CONTEÚDO

Entrevista
Mário Hermes Viggiano - arquiteto

Estudo de Caso
Casa Autônoma

Ecoleitura
Capitalismo Natural

Ecolink
Rocky Mountain Institute

Artigo
A Função Design e a Corrente da Sustentabilidade: Eco-eficiência de um produto

Calendário
II Seminário de Competitividade Industrial: Avaliando o Ciclo de Vida de Produtos

Prêmio Ecodesign

Congresso Internacional sobre Comercialização de Propriedade Intelectual

I Feira de Produtos Brasil Certificado

P&D Design 2004


Nota
Seminário Design na Indústria Automobilística

Comunidade Ecodesign net

 
Editorial     

Nesta edição da EcodesignNews apresentamos nas sessões Entrevista e Estudo de Caso, o projeto Casa Autônoma, assinado pelo arquiteto Mário Viggiano. Aproveitando o fato de seu projeto estar sendo conduzido no Distrito Federal, convidamos Viggiano para uma entrevista na ABIPTI na qual relatou não apenas as suas preocupações com especificações técnicas, mas os anseios e sonhos de quem começou um projeto sem grandes pretensões, e hoje se vê frente a desdobramentos que não imaginava possíveis.

A Eco Leitura e o Ecolink abordam o trabalho do casal Amory e Hunter Lovins: o livro Capitalismo Natural e o site do Rocky Mountain Institute, respectivamente. Os dois assuntos tratam da capacidade do homem de produzir mais e poluir menos, usando tecnologia e conhecimentos já existentes.

O Calendário vem com boas sugestões em seminários, prêmios, congressos e feiras. Há opções sobre ciclo de vida de produtos, propriedade intelectual, ecodesign, produtos certificados. Com atenção, é possível se encaixar nos pré-requisitos e não perder a chance de se reciclar.

O artigo sobre eco-eficiência, assinado pelo arquiteto Mario dos Santos Ferreira, propõe uma revisão dos conceitos correntes do design industrial e sugere um novo processo que leve ao equilíbrio de variáveis como extração, utilização e reutilização de produtos renováveis e não-renováveis.

Por fim, agradecemos os contatos de antigos e novos leitores e as contribuições, como a do próprio Mário, que estão chegando. Com certeza, ao longo do ano todas elas se transformarão nas pautas do Ecodesign-News. Boa leitura e até o próximo número!

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Entrevista     

Mário Hermes Viggiano
Arquiteto responsável pelo projeto sustentável Casa Autônoma


 
Aos 39 anos, sem precisar ter cumprido o ritual acadêmico de pós-graduações, o que gosta de enfatizar, o arquiteto formado na Universidade de Brasília (UnB), Mário Hermes Viggiano, está realizando um projeto ousado, chamado Casa Autônoma. "A idéia é que a casa seja capaz de gerar seus próprios insumos e reciclar seus produtos", afirma.

Com 320m² de área construída, a casa está sendo erguida perto de Brasília, em terreno de 3.250m², em Área de Preservação Ambiental. A concepção, que prevê 100% de autonomia, reúne tecnologias e conceitos ligados à arquitetura bioclimática, conservação de energia e automação predial.

Em fase de conclusão, o projeto teve início muito antes de entrar nas pranchetas de Mário, sendo fruto de uma inquietação ainda dos tempos da faculdade.

Boa parte do sucesso do projeto é atribuída por Viggiano a uma forte estratégia de divulgação e marketing, contrapartida oferecida aos parceiros que a ele se uniram.

Sem parecer deslumbrado com o sucesso de sua empreitada, Mário diz não se sentir um arauto de um novo tempo. Apenas realiza um desejo (sempre acreditou que a casa de um arquiteto não poderia ser comum), construindo uma casa-protótipo que já recebeu a visita de centenas de pessoas e continuará de portas abertas depois de pronta.

Enfim, a experiência que já tem quatro anos, fez dele uma outra pessoa e do seu trabalho, um processo baseado em conceitos como parceria e compartilhamento.

Como surgiu a idéia de construir a casa? Quais foram suas motivações?
Desde a época da faculdade estudava em nível teórico a questão da arquitetura bioclimática. São conceitos vernáculos e contemporâneos de adaptar a arquitetura ao clima onde está inserida. Eu estudei muito isso na universidade e depois comecei um processo muito modesto de tentativa de aplicar isso no dia-a-dia do escritório. Eu digo modesto porque como arquiteto recém-formado você acaba se inserindo no mercado de maneira a ter que fazer o que é solicitado.

O projeto surgiu dessa pesquisa e de uma necessidade própria de fazer a minha casa. Eu sempre achei que a casa de um arquiteto não deve ser nada de extraordinário, de maravilhoso, mas tem que trazer alguma coisa em termos de conceito, de inovação tecnológica.

No início, era para ser um projeto bioclimático, uma casa tradicional em que fossem inseridos os conceitos de adaptação ao clima. Mas outras idéias foram surgindo e na época estavam falando muito de edifícios inteligentes. Então, eu comecei a tentar entender esse conceito de inteligência aplicada a um edifício, comecei a pesquisar o que era inteligência. E começamos a formatar um conceito que se sobrepunha ao de inteligência, que é o conceito de autonomia.

Então como foi estruturado o seu conceito de Casa Autônoma?
Chegamos à conclusão que o conceito de inteligência estava mal colocado, era um conceito errado. O termo inteligência não se aplica a sistemas inanimados, fazer isso é um exagero. E esse exagero tem 50 anos. Naquela época existia a ilusão de que o computador viesse a substituir o cérebro humano. Então, nós achamos que um termo mal colocado não ia pegar bem no nosso projeto. Tinha que ter um conceito muito bem estruturado para esta casa. E aí teve início uma pesquisa grande em termos do que poderia ser esse conceito de autonomia. Foi quando nós decidimos colocar alguns dos conceitos encontrados e acrescentar outros. A nossa é uma Casa Autônoma tupiniquim, adaptada ao nosso clima e também aos dias atuais porque eu tenho a idéia de que nós não podemos abrir mão da tecnologia. Os conceitos tecnológicos já fazem parte do cotidiano de todos.

Descreva o projeto. Que soluções tecnológicas foram utilizadas?
Em primeiro lugar a casa foi um projeto concebido com as questões bioclimáticas. Foi feito a partir de uma pesquisa das diretrizes bioclimáticas para Brasília. Toda a arquitetura, materiais, formulação espacial, toda a concepção do projeto arquitetônico foi baseada no trabalho das diretrizes bioclimáticas - esse é um dado muito importante. Além dessa questão, nós temos a casa funcionando em quatro grandes sistemas, por isso eu falo em abordagem e arquitetura sistêmicas. Não mais vemos a casa fragmentada em termos de projetos elétrico, hidráulico etc. Eu tenho sistemas e cada um dos sistemas tem um pouquinho de cada coisa, um depende do outro. Eu tenho o sistema de energia; o hidro-sanitário, o de climatização e o de gerenciamento. Então a casa funciona baseada nesses quatro sistemas e a interação deles é que a faz se fechar em termos de conceito. E dentro de cada sistema vão surgindo os sub-sistemas.

Este é um projeto de alto custo. Você conseguiu parceiras? Como?
No início eu concebi a Casa Autônoma no nível técnico, ela não era como é agora. Aí se começou a pensar de fato como seria o projeto e qual a sua magnitude. Como iria fazer com uma propriedade particular, num terreno particular? O dinheiro sairia de onde? De antemão, foram excluídos como parceiros governo e universidade. Exatamente porque não teria condição de se operacionalizar um projeto dessa natureza. É um projeto da iniciativa privada. Optamos pelas parcerias. Sem parceria é impossível porque a filosofia da Casa Autônoma é baseada nesse conceito. Aliás, todo o nosso trabalho é baseado no conceito de parceria. Então, formulamos essa idéia de trabalhar com a iniciativa privada e fomos a campo, coletando as empresas. Em 2000 tivemos a sorte de, com um primeiro material, conseguirmos algumas grandes empresas que estão conosco desde o início.

Conseguir esses parceiros foi mais fácil ou mais difícil do que o esperado?
Não posso dizer que foi mais fácil nem mais difícil. O que eu posso dizer é que surgiram muitas coisas inesperadas e aí é que está realmente o grande lucro do projeto. Mas as parcerias foram importantes nesse sentido, elas reduziram um pouco a carga de custo do projeto. O projeto é caro. Por que? Porque não foi colocado como uma premissa que eu tinha que ter uma construção econômica, uma construção voltada para a população de baixa renda. A construção é de padrão alto, para uma família de padrão alto. E qual era a intenção real do projeto? Testar as tecnologias, fazer uma espécie de protótipo-laboratório. Você só consegue chegar numa coisa econômica se trabalhou muito nela. E se você economizar na prototipagem não consegue chegar num produto. Você tem que testar para poder refinar e chegar num mais barato. Nós ganhamos muitas coisas, nós ganhamos grandes descontos em muitas coisas e aí nós tínhamos que oferecer a contrapartida, que era a divulgação, que também foi cuidada por diversas empresas.

Entre essas empresas tem alguma interessada em tocar esse projeto, comprar essa idéia e levá-la adiante em escala comercial?
Temos nós. Surgiram duas coisas no meio do caminho e que são novidades. Durante o processo da Casa Autônoma nós tivemos que desenvolver produtos, porque não existem no mercado. Então eu comecei a trabalhar essa questão de produto aplicado ao projeto. Em função do desenvolvimento dos produtos foi que surgiu a novidade que é o LabCau, Laboratório Casa Autônoma de Arquitetura Sustentável. Recém-criado, ele vai funcionar lá na Casa Autônoma e vai cumprir uma dupla função: cuidar de toda parte de monitoramento e do desenvolvimento dos produtos. Eu tenho quase dez produtos desenvolvidos ou em desenvolvimento e a gente tem que dar vazão a isso. Em paralelo aos produtos surgiu uma questão: o que eu vou fazer com eles? Nós temos que produzi-los. Então nós estamos também partindo para uma outra etapa que é a fundação de uma fábrica, em rede com outros parceiros.

E quais são esses produtos?
Nós temos uma vedete que é um equipamento para tratamento de esgoto secundário, temos produtos ligados à energia solar, quadros de comando para energia fotovoltaica, luminárias, filtros que acompanham a questão da qualidade da água e mais uma lista de produtos em desenvolvimento. Nós estamos criando uma OSCIP (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público) para exportar as soluções que estão sendo desenvolvidas.

Sua vida e sua maneira de enxergar o trabalho mudou após o projeto Casa Autônoma?
Com certeza. Quando você depara com uma realidade de parceria, com essa concepção sistêmica, você passa a ver as coisas funcionando de uma maneira muito diferente. O conceito de sustentabilidade para mim, hoje, é muito diferente do que era há quatro anos. Hoje eu sei que sustentabilidade é fundamentalmente compartilhar. Isso você só descobre e vivencia se realmente praticar. Todo o meu trabalho mudou hoje em função dessa visão.

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Estudo de Caso     

Casa Autônoma

O arquiteto Mário Viggiano deixa bem claro: a Casa Autônoma nunca teve a pretensão de ostentar custos baixos. Seria contraditório até com sua missão de testar soluções tecnológicas. Mesmo assim, afirma que o m² de um projeto como o seu só difere em R$ 200,00 da média calculada para uma edificação de luxo.

Planejada para abrigar um casal sem filhos, a casa está sendo erguida em um lote de 3.125 m², no Setor de Mansões Park Way, próximo ao Plano Piloto de Brasília, encravado na Área de Preservação Ambiental que engloba os Córregos do Gama e Cabeça de Veado.

O fato de estar em uma APA não devolveu à área tudo o que já havia perdido pela ação antrópica. E tentar preservar o que ainda existia em espécies nativas foi a primeira atitude do arquiteto.

Em seguida, um estudo definiu as características bioclimáticas que seriam incorporadas ao projeto. Com um cronograma que teve início em 2000 e está previsto para encerrar ainda este ano, a Casa Autônoma foi dividida em cinco etapas: 1) Pesquisa, projeto e plano de marketing; 2) Captação de recursos, apoios e patrocínios; 3) Construção; 4) Monitoramento e 5) Publicação.

Mário Hermes Viggiano assina os projetos de arquitetura, instalações elétricas e hidro-sanitárias e sistemas de automação, enquanto sua esposa, Elizabete Rosso, decoradora e titular do escritório Viggiano & Rosso, é responsável pelos projetos de Design de Interiores e de paisagismo.

 
Viggiano não revela em quanto a Casa Autônoma está orçada, mas toma as parcerias firmadas como imprescindíveis para a sua realização.

Mesmo antes de pronta, a Casa já rendeu ao seu criador o primeiro lugar na categoria residencial do Prêmio Nacional de Conservação e Uso Racional de Energia, edição 2002/2003, pelo uso eficiente de energia. O Prêmio é concedido pela Eletrobrás/Procel.

Outros desdobramentos são a criação de um laboratório e de uma fábrica para produzir em escala comercial alguns dos produtos criados por ele e sua equipe a partir da demanda criada no período de construção da casa.

Entre os dias 8 e 11 de julho, Viggiano ministrará o 1º Curso Casa Autônoma de Arquitetura Sustentável com 36 horas de duração. Também está sendo comercializado um cd rom com as informações técnicas completas sobre o projeto, o que inclui: Memorial descritivo completo, planta baia, cortes, manual de parcerias e os trabalhos apresentados em congressos abordando a experiência.

Diretrizes Bioclimáticas:
Para a execução do projeto da Casa Autônoma foi necessário o desenvolvimento de uma metodologia cíclica de projeto baseada em uma concepção sistêmica de interações onde a arquitetura conceituada pelos requisitos formais e funcionais interage com os sistemas autônomos da casa, com as variantes climáticas e ambientais e com a disponibilidade de insumos (água e energia). Didaticamente, foram estabelecidos quatro grandes sistemas, cada um com outros sistemas:
1)Sistema de energia aborda a geração de energia elétrica pelo sistema fotovoltaico, a energia térmica de aquecimento, a geração de energia eólica, a eficiência energética dos equipamentos e sistemas e o gerenciamento e monitoração dos insumos e do consumo;

2)Sistema Hidro-sanitário aborda o caminho das águas através do mapeamento da fonte de insumos e sua utilização. Neste sistema há a interação da captação de águas pluviais, o tratamento do esgoto primário, o tratamento do esgoto secundário e a utilização das águas subterrâneas;

3)Sistema de climatização aborda a climatização natural integrado com a climatização mecânica através da utilização exclusiva da água com vaporizadores e aspersores de fachada e telhado;

4)Sistema de gerenciamento e automação aborda a infra-estrutura necessária para a automação residencial, controle de segurança, monitoramento climático e monitoramento dos sistemas elétrico e hidro-sanitário.
Materiais:
As matrizes de materiais estudadas no projeto, avaliam os materiais a partir de quesitos como as propriedades bioclimáticas, caráter estético, obra (disponibilidade e capacitação), adequação aos conceitos comprometimento ecológico e impacto ambiental. São definidos critérios regras para a uniformidade da avaliação.

Para maiores informações: www.casaautonoma.com.br

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Ecoleitura     

Capitalismo Natural

 
Esta obra foi elogiada por cientistas e personalidades como Fritjof Capra, Bill Clinton, Peter Senge e Oscar Motomura, responsável pela introdução da versão em português. A base da Nova Revolução Industrial é o Capitalismo Natural, modelo desenvolvido pelo físico nuclear e analista ambiental Amory Lovins, juntamente com sua esposa Hunter Lovins e Paul Hawken. Eles defendem a capacidade do homem de produzir mais e poluir menos, usando tecnologia e conhecimentos já existentes, demonstrando que os negócios e os interesses ambientais se complementam, para satisfazer melhor às necessidades dos clientes, aumentando lucros e, ao mesmo tempo, ajudando a resolver os próprios problemas ambientais.

Um dos princípios inter-relacionados do Capitalismo Natural é o aumento radical da produtividade. Implementar apenas este princípio pode melhorar significativamente o desempenho de uma organização. Redesenhar a indústria a partir de modelos biológicos com zero de desperdício, deslocar-se da venda de bens à provisão de serviços e reinvestir no Capital Natural, que é a base da prosperidade futura, complementam os princípios do modelo proposto pelos autores.

A idéia do combate à "gordura" nos processos produtivos industriais nasceu na manufatura japonesa nos anos 50, no seio da Toyota com o falecido Taiichi Ohno, que deixou uma obra onde conta alguns dos segredos - Toyota Production Systems: Beyond Large Scale Production. Nos anos 90 transformou-se em corrente de gestão no Ocidente pela mão de James Womack que lançou uma nova buzzword conhecida por lean production ou "produção magra".

O lean, no entanto, conquistou progressivamente vários setores industriais desenvolvidos, desde o automóvel até a própria construção civil. Agora quer transformar-se numa visão global para toda a economia, segundo este trabalho de investigação do casal Amory e Hunter. Para este novo tipo de capitalismo, a produção "sem gordura" subiu ao altar da gestão.

Uma idéia ainda mais revolucionária em termos industriais pretende agora ocupar a cadeira ao lado do pensamento lean. O que se propõe é estender o conceito ao todo da economia, integrando-o numa visão mais ampla de um capitalismo "sem gordura", reconciliado com os recursos naturais do ecossistema da Terra. "Esta via é a base para a próxima Revolução Industrial. A lógica capitalista continua a mesma, mas a escassez relativa na economia é agora diferente", destaca Hunter Lovins, que também dirige com o marido o Rocky Mountain Institute. Amory complementa ao dizer que "face à abundância de capital, de informação e mesmo de quadros, o que passou a ser terrivelmente escasso são os recursos naturais do planeta. Os capitalistas deverão saber lidar agora com esta nova escassez".

Um dos setores industriais em que o Rocky Mountain Institute lidera este tipo de investigação é o automóvel. Alguns movimentos tomados já pela Toyota, a que se seguiram outras iniciativas pela Audi, Chrysler, Ford, GM, Honda, Mazda, Mercedes, Nissam e Subaru, são elogiadas pelos Lovins. "O problema, conclui Hunter, é que cada um segue uma dada abordagem de ataque a um dado problema, seja na construção ultra leve, no uso de novos compósitos, no design, em soluções híbridas do ponto de vista energético, no papel central dos computadores, ou no campo de acessórios mais eficientes. O que é preciso é combinar estas abordagens num sistema integrado. Quando isto ocorrer haverá uma mudança tão radical na estrutura da indústria e do mercado, como a que aconteceu com a mudança da máquina de escrever para os computadores e para a web".

ISBN: 85-316-0644-6
Autores: Paul Hawken/Amory Lovin/L.H. Lovin
Editora: Cultrix
Formato: 384 páginas

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Ecolink     

Rocky Mountain Institute

O Rocky Mountain Institute foi fundado por Amory Lovins em 1982 e está localizado na cidade de Old Snowmass, no estado do Colorado, EUA. Trata-se de uma organização educativa independente, que desenvolve estudos e pesquisas sem fins lucrativos, voltadas para uma linha que reforça o uso eficiente e sustentável dos recursos como um caminho para o melhoramento da vida humana e segurança do planeta. Dentro do seu foco estão áreas como energia, transporte, construção, recursos hídricos, mudanças climáticas, agricultura, além de práticas corporativas voltadas para técnicas de produção ambientalmente sustentáveis, sustentabilidade para economias locais e comunicações, atraindo verbas anuais de US$ 4 milhões, provenientes de doações e serviços de consultoria.

A equipe do instituto está empenhada em mostrar às pessoas, comunidades, corporações privadas e governamentais como obter mais riqueza e empregos protegendo o meio ambiente, além de muitos outros benefícios imediatos em termos de produtividade e qualidade de vida, simplesmente fazendo o que já se faz de uma maneira mais eficiente.

Para saber mais sobre o Rocky Mountain Institute, sua missão e proposta, basta acessar o site. Ecolink: www.rmi.org.

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Artigo     

A Função Design e a Corrente da Sustentabilidade: Eco-Eficiência de um Produto
Mario dos Santos Ferreira


1. INTRODUÇÃO
Sabe-se que a manutenção do equilíbrio dos ecossistemas passa obrigatoriamente por mudanças nos processos industriais, nos modelos de produção hoje utilizados e até mesmo nos conceitos de qualidade total vigentes.

No âmbito da soberania nacional e regional, as políticas governamentais para minimização dos processos de degradação ambiental começam a tomar corpo, na maioria dos países, a partir de pressões das comunidades internacionais. Para tanto, esta postura necessita levar em conta aspectos como:
  • a substituição dos paradigmas fundamentados na lógica mecanicista pelos novos paradigmas de natureza ecológica e não-linear (Parker & Stacey, 1995);

  • o novo sistema de valores mercadológicos, baseados no princípio da conservação, cooperação e da parceria, significando em termos empresariais estratégias produtivas como reaproveitamento de resíduos e otimização de matérias-primas na fabricação de novos produtos (Kotler, 1996);

  • o feed-back no processo tecnológico já implementado em sintonia com o terceiro milênio, tendo como vetor principal a diminuição da agressão ao meio ambiente (Toffler, 1995).
  • Neste cenário, a função design tem como missão estabelecer o elo necessário de tradução da necessidade identificada no mercado (função marketing) para o modelo passível de seriação (função tecnologia).

    Design, aqui entendido como uma função, é um meio de materializar idéias, de transformar idéias em negócios. É um agente de materialização de tecnologia, viabilizando industrialmente a inovação.

    2. DEMANDAS, NÍVEIS DE PRODUÇÃO E MEIO AMBIENTE
    Globalmente falando, o planeta encontra-se polarizado em economias centrais e periféricas, tendo as primeiras a necessidade de contenção dos níveis de produção, em vista do efetivo atendimento das necessidades da maioria da população. Por outro lado as economias ditas periféricas (países sul-americanos, por exemplo), necessitam retomar níveis de produção e consumo, represados em períodos econômicos altamente inflacionários, com vista ao atendimento das necessidades básicas da população. (Leia na íntegra)

    FERREIRA, Mario dos Santos
    Arq. Mario dos Santos Ferreira, Dr. Eng.,
    Pesquisador na Fundação de Ciência e Tecnologia - CIENTEC / RS,
    Gerente da CIENTEC-DESIGN/Incubadora de Produto
    Docente na FAUPUCRS

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    Calendário     

    II Seminário de Competitividade Industrial: Avaliando o Ciclo de Vida de Produtos

    A FGV Energia, em parceria com o Instituto Brasil-Pnuma (Comitê Brasileiro do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente), e o apoio institucional da ABIPTI, realiza, dia 07 de abril, de 9h às 14h, o II Seminário de Competitividade Industrial: avaliando o Ciclo de Vida de Produtos.

    O evento tem o objetivo de preparar técnicos em Avaliação do Ciclo de Vida (ACV), para fazer frente à Norma Internacional ISO 14025, a ser implantada em dois anos, no Brasil. Os temas que vão ser discutidos em módulos de apresentações seguidas por debates são: Competitividade e Normas ISO 14000, A Prática de Avaliação do Ciclo de Vida no Brasil e no Mundo e Ecodesign - Potencial Competitivo Brasileiro.

    Os organizadores do 2º Seminário esperam reunir cerca de 200 participantes, entre eles: diretores, gerentes e coordenadores de Meio Ambiente, diretores e gerentes de exportação, auditores ambientais, técnicos e engenheiros de produção, profissionais das áreas de cosmética, cerâmica, petróleo, automotivo; consultores, associações, especialistas de Bancos de Investimentos, advogados especializados na temática ambiental e outros.

    Informações e inscrições: (21) 2559-5480/5481/5423/6059. E-mail: seminarios_ibre@fgv.br.

    Prêmio Ecodesign

    Até o dia 30 de abril, indústrias, escritórios e designers podem inscrever, gratuitamente, os projetos que priorizam matéria reciclada e processos que consomem menos energia no Prêmio Ecodesign. As categorias disponíveis são: Produto no Mercado e Projeto.

     
    Promovido pela Fiesp/Ciesp o Prêmio Ecodesign tem o objetivo de estimular o uso de princípios ecológicos e tecnologias limpas no design de produtos, de embalagens e gráfico, como ferramenta de competitividade e contribuição ao desenvolvimento industrial.

    Os critérios de avaliação são: novidade da proposta, benefícios ambientais no processo produtivo, benefícios sócio-ambientais, impacto do design na exteriorização das características ecológicas e utilização de tecnologia inovadora.

    A premiação para os três vencedores na categoria Produto no Mercado é um troféu, um certificado e um selo de premiação. Os três melhores na categoria Projeto levarão R$ 2 mil, um certificado e um selo de premiação.

    Para concorrer é preciso enviar a ficha de inscrição preenchida e os outros documentos exigidos pela organização, à Secretaria do Centro São Paulo Design.

    Informações: spdesign@ipt.br, www.cspd.com.br ou (11) 3719-1331

    Congresso Internacional sobre Comercialização de Propriedade Intelectual

    Será realizado em Recife, entre os dias 28 e 30 de abril, o I Congresso Internacional sobre Comercialização de Propriedade Inteletual. Promovido pela Compi Comercialização de Propriedade Intelectual, o evento tem como objetivo abrir um espaço de discussão em torno dos aspectos comerciais e de pesquisa e desenvolvimento (P&D) da Propriedade Intelectual (P.I) no setor produtivo, centro de pesquisas, academia e governo.

    Os temas abordados serão: Os cenários Nacional e Internacional da Comercialização de Tecnologia; A P.I. como Diferencial Competitivo; Proteção da P.I. como Estratégia de Desenvolvimento; Aspectos Legais para Comercialização de P.I; Diretrizes e Políticas de Investimento em P&D&I no Brasil; P.I. como um Ativo para Captação de Investimento; P.I. como Valor Agregado para a Empresa; Estratégias da Instituições de P&D para Proteção e Comercialização de P.I.

    Entre os nomes já confirmados para participar do Congresso estão Ozires Silva, Presidente da Pele Nova Biotecnologia; Roberto Jaguaribe, Secretário de Tecnologia Industrial do MDIC; Antonio Cláudio Santana, Gerente de P.I da Petrobrás, Celeste Emerick, Coordenadora de Gestão Tecnológica, FIOCRUZ e Mônica Lustosa, Presidente da ANEPI.

    Além das sessões de debates envolvendo assuntos palpitantes, o evento contará com uma área de exibição onde empresas e instituições irão expor e divulgar produtos, serviços e casos de sucesso.

    Informações: www.compi2004.com.br.

    I Feira de Produtos Brasil Certificado

    Entre os dias 15 e 17 de abril, será realizada no Centro de Eventos São Luís, em São Paulo, a Feira de Produtos Brasil Certificado, a primeira a acontecer em toda a América Latina. Organizado pela Imaflora (Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola), Imazon (Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia), Amigos da Terra - Amazônia Brasileira e FSC-Brasil (Forest Stewardship Council), o evento deverá reunir designers, artesãos, indústrias e comunidades que fabricam produtos florestais com matérias-primas certificadas.

    O acesso à feira é gratuito. Nela, o visitante vai encontrar oficinas, seminários, rodadas de negócios e a mostra Espaço Design, dividida entre as áreas comercial e conceitual.

    Cerca de 15 mil pessoas estão sendo esperadas vindas do Brasil, de países da América Latina, dos Estados Unidos, Canadá, Inglaterra, Japão e Alemanha. Informações: www.brasilcertificado.com.br.

    P&D Design 2004 recebe trabalhos até final de abril

    Os interessados em apresentar trabalhos no P&D Design 2004 - 6º Congresso Brasileiro de Pesquisa e Desenvolvimento em Design, tem até o dia 23 de abril para inscrever seus artigos. Os temas incluem ecodesign, design têxtil, gestão em design, ergonomia, comunicação, design digital e multimeios.

    O evento é organizado pela Faculdade de Artes Plásticas da Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP) em parceria com a Associação de Ensino/Pesquisa de Nível Superior em Design do Brasil e acontece de 13 a 16 de outubro, em São Paulo.

    Na programação do congresso constam mini-cursos, a divulgação de trabalhos formatados em artigos ou pôsteres. Além de palestras de convidados estrangeiros como Maria Fernanda Camacho (Colômbia), Andrew Campbell e Penny Sparke (Inglaterra), Tony Fry (Austrália), Ellen Lupton (EUA), Alpay Er (Turquia) e Sílvia Pizzocaro (Itália).

    Informações sobre a formatação dos artigos: www.faap.br/ped2004.

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    Nota     

    Design automobilístico reúne especialistas na Bahia

    Especialistas da Ford, Daimlerchrysler, Marcopolo, Volkswagen e General Motors estiveram reunidos, nos dias 30 e 31 de março, na Bahia, durante o Seminário Design na Indústria Automobilística.

    O evento, promovido pela FIEB e IEL por intermédio do programa Bahia Design, ocorreu no auditório da FIEB. O objetivo foi discutir as contribuições do design nacional na indústria automobilística.

    Três temas dividiram a atenção dos participantes: Automóvel e Tecnologia do Produto; Automóvel e Cidade e Automóvel e Tecnologia de Processo.

    Os participantes tiveram direito a uma visita técnica à fábrica da Ford, em Camaçari. Outra opção foi o workshop sobre design automobilístico, que contou com uma demonstração da adaptação de um modelo de matriz para um modelo de veículo brasileiro.

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    Coordenação Geral: Lynaldo Cavalcanti de Albuquerque (ABIPTI) e Zuhair Warwar (CGECon)
    Coordenação Técnica: Alceu Castello Branco
    Jornalista Responsável: Waleska Barbosa DRT. 5193/00-PB
    Equipe Técnica: Iracema Miranda, Mário Fiorese, Pedro Nascimento
    Colaboradores da edição: Mário dos Santos Ferreira


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