![]() |
||||||||||||||||||||||||||
Essa edição foi presenteada com a participação de Alvaro Abreu, cuja vida de engenheiro mecânico e mestre em produção, transfigurou-se em design-poesia. Sua prestigiada sensibilidade em lidar com o bambu é reflexo da releitura de sua vida, da lucidez quase oriental dos pormenores, das possibilidades que exorcizaram as necessidades. Uma entrevista para ler e guardar na "arca de mistérios" de cada um. Trazemos também a matéria com o professor da Universidade de Brasília Floriano Pastore Júnior, que resgata o trabalho de seringueiros da Amazônia. Eles produzem borracha livre de impurezas e mau-cheiro, descartando-se com isso o processo de beneficiamento nas usinas, além de evitar as grandes massas de gases poluentes. Essa conquista foi obtida por intermédio do projeto Tecnologia para Produção de Borracha e Artefatos na Amazônia (TECBOR), que tem recolocado no mercado de trabalho centenas de famílias. Nossa sugestão de ecolink, contribuição de uma leitora e membro da Ecodesign-Net, é a Rete di Laboratori di Requisiti Ambientali dei Prodotti Industriali. Trata-se de uma rede de laboratórios existentes em diversas universidades e faculdades italianas, voltada para a inserção de requisitos ambientais nos produtos. Na seção Ensino e Extensão, informamos que a ABIPTI, em parceria com o Centro de Desenvolvimento Sustentável (CDS) da Universidade de Brasília, realizará o curso "ISO 14040: A Metodologia da Avaliação do Ciclo de Vida - Conceitos e Aplicações". O objetivo é capacitar as pessoas (inclusive designers), na utilização da ferramenta de avaliação de impacto ambiental do setor produtivo, a chamada Avaliação do Ciclo de Vida - ACV. Além desse curso voltamos a divulgar a Pós-graduação em Ecodesign, oferecida pela Universidade Veiga de Almeida - UVA / RJ e coordenada pela professora Leila Lemgruber Queiroz. O Calendário do mês está abrangente. Disponibilizamos informações sobre o Prêmio UNESCO de Artesanato para a América Latina e o Caribe 2004; a tradicional Bienal Internacional de Design de Saint-Étienne e o 6º Congresso Brasileiro de Pesquisa e Desenvolvimento em Design, P&D Design. Além desses eventos, destacamos o Seminário "A Propriedade Intelectual como Fator de Estratégia Comercial" e o Projeto de Inovação da Indústria Moveleira. Boa leitura a todos e até o próximo mês. voltar Alvaro Abreu 'Fazedor' de colheres de bambu
Dirige uma empresa que distribui um software de programação da produção industrial para toda a América do Sul. Mas sua presença como o entrevistado do mês na Ecodesign-News deve-se a outra razão. Apesar de não ser designer, atualmente dedica-se a uma atividade que chama a atenção de designers de todo o mundo e que pode ser definida com suas próprias palavras: "Embora tenha gostado de receber de um designer amigo a designação de 'designer tardio', eu prefiro me considerar como um competente fazedor de colheres de bambu". O ofício de "fazedor de colher" surgiu há cerca de dez anos como resposta a uma mudança de vida. Abreu sofreu um infarto, precisou aquietar-se e, com ferramentas em punho, retomou o bambu que conhecera nas pipas, gaiolas e varas de pescar da infância. A princípio, era apenas uma terapia ocupacional que intercalava com os escritos do que mais tarde se transformou no livro Crônicas do Meu Primeiro Infarto. Hoje, mais de mil colheres depois (presenteadas, comidas por insetos ou guardadas em caixas), Alvaro mantém, diariamente, a rotina de burilar pedaços de bambu e transformá-los em colheres sem nenhuma imperfeição, onde a cor e a textura da matéria-prima ditem sua forma. "Gosto de começar o dia diante da minha pequena bancada de trabalho, organizando as ferramentas, limpando as lascas do dia anterior e escolhendo o pedaço de bambu que vou levar para a minha caminhada na praia. Gosto de pensar que é um belo atelier ao ar livre", afirma. Nos finais de semana, quase todo o tempo é dedicado aos pequenos objetos. O prazer, segundo ele, é buscar a perfeição, encontrar uma forma qualquer a partir de um simples pedaço de bambu. O objetivo? receber elogios, coisa que revela sem nenhum pudor. A sua obra não é vendida. "Não há espaço para que um suposto valor comercial interfira no processo de criação. Essa foi a maneira que encontrei para garantir o meu completo livre arbítrio", explica. Alvaro realiza oficinas e exposições no Brasil e fora dele. Em 2002 recebeu como presente de aniversário de Rafael, o mais velho dos cinco filhos, o site www.bambuzau.com.br no qual conta, com leveza, sua relação com o bambu. Vale a pena acessá-lo para conhecer um pouco mais sobre o poeta-artesão. É comum que as pessoas mudem completamente o foco da sua vida depois de passar por momentos difíceis ou problemas de saúde. Com você foi exatamente assim? Como seria esse "antes e depois"? Com certeza. Acho que todos deveriam ter o direito de passar por momentos difíceis. Digo "direito" porque entendo como uma experiência positiva, que nos ajuda a rever conceitos e a avaliar melhor o peso das coisas da vida. Não nos ensinaram o direito ao ócio, à contemplação, às conversas na varanda. Somos sempre compelidos a produzir cada vez mais, a disputar e vencer, a acumular ou consumir o que nem sempre é necessário. Vivem nos dizendo para fazer tudo para garantir um lugar ao sol, mas raramente alguém nos estimula a encontrar um bom lugar à sombra e aproveitar a fresca. Descobri que preparei com muita competência o meu próprio infarto: três maços de cigarros por dia, 12 horas de trabalho diário, sedentarismo total, comidas gordurosas em profusão, além de muita tensão, ansiedade e irritação. Exatamente tudo aquilo que qualquer coronária detesta. Com o tranco que sofri, deliberei que assumiria o controle da minha própria vida, que aproveitaria todo o tempo disponível para fazer somente o que me parecesse prazeroso. O direito de fazer colheres de bambu durante dias inteiros surgiu exatamente daí. Achei que fazer colher seria uma ótima forma de aproveitar o tempo de vida que me restava. Há quem não entenda isso até hoje, talvez porque ainda não tenha tido a oportunidade de passar por um bom aperto. A estas pessoas recomendo pequenos infartos 'reparadores'. Você sabe que suas peças despertam sonhos e emoções nas pessoas. Qual a receita para se conseguir isso? Não acredito que exista uma boa receita para despertar emoções e sonhos em alguém, com simples peças de bambu. O que posso imaginar é que algumas pessoas se identificam fortemente com o que faço. Sempre tive curiosidade em saber porque o contato com a forma de uma colher e a textura do bambu produz um estado de alma que faz alguém sorrir de satisfação e se emocionar. Diferente das facas e das armas, as colheres despertam sonhos gentis e amistosos. Você expõe suas colheres, ministra workshops, presenteia amigos com sua arte - mas não a comercializa. Por qual razão e o que mudaria se vendesse os frutos desse trabalho? Depois de quase dez anos, sinto-me convicto e inteiramente recompensado por ter agido dessa forma. Embora as colheres possam ter algum tipo de mérito, elas não têm preço. As pessoas podem gostar ou não de cada uma delas, mas não podem dizer que sejam caras ou baratas. Estou extremamente feliz com isso e não tenho motivos para mudar. Você desenvolveu um roteiro para os seus cursos? Para ensinar, um bom método ajuda bastante. Um roteiro oferece lógica e seqüência ao aprendizado, sobretudo quando se sabe o que se pretende fazer. Exceto em situações especiais, nunca pré-determino o que vou fazer. Acredito que desenvolvi uma curiosa capacidade de não pretender determinar o resultado final. Assim, mesmo a partir da escolha do pedaço de bambu, adoto um processo de trabalho inteiramente conduzido de forma espontânea e interativa, totalmente em desacordo com a minha prática profissional. Descobri que o meu trabalho pode ser decomposto em duas atividades independentes e complementares: a de identificar as imperfeições e a de tentar retirar os defeitos que tenha encontrado. Nesse vaivém, as lascas de bambu vão sendo retiradas aos poucos e sob rigoroso controle, possibilitando que a forma vá surgindo e se aprimorando gradativamente, com a sucessão de avaliações e correções. Qual o seu próprio roteiro, ou seja, seu processo de criação? Onde gosta de trabalhar?
Descobri que adoro receber elogios pelas colheres que faço e acredito que isso se constitua, ao lado do imenso prazer de trabalhar com as mãos, no principal fator de motivação que me faz continuar trabalhando. No fundo, não seria errado pensar que eu trabalho para receber elogios, ou que eu procuro fazer por merecê-los. Acho que essa atitude deveria ser ensinada nas escolas e nos cursos para empreendedores. E quais os seus instrumentos preferidos? Adotei, como opção radical, o uso de ferramentas simples. Acho que isso garante o prazer adicional de trabalhar sob desafio permanente. Tenho grande estima por minhas ferramentas, sobretudo por uma foicinha que trouxe da Paraíba, com a qual faço o serviço pesado de desbaste do bambu. Gosto de pensar que cada ferramenta foi criada e desenvolvida por alguém que se viu diante de uma dificuldade bem determinada. Eu mesmo inventei uma delas: uma lixadeira em formato de tubo, feita a partir de uma folha de lixa enrolada junto com um pedaço de borracha usada em sola de sapato. Ela é extremamente versátil e prática, dado que posso trocar de lixa ou alterar o diâmetro do tubo em questão de segundos. Tenho duas, sendo que uma delas incorpora um pedaço de bambu no seu interior, para torná-lo rígido. Nesse processo de busca permanente pelo resultado elogiável, não costumo poupar tempo, nem trabalho. Divirto-me em saber se consigo gerar uma superfície perfeita ou uma curva harmoniosa apenas com a ajuda de uma das minhas faquinhas. É muito prazeroso trabalhar no limite da nossa habilidade e da nossa paciência. O bambu, por suas características físicas, oferece dificuldades adicionais ao processo. Ao mesmo tempo em que oferece beleza peculiar, as fibras e os nós delimitam as formas e restringem a liberdade de criação. Cada pedaço de bambu é um desafio único. Você conta que guarda suas peças em caixas. O que isso significa? Na verdade, as colheres são tantas que precisam ser guardadas em algum lugar. Confesso que não gosto de vê-las espalhadas pela casa ou expostas como objeto de decoração. Na medida em que ficam prontas, elas vão sendo armazenadas em uma pequena mesa de canto na sala de televisão, ao lado da minha bancada. Dali, para dentro de uma caixa é questão de tempo. Quando alguém pede para vê-las, abro as caixas com muita satisfação, como se fosse uma arca cheia de mistérios e coisas antigas. Eu mesmo me espanto com a quantidade. Você se considera um designer e insere no seu trabalho preocupações ambientais, dentro dos critérios do ecodesign, por exemplo?
Acho que o designer busca de modo racional e criativo a forma que melhor atenda a demandas e requisitos previamente definidos. Ele sabe o que quer, embora nem sempre consiga atingir pleno sucesso no que pretendeu fazer. De qualquer modo, acho que o colhereiro e o designer têm muitas coisas em comum, sobretudo no que diz respeito à necessidade de conhecer os materiais, dominar os processos de produção, considerar as funcionalidades etc., bem como saber dosar o uso da criatividade e do bom senso. Mas o design de suas peças causa impacto. Isso é consciente? Pensando bem, quando trabalho para atender a um pedido específico, acabo atuando como se fosse um designer. No momento estou fazendo uma colher para uma amiga, que é uma grande cozinheira profissional e estou tentando fazer o melhor que posso para agradá-la. Tenho muita satisfação em constatar que o meu trabalho estimula as pessoas a prestar atenção no bambu, material ainda muito pouco explorado aqui no Brasil. Acho que isso ajuda de alguma forma a perceber o valor de algo que até então passava desapercebido. Hoje é cada vez mais comum alguém me dizer que viu uma touceira enorme na estrada ou em fazenda de parente. Muita gente promete trazer um pedaço de bambu do sítio. Acho que estou ficando com cara de bambu. Como sente a reação das pessoas ao seu trabalho? Constatei que cada pessoa se relaciona de forma diferente com as peças que faço. O diretor do Museu de Design de Munique, ao justificar o interesse em incorporar uma placa com 52 peças que estavam expostas na EXEMPLA de 2002, em Munique, declarou que as minhas colheres fazem pensar. A idéia dele era que as colheres ficassem expostas ao lado da coleção de jóias do Museu, como contraponto para ressaltar o valor do design. Sou forçado a concordar com ele dado que, diferentemente dos metais e pedras preciosas, o bambu em si não tem valor comercial. Sendo assim, pode-se acreditar que o mérito das minhas colheres esteja integralmente concentrado na forma. E quais os desdobramentos desse trabalho que considera mais importantes ou especiais? Os desdobramentos são os melhores possíveis. Basta lembrar que as minhas colheres têm me levado para muitos lugares diferentes, inclusive fora do Brasil. Por conta delas, as pessoas vêm falar comigo munidas das melhores emoções, achando graça e interessante que alguém possa se dedicar por tanto tempo e, com tanto afinco, a produzir colheres de bambu, para guardar ou dar de presente. Posso assegurar que existe uma enorme fila de pessoas amigas esperando que eu faça uma colher especialmente para elas. Além disso, estou certo que o trabalho com as mãos e a descoberta de uma forma interessante contribuíram para aprimorar a pessoa que era. Tudo isso é muito gratificante. voltar Pronta para o consumo Tecnologia desenvolvida por professor da Universidade de Brasília resgata o trabalho de seringueiros da Amazônia. Eles produzem borracha natural, de alta qualidade e valor agregado
Qualquer projeto que busque resgatar a auto-estima deles vai, na verdade, ajudar a manter uma parte da história não somente da Amazônia, mas do Brasil. Essa é a opinião do professor Floriano Pastore Júnior, da Universidade de Brasília (UnB). "A nossa visão é de que o seringueiro é o guardião da floresta. Ele tem uma história de 250 anos que começou quando tudo era inóspito. Perdemos cultura, conhecimento e história quando ignoramos o valor dos seringueiros", afirma. O professor é idealizador do projeto Tecnologia para Produção de Borracha e Artefatos na Amazônia (TECBOR), que tem recolocado no mercado de trabalho centenas de famílias que viviam da seringa. A pesquisa que muda a forma de processamento do látex teve início em 97, sendo que em 99 era aplicada em teste-piloto. O resultado foi tão positivo que, em 2001, o trabalho foi finalista do Prêmio Fundação Banco do Brasil de Tecnologia Social. "Não conhecíamos o conceito de Tecnologia Social, até então. Na época, recebemos uma certificação. Agora, a Fundação veio para bancar junto e nos apoiar". O apoio da Fundação incentivou o surgimento de mais um parceiro, a Cobra Tecnologia, que vai adotar uma comunidade e receber dela 30 mil mousepads por ano para presentear os clientes. Outro parceiro importante é o Centro Nacional de Populações Tradicionais e Desenvolvimento Sustentável (CNPT/Ibama). "O Ibama é o proprietário das reservas extrativistas. Sem ele, não se consegue entrar nelas", explica Pastore. O processo Professor do Departamento de Química da Universidade de Brasília (UnB), Pastore realiza no Laboratório de Tecnologia Química (LATEQ/IQ), pesquisas e estudos, além de catalogar produtos não-madeireiros da Amazônia (breus, resinas, borrachas, látex, produtos botânicos, comestíveis e outros). Ele explica que tais estudos implicam na atenção a três áreas de trabalho: sócio-econômica; conhecimento técnico-científico; desenvolvimento e difusão tecnológicos. Antes de fazer parte da UnB, Pastore morou na Amazônia, onde tinha uma fábrica de luvas domésticas e cirúrgicas. Foi esse contato com o látex e sua experiência no laboratório do Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal (IBDF) que chamou sua atenção para o extrativismo da borracha na região. Ele explica o processo convencional de colheita do látex e o processamento da borracha para justificar como chegou à TECBOR. "Há uma divisão de trabalho exagerada. Primeiro colhe-se o látex em uma tigela e faz-se o apodrecimento normal - o coalho é por apodrecimento - o que gera um mau-cheiro insuportável. As impurezas iniciais permanecem, para depois a borracha ser triturada e moída inúmeras vezes e então ser lavada, seca e reconstituída. Esse processo consome muita água e energia e ainda corta as ligações da borracha, diminuindo sua qualidade. Além do mais, lá as usinas são uma lástima em termos de tecnologia. É como se você fosse fazer um hambúrguer e seu boi não estivesse legal ou então a carne estivesse podre e você tivesse que fazer um trabalho de purificação depois. Aquilo não estava certo", conclui.
Para formá-las, o látex é coagulado com líquido pirolenhoso. A massa branca e macia que se forma é passada em cilindros, formando mantas finas que secam naturalmente. "Obtém-se, então, uma borracha de altíssima qualidade, sem impureza, sem mau-cheiro, já que no processo convencional a borracha é coagulada pela ação de bactérias", explicam a engenheira florestal Ione Rêgo e a técnica de pesquisa Vanda de Souza. A partir do processo de produção da FDL foi possível criar um novo produto, a folha semi-artefato. Ela é feita pela adição de agentes vulcanizadores ao látex, ainda antes da preparação da folha. Depois de seca é aquecida e passa a ser um artefato pronto para se transformar em objetos planos como tapetes, jogos americanos e mousepads.
No entanto, a lista de espera é grande já que cada produtor recebe gratuitamente um kit com instrumentos como calandra (cilindro adaptado para a produção de borracha), bandejas de coagulação e de lavagem, provetas, espátulas, colheres, baldes e os recursos necessários para a construção de um galpão, chamado de UPS (Unidade de Produção e Secagem). A UPS pode ser unitária ou comunitária. Nesse caso, serve a três famílias, no máximo. Cada kit custa ao projeto R$ 2,5 mil. A utilidade na indústria Agregadas, as mantas de FDL formam fardos menores que interessam ao mercado por prescindirem do corte antes do processamento, além de absorverem com mais facilidade as misturas vulcanizantes que garantem sua estabilidade. O preço, a FDL custa R$ 3 e a semi-artefato R$ 4,5, o quilo, é superior ao da borracha no processo convencional, mas vale a pena. Uma empresa do Sul, por exemplo, fez todos os testes de controle de qualidade da TECBOR e com os resultados satisfatórios, tornou-se uma das principais compradoras da borracha. A comercialização dos produtos é feita pelas próprias associações e, raramente, passam pelo LATEQ. "Às vezes eles nos ligam,dizem a quantidade que têm e perguntam se temos compradores", explica Vanda. Os recursos também não voltam ao laboratório que desenvolve o seu trabalho com a ajuda dos parceiros. A produção ainda está aquém da demanda identificada, mas o LATEQ tem metas que implicam na necessidade de aumentar o número de famílias participantes sem, no entanto, representar a degradação do meio ambiente. Para os seringueiros, a venda direta da borracha, sem passar pelos atravessadores, representa a possibilidade de melhoria na qualidade de vida. Vivendo da caça, pesca e agricultura de subsistência, eles passam a ter poder aquisitivo para comprar remédios, roupas, comida e promover melhoramentos na sua moradia. As mulheres também passaram a ter uma importância diferente na família. A elas geralmente cabe o processo de beneficiamento, enquanto os homens ficam com a colheita do látex. A presença feminina garante um trabalho mais minucioso ou detalhista. "Elas são mais caprichosas e cuidadosas", afirma Vanda de Souza. voltar Rete di Laboratori di Requisiti Ambientali dei Prodotti Industriali A rede é coordenada pelos próprios participantes e opera como centro de serviços para estudantes e para a formação permanente sobre o tema do desenvolvimento de produtos e de serviços sustentáveis. A Rapi.rete tem por objetivo consolidar e difundir nos centros universitários de educação italiana a formação de uma nova geração de projetistas capaz de desenvolver produtos e serviços que minimizem o impacto ambiental ao longo de todo o ciclo de vida do produto. O site da rede contém informações sobre cursos, docentes, programas e apresenta resultados alcançados pelos estudantes. Fornece, além disto, o acesso a um fórum de discussão, módulos de lições em áudio/vídeo (elaborados pelos docentes de diversas sedes universitárias italianas) e instrumentos avançados de suporte didático e, ainda, uma lista de instrumentos usados no desenvolvimento de produtos sustentáveis. Para a avaliação do ciclo de vida do produto a Rapi.rete usa o banco de dados I-LCA, desenvolvido e gerido pela APAT - Agência Italiana de Proteção Ambiental (download pelo endereço www.sinanet.anpa.it/ecolprod). O site fornece uma visão atual das possibilidades existentes de formação nas universidades da Itália dentro da temática do design para a sustentabilidade. O projeto Rapi.rete é comissionado pela Agência Italiana de Proteção Ambiental e coordenado pelos professores Carlo Vezzoli e Ezio Manzini do Politécnico de Milão, Unidade de Pesquisa DIS - Design e Inovação para a Sustentabilidade Ambiental. Ecolink: www.polimi.it/rapirete
voltar Curso ISO 14040: A Metodologia da Avaliação do Ciclo de Vida - Conceitos e Aplicações Uma ferramenta fundamental no campo do ecodesign A
Abipti, em parceria com o Centro de Desenvolvimento Sustentável (CDS),
da Universidade de Brasília, realizará o curso "ISO 14040: A Metodologia
da Avaliação do Ciclo de Vida - Conceitos e Aplicações".
Destinado a profissionais de instituições públicas e privadas associadas à Abipti e demais pessoas envolvidas na área tecnológica, o curso acontece nos dias 22, 23 e 24 de setembro e 20, 21 e 22 de outubro, no Centro de Ensino e Documentação em Saúde da Diretoria Regional de Brasília (Direb), da FIOCRUZ. O endereço é SEPN 510, bloco A, Ed. INAN, 1º subsolo. Segundo o coordenador e instrutor do curso, professor doutor Armando Caldeira-Pires, o objetivo é capacitar profissionais na utilização da ferramenta de avaliação de impacto ambiental do setor produtivo, a Avaliação do Ciclo de Vida - ACV. "O curso, que acreditamos pode ser uma importante ferramenta do ecodesign, apresentará e discutirá as questões de performance social e ambiental associadas com o ciclo de vida de infra-estruturas tecnológicas de produção industrial, estimulando a discussão do papel dos diversos segmentos que atuam na área tecnológica, dentre os quais se insere o design, e também daqueles envolvidos com o desenvolvimento e implementação de políticas científica e tecnológica, visando o desenvolvimento sócio-econômico nacional", afirma Caldeira-Pires. Os objetivos específicos são, de acordo com as disciplinas ministradas: O curso terá 40 horas de duração distribuídas entre aulas teóricas e práticas. Nas teóricas serão discutidos os aspectos conceituais da metodologia da ACV, bem como, uma introdução aos programas computacionais disponíveis comercialmente para sua aplicação. As aulas práticas serão ministradas em laboratório para que os participantes pratiquem os conceitos e avaliem estudos de caso envolvendo as diversas etapas do ciclo de vida de um produto. As vagas são limitadas a 25 e as inscrições custam R$ 500,00. Mais informações podem ser obtidas com Elizabete Ferreira betef@abipti.org.br, (61) 340-3104 e Ana Spinola ana@abipti.org.br, (61) 340-3271. O curso "ISO 14040: A Metodologia da Avaliação do Ciclo de Vida - Conceitos e Aplicações" acontece no momento em que a norma técnica aplicável na área de proteção ambiental é traduzida para o Português. A série ISO 14040 estabelece os procedimentos para a avaliação dos impactos ambientais considerando não apenas os efeitos do processo produtivo, mas todo o ciclo de vida do produto (e dos processos a ele associados, por exemplo, embalagens, transportes, etc), a preparação da matéria-prima, a sua produção, o seu uso, a sua destinação final (reciclagem, reuso ou deposição em aterros). Esta capacitação será, também, uma base para o Curso de Especialização "Design para o Ciclo de Vida: A Gestão Tecnológica da Ecologia Industrial", fruto da parceria Abipti/CDS, previsto para o próximo ano, com 360h de duração.
Pós graduação em Ecodesign - Universidade Veiga de Almeida - UVA / RJ
Coordenado pela professora Leila Lemgruber Queiroz, o curso está direcionado a profissionais de nível superior, como designers, arquitetos, engenheiros, profissionais de áreas afins e àqueles que praticam o ensino da educação ambiental. Seu objetivo é ampliar o conceito do Design, inserindo as questões ambientais, e refletir sobre o posicionamento do homem contemporâneo em seu meio ambiente. Algumas das disciplinas ministradas serão Meio ambiente e Sustentabilidade; Ecodesign e, Sistemas de Gestão Ambiental nas Organizações. Informações: www.uva.br/cursos/pos_graduacao/escola_de_design. voltar Projeto de Inovação da Indústria Moveleira A
Feira Internacional da Qualidade em Máquinas, Matérias Primas e Acessórios
para a Indústria Moveleira (FIQ) realiza sua 4ª edição de 02 a 06 de
agosto, no Pavilhão Expoaras, Arapongas (PA). A FIQ reúne 250 expositores
do Brasil e de 14 países.
Uma das novidades desse ano é a realização do Projeto de Inovação da Indústria Moveleira (PIIM), que tem como objetivo apresentar aos expositores e visitantes da FIQ 2004 as inovações surgidas da busca por novos recursos e matérias-primas aplicadas ao trinômio Design/Tecnologia/Sustentabilidade. Segundo os organizadores do evento, "O PIIM consiste em incentivar e informar sobre o uso de novos recursos, materiais, tecnologias, sustentabilidade e a preocupação com o meio ambiente na cadeia do setor moveleiro, melhorando a qualidade do móvel made in Brazil". O PIIM reunirá em um estande institutos tecnológicos, associações e outras entidades para atender os visitantes e expositores da FIQ 2004. Informações: www.fiq.com.br/piim e 0055 (43) 276-3040 / Fax: 0055 (43) 276-6435. Prêmio UNESCO de Artesanato para a América Latina e o Caribe 2004 A Bahia vai sediar o Prêmio UNESCO de Artesanato para a América Latina e o Caribe 2004, durante o Encontro Internacional de Negócios e Artesanato. O evento será de 5 a 8 de agosto. O objetivo do Prêmio, realizado em parceria com o Sebrae, é estimular o senso de inovação artística para a criação de modelos originais, aumentar a percepção do mercado mundial de modo a promover produtos de qualidade e reforçar os laços entre artesanato e design. O tema da edição 2004 é "Criações do Cotidiano" e a premiação será de US$ 10 mil, distribuído entre as melhores obras feitas de barro, cerâmica ou pedra, inscritas no Prêmio e selecionadas por um painel de jurados internacionais. O primeiro colocado terá a oportunidade de exibir seus trabalhos na feira internacional Maison & Objet, em Paris, França, durante o mês de setembro de 2005. Informações: www.unesco.org.br/eventos. Seminário "A Propriedade Intelectual como Fator de Estratégia Comercial" Temas importantes para os designers serão tratados no Seminário "A Propriedade Intelectual como Fator de Estratégia Comercial". O objetivo do evento que, conta com o apoio da ABIPTI, é despertar na comunidade empresarial e acadêmica a atenção para a importância da proteção das criações intelectuais como estratégia comercial e suporte à competitividade das empresas brasileiras - em particular, as micro e pequenas. O seminário acontece nos dias 12 e 13 de agosto, de 8h às 18h, no Anfiteatro da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade, bloco A, da USP Ribeirão Preto, e oferecerá oficinas sobre temas como o papel do INPI; patentes; marcas; proteção ao conhecimento e a mostra de experiências e práticas. Os especialistas convidados são: Margareth Maia da Rocha, Cláudio Fuentes Moreira, Sandra Brandão de Abreu, Ricardo de Andrade Bérgamo da Silva e Luiz Fabrício Thaumaturgo Vergueiro. As inscrições são gratuitas e as vagas limitadas. Informações: (11)3714-9561 ou pelo e-mail att@ipt.br. P&D Design 2004 Ocorre de 13 a 16 de outubro, em São Paulo, o 6º Congresso Brasileiro de Pesquisa e Desenvolvimento em Design, P&D Design, organizado pela Faculdade de Artes Plásticas da Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP) em parceria com a Associação de Ensino/Pesquisa de Nível Superior em Design do Brasil. A programação inclui minicursos, apresentação de trabalhos na forma de artigos ou pôsteres e palestras de convidados de outros países, como Maria Fernanda Camacho (Colômbia), Andrew Campbell e Penny Sparke (Inglaterra), Tony Fry (Austrália), Ellen Lupton (EUA), Alpay Er (Turquia) e Sílvia Pizzocaro (Itália). Os temas abordados serão ecodesign, design têxtil, gestão em design, ergonomia, comunicação, design digital e multimeios. Informações: www.faap.br/ped2004 Bienal Internacional de Design de Saint-Étienne A tradicional Bienal Internacional de Design de Saint-Étienne acontece de 06 a 14 de novembro no Parc des Expositions, em St. Étienne, França. Além de exposição, o evento é um espaço para encontros e debates que abordam temas como a interatividade entre os objetos e a civilização em todos os campos, incluindo móveis, moda, design urbano, ferramentas, materiais e transportes. Todos os envolvidos na área do design estão convidados a participar (designers, agências, editoras, revistas, Centros de Design, empresas, galerias). As escolas de Design têm a alternativa de participar com trabalhos dentro do tema "Coffee and Cafés" ou com trabalhos do próprio departamento. Cerca de € 3,5 mil serão distribuídos na premiação dos projetos. Informações: www.artschool-st-etienne.com. voltar A Newsletter da comunidade virtual EcoDesignNet é elaborada pela ABIPTI em parceria com o CGECon - MRE. Para entrar em contato, ou para assinar este informativo, envie nome completo, e-mail e nome da entidade para o endereço gestaodesign@abipti.org.br Caso seja de seu interesse deixar de receber este informativo, basta responder este mail, com o título CANCELAR. Telefone: (61) 340-3103; Fax: (61) 273-3600 |
||||||||||||||||||||||||||
|
Expediente
|
||||||||||||||||||||||||||
|