é aquele preocupado somente com o binômio forma-função e sim aquele que se comprometa com o que antecede a forma e o que advém do término da função do produto projetado. Claro que estamos distantes de países como a Alemanha, por exemplo, com forte tradição em reciclagem e reaproveitamento de matérias-primas. Mas a própria Alemanha sente hoje o peso do fator CUSTO neste processo. E esta variável deve ser considerada, e muito, dentro dos impactos de um produto. Tive um cliente que me pediu que desenvolvesse um mobiliário somente com madeira certificada e, apresentado o orçamento do custo do material, a idéia foi arquivada de imediato. O preço do pioneirismo é sempre alto e nem todos estão dispostos a pagar por isso.

Nota-se que o ecodesign, incentivado até por prêmios como o promovido pela Fiesp/Ciesp, está permeando o interesse de profissionais liberais. Mas seus critérios estão sendo inseridos nas grandes indústrias?
Esta questão tem dois aspectos, a meu ver. O primeiro deles é o papel de instituições como a FIESP neste processo. É estimulante saber que no setor de Meio Ambiente e Design da FIESP estão profissionais oriundos de órgãos ambientais, secretarias governamentais estaduais e do próprio IPT. São profissionais com uma visão ampla de todo processo da causa ambiental, que valorizam e, por isso mesmo, questionam onde, como e quais segmentos devem ser estimulados dentro das indústrias no aspecto ambiental. O prêmio Ecodesign é apenas uma destas ações.

O segundo aspecto é a parte que diz respeito às próprias indústrias. E neste particular uma onda já se desencadeou e, otimista que sou, acredito que seja uma marcha irrefreável. E isso graças apenas a um componente desta engrenagem: o consumidor. Temos hoje um consumidor mais exigente, mais atento e, principalmente, mais preparado para distinguir dentro do amplo leque de produtos que ele consome, aqueles que o beneficiem. Este é o grande diferencial hoje em estratégia de marketing: produtos que causem menos ou menores impactos ambientais serão mais bem recebidos pelo consumidor final. E a indústria está atenta a este novo consumidor.

Você é responsável pela criação da disciplina 'Ecodesign e Análise do Ciclo de Vida do Produto' no curso de gestão Ambiental da Universidade Anhembi-Morumbi. Como foi esse processo?
Foi uma feliz coincidência. Tínhamos acabado a tradução da norma ISO TR 14062 e eu fiquei preocupado com a sua aplicação, pois a norma é bem abrangente e muda bastante o conceito de design. Como acredito que tudo tenha que ter uma base, um início, nada melhor do que começar a divulgar este novo conceito junto a quem pode realmente aplicá-lo: egressos dos cursos de design e gestão ambiental. Submeti a ementa ao professor Nelson Bomtempi Jr, na época coordenador do curso, e a cadeira foi aceita.

Qual é a ementa da disciplina e em que se baseou para criá-la?
A disciplina desenvolve instrumentos de análise do ciclo de vida de maneira concisa, a partir do processo de desenvolvimento de um produto. Possibilita aos alunos a capacidade de diagnosticar onde se encontram os impactos ambientais em cada fase do processo de planejamento deste produto, do berço ao túmulo. Basicamente são estes os tópicos abordados em 40 horas/aula:
  • Introdução aos preceitos básicos de Análise de Ciclo de vida no planejamento do produto;

  • Introdução ao Ecodesign: histórico e conceito;

  • DES-Desenvolvimento Ecologicamente Sustentável - no projeto e desenvolvimento de produto.

  • Projeto de produto dentro da ótica da ACV.
  • A ementa foi baseada em um curso de ECODESIGN escrito originalmente para o CSPD (Centro São Paulo Design).

    Como analisa o impacto desse novo conhecimento na carreira futura desses alunos?
    De forma absolutamente salutar. O melhor resultado é a visão crítica dos produtos e seus processos produtivos. Acredito que quando você alia conhecimento teórico com a possibilidade prática de aplicação, a retenção deste conhecimento pelo aluno é muito maior. Acho interessante utilizar o design em cursos onde ele não é necessariamente o cerne da questão, mas um veículo para compreensão da sua totalidade (no caso, Gestão Ambiental). O mercado hoje exige profissionais com formação consistente, porém, criativo e maleável, receptivo a novos conceitos. Pode parecer um paradoxo, mas quanto mais normalizadas são as atividades, mais criativos temos que ser na aplicação destas mesmas normas. Nada melhor do que discutir estas aplicações no desenvolvimento de novos produtos.

    E como a disciplina tem sido recebida pelos estudantes?
    Na Anhembi-Morumbi especificamente ainda não posso dizer, pois a cadeira começa agora em outubro. Mas posso usar como exemplo a aplicação deste mesmo curso para técnicos de ensino e coordenadores do SENAI - SP, efetuado em 16 horas/aula e que foi altamente gratificante. Impressiona o conhecimento técnico deste pessoal. Os resultados foram tão bons que estamos formulando um módulo avançado para dar continuidade a este curso.

    Eles desenvolveram algum projeto?
    Neste curso a idéia era que tivéssemos técnicos dentro das especialidades envolvidas (Têxtil, Vestuário, Papel e Celulose, Plástico, Cerâmica, Calçado e Mobiliário) e, a partir dos conhecimentos técnicos de cada área, trabalharmos Criatividade e Ecodesign, entendendo aí todos os passos (Conceito, Matérias Primas, Técnicas de Produção, Sistemas de Distribuição e Logística, Redução de impactos nos usuários, Tempo de Vida Útil, Final de Vida e Descarte). Dentro destas análises, eles desenvolveram um produto onde os impactos ambientais foram reduzidos ou até mesmo eliminados. Dos seis projetos finais apresentados, quatro tem possibilidades de aplicação imediata - um resultado realmente impressionante - e isso se deve ao envolvimento dos alunos com o tema proposto.

    Ultimamente, vários cursos são oferecidos no Brasil tratando da ACV. Como você vê essa profusão? Em sua opinião o tema está sendo tratado com a devida responsabilidade?
    A ACV é um estudo novo, uma nova maneira de ver um produto final como um todo e isso é um processo complexo. As questões envolvidas variam de país a país e acredito que qualquer movimento no sentido de um entendimento maior deste processo o fortalece cada vez mais. Claro que isto esbarra em questões econômicas, onde cada país tenta defender seu ponto de vista ou sua opção. O grande legado que o uso da AVC (e de todas as outras normas da série ISO 14000) deixa ao ser aplicada, é consolidar o caminho para a sustentabilidade. Tudo converge para um novo produto com pouco ou nenhum impacto, ou seja, reduzir, reutilizar e reciclar. Portanto, altamente desafiador para aqueles que têm a função de criar estes produtos.

    Você foi membro convidado da FIESP nas discussões da tradução da norma ISO TR 14062 - Gestão Ambiental - Integração de aspectos ambientais no desenvolvimento do produto. Quais aspectos destacaria dessa discussão?
    A ISO TR 14062 é uma technical report, ou seja, um relatório onde se observa as condutas relevantes nos impactos ambientais no desenvolvimento do produto.

    O grande desafio agora é como fazer chegar os preceitos deste relatório a quem realmente possa aplicá-lo. E o caminho mais viável é investir na formação de estudantes, profissionais e industriais. Temos um parque industrial instalado no Brasil muito diversificado, não só em relação a áreas de atuação, mas também em tamanho, número de empregados, peças produzidas e valores gerados. Acho fundamental que estas indústrias, através de suas entidades representativas e associações, se mobilizem para discuti-la e aplicá-la em sua plenitude ou não. O mesmo dos formadores de designers, técnicos e mão-de-obra qualificada. O grande futuro do Ecodesign está nas mãos deste pessoal. Municiá-los de conhecimento e, mais do que nunca, de uma atitude crítica diante dos aspectos ambientais no desenvolvimento do produto, é uma tarefa instigante e muito desafiadora. É esse o compromisso que gostaria de ter com este pessoal.

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    Matéria     

    Pouca chuva, muito couro
    O sucesso do curtimento ao vegetal da comunidade da Ribeira, na Paraíba


    Curtimento vegetal do couro de bode a partir do tanino extraído da casca de angico é a receita do sucesso da localidade de Ribeira, na Paraíba. Vocação local, tecnologia, design e investimentos são os ingredientes.

    Apesar de sua área (407,2 Km2) e pouco mais de quatro mil habitantes, a cidade de Cabaceiras, no cariri paraibano, reúne características que a tornam grande não somente na fama, mas na capacidade de ostentar índices raros até para o contexto nordestino. É quase inacreditável o município ter, por exemplo, um dos menores índices pluviométricos no Brasil.

    Porém, os destaques são muitos. Cabaceiras foi uma das locações do filme O Auto da Compadecida (2000, direção de Guel Arraes); está em quinto lugar em índice de alfabetização no Estado, de acordo com o IBGE; em oitavo no IDH (Índice de Desenvolvimento Humano); possui cenários naturais que atraem principalmente turistas estrangeiros, como o Lajedo de Pai Mateus.

    Mas o grande trunfo da cidade é o investimento na caprinovinocultura (produção de bodes, cabras e ovelhas). Literalmente, em Cabaceiras o Bode é Rei (título de uma grande festa anual) e tem direito a uma escultura no centro da cidade.

    Do animal que se adapta bem às características climáticas da região, vem a matéria-prima que dá vida a maior fonte econômica da comunidade de Ribeira, distrito com cerca de 900 habitantes: o artesanato com couro caprino curtido ao vegetal.


    Foto: César de Cesário
     
    Lá, dezenas de famílias vivem da renda com o manejo do couro, o que envolve criadores, agricultores, curtidores, artesãos - alguns deles com mais de 40 anos de prática. Saem de suas mãos cerca de 80 modelos de artigos de montaria, indumentárias para vaqueiros, sandálias, botas, bolsas, bisacos, cintos e, mais recentemente, bijuterias e objetos de decoração. Até a década de 90 toda a produção era vendida em feiras livres e nas próprias casas/oficinas dos artistas.

    O curtimento com tanino extraído do angico é uma prática centenária, passada de geração a geração. Mas esbarrava em problemas que poderiam ser resolvidos a partir da inserção e difusão de tecnologias e da capacitação de curtidores e artesãos, entre outras intervenções.

    Para investir na possibilidade de abocanhar outras fatias dos mercados local, nacional e mesmo internacional somaram-se esforços dos poderes constituídos e a força da população local, que aderiu com entusiasmo aos projetos implantados na cidade. A estratégia atacou cada um dos gargalos identificados por inúmeros diagnósticos, entre eles, "O Estudo da Cadeia Produtiva do Artesanato em Couro Caprino no Município de Cabacerias-PB", defendida na Universidade Federal da Paraíba, por Dêlma de Aquino.

    Os problemas mais significativos apontados pelo estudo estavam nas etapas poluentes de curtimento; no extrativismo da casca do angico, que já provocava danos ao meio ambiente pela ausência do manejo adequado ou reposição da espécie por reflorestamento (estima-se que cerca de mil árvores eram abatidas por ano); na perda de grande quantidade de tanino no processo de extração (moagem em forrageira) e nas técnicas inadequadas de abate, esfola, conservação e beneficiamento das peles, que decorria em perda de produtividade, baixo valor agregado, odor desagradável, marcas e falhas no couro. Além disso, é nítida a perda gradativa de identidade nordestina na manufatura dos produtos.

    Para Dêlma, coordenadora do COMPET (Programa de Apoio a Modernização e Competitividade dos Setores Econômicos Tradicionais), do Governo do Estado da Paraíba, é importante ressaltar, no entanto, que os modelos tradicionais e os modernos convivem e são respeitados. "A vida rural do Nordeste está representada através da matéria-prima, adornos, costura, design e acabamento das peças".

    Mas algumas mudanças são inegáveis: o artesanato ganhou o impulso de máquinas, equipamentos e treinamento em diversas áreas e no lugar de práticas que significam desperdício e prejuízo, o curtimento passou a ser feito totalmente ao vegetal, passando pelas seguintes etapas: para tirar o pelo do couro é utilizada cinza de madeiras liberadas pelo Ibama. A extração do tanino da casca do angico, madeira típica da região, também protegida e hoje florestada, não passa por produtos químicos e usa somente a água. Depois de dez a doze dias embebidas na água tingida, as peles são engraxadas com óleo vegetal ou de mocotó e depois passam pela limpeza em amaciadeiras ou lixadeiras.

    Cooperativa de curtidores e artesãos: novos tempos
    Entre os projetos que revitalizaram a produção em Ribeira está a criação, em 1998, da Cooperativa dos Curtidores e Artesãos - ARTEZA Ltda., com os objetivos de prestar serviços aos membros; atuar na defesa de interesses sócio-econômicos e implantar melhorias nas condições técnicas e financeiras de trabalho.

    A ARTEZA tem 27 sócios ou 114 pessoas atuando na área, contando com as famílias, e outras 15 pessoas estão se preparando para se associarem ainda este ano. Ribeira abriga 12 pequenas oficinas e o mesmo número de curtumes, o que equivale a cerca de 150 pessoas trabalhando.

     
    Foto: César de Cesário
    A renda média de cada um varia entre R$ 400,00 e R$ 500,00. Além da injeção de capital, o artesanato diminuiu a migração dos cabaceirenses para grandes centros urbanos. Hoje, todos fazem questão de permanecer na cidade, investindo na educação dos filhos e movimentando a economia local. "O povo só quer luxar", brinca o diretor industrial da cooperativa, José Carlos de Castro, 48 anos. "Com o dinheiro, todo mundo arruma a casa e compra carro ou moto", completa.

    Em 1999, foi criada a Unidade Central da ARTEZA abrigando um centro de capacitação, formação de mão-de-obra e treinamento, um sistema compartilhado de máquinas e equipamentos de corte, costura, colagem e acabamento e onde também é comercializada parte da produção dos artesãos - muitos deles iniciam o trabalho em suas oficinas e finalizam os produtos na UC.

    Segundo José Carlos, a cooperativa é um marco no trabalho dos moradores de Ribeira. "De seis anos para cá tivemos uma elevação de 80% no volume negociado. Antes 500 peles eram curtidas por mês, hoje são três mil. E com relação ao artesanato, medimos pela qualidade e não pela quantidade".

    Com a modernização, processo em andamento, os resultados não tardaram a aparecer. Hoje, a marca da Ribeira já pode ser vista em várias partes do Brasil e shoppings.

    Outro marco dos novos tempos vividos pela manufatura do artesanato em couro caprino foi a intervenção do design. O resultado pode ser apreciado, segundo Dêlma de Aquino, na criação de novos modelos, adequação dos já disponíveis no mercado e transformações nas várias concepções de criação.

    A paixão pelo traço nordestino estampado no couro bem trabalhado atingiu a designer paraibana Fabrícia Cabral, consultora do Projeto Tecnologias de Gestão para Unidades de Design, implantado pela ABIPTI em parceria com o MCT e o SEBRAE.


    Foto: Clausen
    Ela criou luminárias, utilitários e mobiliários mesclando couro, madeira e metal com o "saber fazer" do artesão da Ribeira. Os produtos foram expostos em novembro de 2003, na Embaixada dos Países Baixos, em Brasília, e novas peças estão sendo criadas para uma exposição na Embaixada da Espanha, em outubro. "Trabalhar a cultura, o savoir faire do artesão cabaceirense é um estimulo à criação. O resultado surpreende pelo acabamento e pela estética do couro caprino curtido ao natural. São peças que retratam uma das várias expressões da diversidade cultural brasileira. Possuem sutileza e delicadeza nos detalhes", afirma.

    Para quem vê o fruto do seu trabalho manual ir tão longe, sentir orgulho ainda é pouco. É assim que se sente Josefa Claudiene de Farias, 29 anos. Para ela, que aos oito anos já ajudava o pai a pontear o couro, a criação da cooperativa representou 100% de melhoria para o trabalho dos artesãos. "Antes tudo era mais difícil e o trabalho todo manual. Eu fazia vestimenta de vaqueiro e agora faço bolsas, cintos, bijuterias. Fiz todos os cursos que pude participar", comemora.

    Para que os avanços continuem é preciso um maior número de equipamentos e máquinas, segundo José Carlos, da ARTEZA. "Nós estamos correndo atrás e já temos um projeto aprovado para adquiri-las. Também precisamos promover mais cursos. Já está faltando mão-de-obra e por causa disso não temos condições de cumprir o prazo de algumas encomendas".

    A grande expectativa dele é conseguir o Selo Verde para as peles e melhorar o acabamento dos produtos artesanais abrindo, assim, os caminhos da exportação. "Já participamos de eventos internacionais e somos muito bem aceitos lá fora. Também somos bastante conhecidos no Brasil", afirma.

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    Ecolink     

    resbrasil.com.br

     
    A RES Brasil é uma empresa brasileira criada para atuar no licenciamento de empresas nacionais, possibilitando o uso de materiais e tecnologias para fabricação de embalagens plásticas com características de degradabilidade, biodegradabilidade, compostabilidade e hidrossolubilidade.

    A empresa atua em parceria com a RES S.A. (Reliable Ecological Solutions), sediada em Luxemburgo e conta com a participação de universidades européias, licenciando com exclusividade materiais para produção industrial.

    O site disponibiliza as informações com clareza e organização. No link 'Release' é possível ler um texto abrangente e elucidativo a respeito dos processos do plástico biodegradável - a sugestão é de que seja o primeiro a ser acessado no site.

    Na área relacionada a serviços, estão detalhes sobre as áreas de atuação da empresa: licenciamento de materiais exclusivos para produção; assessoria e acompanhamento do processo de fabricação; controle de qualidade e de produção; licenciamento para uso de marcas; acompanhamento para obtenção de laudos internacionais. No mesmo espaço é possível entender a diferença entre as três bases de materiais: biopolímeros (derivados de amido), aditivos e polímeros hidrossolúveis (geralmente derivados de álcool polivinílico).

    O internauta tem acesso, também, a links para as vinte e três empresas licenciadas, além de uma seção designada News, com um apanhado de notícias relacionadas a campanhas ecológicas, plásticos verdes e temas correlatos.

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    Ensino & Extensão     

    ELISAVA - Escuela Superior de Diseño

    Criada em 1961 e situada em Barcelona, Espanha, ELISAVA é um centro docente situado na Universidad Pompeu Fabra (UPF). A escola se apresenta como uma "linha inovadora, criativa, pluridisciplinar e dinâmica de formação, investigação e colaboração com o mundo empresarial, institucional e universitário".

     
    A ELISAVA oferece Pós-graduação em Ecodesign - Melhoria Ambiental de Produtos e Processos. Segundo o programa disponível no site da escola, vários foram os fatores que justificaram a criação do curso:

  • Novo enfoque da política ambiental européia (Política Integrada de Produtos - IPP): requer que sejam incorporados critérios ambientais na análise daqueles profissionais do campo de design, engenharia e meio ambiente, que precisam tomar decisões sobre produtos e processos;

  • Falta de profissionais experts na prevenção e melhoria ambiental de produtos e processos, junto com a crescente demanda dos consumidores por produtos que respeitem o meio ambiente;

  • O incremento da "compra verde" por parte das administrações públicas;

  • Pressão das empresas para que seus fornecedores realizem melhorias ambientais associadas aos seus produtos.


  • Sendo assim, são os objetivos do diploma de Pós-Graduação:

  • Assimilar uma cultura globalizadora dos problemas ambientais associados aos produtos e processos;

  • Contextualizar os mecanismos de prevenção e melhoria ambiental à nova Política Ambiental de Produtos da União Européia.


  • O curso começa dia 18 de outubro e as inscrições podem ser feitas até o dia 3. Para outros cursos que iniciem no mês de março, as inscrições podem ser feitas até dia 15 de dezembro.

    Para obter mais informações pode-se recorrer ao Serviço de Informação e Coordenação de Atividades Docentes - SICAD.

    Contatos:
    ELISAVA - Placa de la Mercê, Carrer Ample, 11-13, 08002, Barcelona, Espanha.
    Telefone: 00 34 93 317 47 15
    Fax: 00 34 93 317 83 53
    www.elisava.es
    E-mail: elisava@elisava.es

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    Calendário     

    Outubro
    P&D Design 2004


    O 6º Congresso Brasileiro de Pesquisa e Desenvolvimento em Design, P&D Design, organizado pela Faculdade de Artes Plásticas da Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP) em parceria com a Associação de Ensino/Pesquisa de Nível Superior em Design do Brasil, ocorre de 13 a 16 de outubro, em São Paulo.

    A programação inclui minicursos, a apresentação de trabalhos na forma de artigos ou pôsteres e palestras de convidados de outros países, como Maria Fernanda Camacho (Colômbia), Andrew Campbell e Penny Sparke (Inglaterra), Tony Fry (Austrália), Ellen Lupton (EUA), Alpay Er (Turquia) e Sílvia Pizzocaro (Itália).

    Os temas abordados serão ecodesign, design têxtil, gestão em design, ergonomia, comunicação, design digital e multimeios.

    Informações: www.faap.br/ped2004.


    9º Seminário Internacional de Alta Tecnologia

    O seminário acontece no dia 14 de outubro, no Teatro UNIMEP (Rod. Do Açúcar, Km 156 - Piracicaba/SP), com o tema Inovações Tecnológicas no Desenvolvimento do Produto. O evento vai tratar sobre Inovação e Gerenciamento do Ciclo de Vida no Desenvolvimento do Produto. As palestras vão abordar:
  • Gerenciamento do ciclo de vida do produto;

  • Sistemas computacionais de gerenciamento do produto;

  • Envolvimento antecipado de fornecedores;

  • Inovações na engenharia de produto da indústria automobilística;

  • Integração de protótipos físico e digital;

  • Integração e gestão da cadeia CAx;

  • Comunicação como fator de sucesso no desenvolvimento do produto;

  • Engenharia colaborativa "following the sun".
  • Os certificados serão emitidos pela Universidade Metodista de Piracicaba - Faculdade de Engenharia, Arquitetura e Urbanismo.

    Informações: www.unimep.br/scpm/seminario, e-mail: labscpm@unimep.br.


    XIV Prêmio Brasileiro de Embalagem

    A premiação, realizada desde 1992 pela Revista Embanews e Novaeditoria Ltda. com o objetivo de acompanhar as inovações propostas pelas empresas do ramo de embalagens, traz na versão 2004 as categorias tradicionais: Design, Marketing, Tecnologia & Qualidade, Máquinas, Equipamentos E Sistemas, Pesquisa E Destaque. Além dessas, duas novas sub-categorias foram criadas: Técnica para preservação ecológica e Pesquisa de estudantes.

    Podem concorrer fabricantes de embalagens ou produtores de máquinas, processos e tecnologia de acondicionamento, acessórios, ferramentas, matérias-primas, designers e profissionais de marketing.

    As inscrições ficam abertas até 30 de outubro.

    Informações: www.embanewsonline.com.br.


    Novembro
    Bienal Internacional de Design de Saint-Étienne


    A tradicional Bienal Internacional de Design de Saint-Étienne acontece de 06 a 14 de novembro no Parc des Expositions, em St. Étienne, França. Além de exposição, o evento é um espaço para encontros e debates que abordam temas como a interatividade entre os objetos e a civilização em todos os campos, incluindo móveis, moda, design urbano, ferramentas, materiais e transportes.

    Todos os envolvidos na área do design estão convidados a participar (designers, agências, editoras, revistas, centros de design, empresas, galerias). As escolas de Design têm a alternativa de participar com trabalhos dentro do tema "Coffee and Cafés" ou com trabalhos do próprio departamento. Cerca de 3,5 mil euros serão distribuídos na premiação dos projetos.

    Informações: www.artschool-st-etienne.com.

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    Notas     

    Fórum Permanente de Energia promove seminário sobre Ecodesign - I

    O Fórum Permanente de Energia realizou dia 15/09, no Auditório da Biblioteca Central da Unicamp, o quarto seminário da série Energia e Ambiente, abordando o tema Ecodesign. O evento foi organizado pelas Faculdade de Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo (FEC) e Faculdade de Engenharia Mecânica (FEM). De acordo com os organizadores: "a perspectiva da sustentabilidade sócio-ambiental para os sistemas urbano-industriais pressupõe que estes considerem a multiplicidade de formas e inter-relações dos ecossistemas, bem como a ciclagem de seus materiais e fluxo energético eficiente".

    As palestras e painéis foram: O Ecodesign na Política de Ciência e Tecnologia; Ecodesign e a Indústria; Ecodesign e os Resíduos; Ecodesign e o Ciclo de Vida dos Materiais.

    O Fórum Permanente de Energia tem a participação de diversas unidades da Unicamp.


    Fórum Permanente de Energia promove seminário sobre Ecodesign - II

    Durante o evento o secretário nacional de tecnologia do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), Francelino Lamy de Miranda Grando, ressaltou o interesse que o ecodesign desperta no governo federal.

    Segundo Grando, na política nacional do MCT o assunto tem ramificações que se constituem foco de constante preocupação dos setores estratégicos da política industrial, sendo quatro as principais: maquinários e equipamentos, fármacos e medicamentos, software e microeletrônica. "É preciso mais ação do governo que da sociedade", afirmou.

    O secretário discorreu, ainda, acerca do banco de dados sobre Ciclo de Vida que está sendo criado para unificar as informações nacionais. "Isso é planejamento. O ecodesign está presente em tudo. Abrange a engenharia, a ciência, a tecnologia, as certificações e as aplicações racionais", disse.

    Fonte: Portal Unicamp in Ambiente Brasil.


    Exposição apresenta trabalhos realizados em curso de Ecodesign

    O Centro de Comunicação e Artes do Senac, na Lapa, em São Paulo, sediou de 2 a 11 de setembro, a exposição Recicle-se (r), com os trabalhos resultantes do curso de Ecodesign: produto, projetos experimentais e embalagens com consciência ecológica, social e sustentável.


    Prêmio Ambiental von Martius encerra inscrições

    A Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Alemanha de São Paulo, por meio do Departamento de Meio Ambiente, realiza a Edição 2004 do Prêmio Ambiental von Martius, para reconhecer o mérito de iniciativas de empresas, do poder público, de indivíduos e da sociedade civil que promovam o desenvolvimento econômico, social e cultural com respeito ambiental. As inscrições foram encerradas no dia 24 de Setembro e a entrega dos troféus será em novembro, em São Paulo.

    O prêmio anual foi instituído para transmitir uma mensagem sobre responsabilidade ecológica para o mundo, através da valorização de três importantes áreas de ação: Humanidade, Tecnologia e Natureza.

    As inscrições foram abertas a empresas, organizações não-governamentais, cidadãos individualmente e instituições do Poder Público, associadas ou não à Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Alemanha.

    Os projetos serão avaliados por uma Comissão Julgadora e os melhores trabalhos em cada uma das três categorias receberão um troféu e um diploma.


    I Congresso Interamericano de Resíduos Sólidos

    O I Congresso Interamericano de Resíduos Sólidos - Políticas e Tecnologias para Redução na Geração, aconteceu entre os dias 16 e 18 de setembro, no Centro de Eventos do Hotel Plaza São Rafael, em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul.

    Segundo os organizadores, o evento foi uma oportunidade de refletir sobre os processos produtivos utilizados na sociedade, buscando alternativas de redução na geração de resíduos sólidos.

    O congresso foi promovido pela Associación Interamericana de Ingeniería Sanitaria y Ambiental, pela DIRSA (División de Recursos Sólidos) e pela ABES-RS (Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental).

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