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O termo "Design Integral", lançado na edição nº5, amplia agora as suas bases conceituais com um convite que nós, da redação, endossamos: ... não basta conhecer o ambiente em suas partes; não basta entender como funciona o presente. É preciso compreender que passado e futuro estão ligados, “integralmente”, e o que os une é o nosso presente. Na mesma linha da conceituação, estamos apresentando a proposta do professor Francisco Fialho intitulada de Eco-ergonomia. Na visão de um dos formuladores do conceito - Hendrick (mencionado por Fialho) é inteiramente possível projetar-se ergonomicamente os componentes de um sistema, módulos e subsistemas e ainda falhar em alcançar a eficiência do sistema global. Como se vê, existem muitas possibilidades de integração entre as distintas visões e conceitos. Identificamos no IDHEA (ecolink da edição nº4), a oportunidade do evento "Materiais Ecológicos e de Baixo Impacto Ambiental na Arquitetura e Construção", e de uma exposição. Nossa intenção é monitorar os resultados para informar aos nossos leitores. Na seção Ecolink, convidamos para uma visita ao site da O2, uma rede internacional com foco no ecodesign, que já possui tradição (1988) no design experimental, educação, pesquisa, consultoria, eventos e exposições. Com mais essa edição da ecodesign news, esperamos ter proporcionado aos nossos leitores uma nova experiência no vasto campo do ecodesign. voltar A Emergência do Design Integral - parte 2 Por Daniel Habib*, Douglas Ladik Antunes** e Mauro De Bonis*** O período da "modernidade" pode ser identificado por algumas características inconfundíveis, onde o estabelecimento do fenômeno da industrialização é a principal delas. De modo geral, entende-se por "indústria" uma série de aspectos, tais como a utilização racional (?) de matérias-primas que serão transformadas em produtos planejados, a concentração econômica que resulta da especialização do saber e da divisão do trabalho, dentre outros. Considera-se, também, "desenvolvimento" como algo que oportunize "progresso". Entretanto, nem sempre se têm muito claro na mente estes conceitos, que constantemente assumem significados que não atendem aos interesses das comunidades onde esteja ocorrendo algum "progresso". Costumeiramente entende-se por "desenvolvimento" e "progresso" valores sempre positivos, imaginando-se "desenvolvimento" como algo empreendido coletivamente, onde o resultado desta ação plural proporcionará benefícios de ordem material para cada um dos integrantes duma determinada comunidade. Mas nem sempre se compreende que "desenvolvimento" é um dos produtos do "modernismo", e este último um resultado inconteste da Revolução Industrial. O termo "desenvolvimento" deriva de "des-envolver" e, em verdade, é possível traduzí-lo como "desfazer-se do envolvimento que se tinha antes". Na "modernidade", a novidade é a "indústria", onde esta nova entidade é capaz de produzir em escala seriada e considera como um dos seus insumos mais essenciais - para se haver uma produção seriada - a "matéria-prima". "Matéria-prima" e "natureza" são - e sempre foram - sinônimos! Como resultado da "modernidade", houve um afastamento gradual, profundo e significativo do "homem" com relação a "natureza". E, em meados do século XX, com a necessidade de melhorar os ânimos da Europa destruída pela 2ª Guerra Mundial, inventou-se o termo "desenvolvimento", que satisfez a uma equação necessária aos interesses dos povos e dos governos de então. Nesta equação, a esperança quase perdida das populações e nações massacradas pela guerra, se somava à necessidade da "indústria" se readequar ao ritmo imposto pela reconstrução da Europa. Cunhou-se, assim, este termo, que conseguiu aglutinar diversos interesses em torno de um ideal comum, ou seja, o crescimento econômico como bem-estar social. No ápice da vivência da "modernidade", na Europa, "des-envolver" trouxe consigo uma mudança de percepção da indústria: se antes a natureza era apenas fornecedora de "matérias-primas", agora, num sentido mais radical, não se deixou de estar "envolvido" apenas com os desastres da guerra, ao contrário, o "envolvimento" perdido foi com a natureza. "Des-envolver" significava, portanto, deixar de estar envolvido com a natureza, com o ambiente, com o meio. Assim, a "industrialização" protegeu - e ainda protege - a poluição e a problemática social pela qual é - e sempre foi - causadora e responsável. Não foi por menos que as sociedades foram encaminhadas, ao longo da "modernização", à adoração exacerbada de novos objetos produzidos por seriação industrial, dentre os quais muitos conseguiram aprisionar o ser humano através da demência do status. Por muito tempo estes impactos sócio-ambientais não encontraram a audiência e a ressonância necessária na "vida moderna" para que se pudesse denunciar estes problemas, e, assim, organizar a vida em favor de uma nova ação com direção e conseqüências menos perigosas. Nos dias de hoje, estes impactos sócio-ambientais vêm à tona, deflagrando a real situação das "sociedades modernas" e "pós-modernas", percebidos através de indicadores alarmantes como a violência, os problemas de saúde, dentre muitos outros, pois que as populações estão lentamente se sensibilizando para os reais custos desta "modernidade". Estes imensos "passivos sócio-ambientais" não são contabilizados nos cálculos dos grandes fluxos de capital financeiro mundial, ou seja, a humanidade "produz" e "consome" conforme suas "necessidades" e "desejos", porém não debate ou ao menos reflete com a profundidade necessária sobre os reais custos de um "produto" ou de um "serviço". Pode-se dizer, em linhas gerais, que "a indústria transforma natureza em matéria-prima e matéria-prima em produtos", por intermédio da inserção de energia humana ou transformada (através da natureza), e em nenhum momento destes ciclos de interferência retornam-se benefícios aos meios de origem de todas as matérias: os ecossistemas. Em outras palavras, a ótica atual demonstra que os ecossistemas são tratados como grandes "almoxarifados de matérias-primas", e os valores destas matérias são atribuídos com base somente nos custos operacionais de transformação, sejam estes diretos ou indiretos. Mas qual é o real custo financeiro da perda da biodiversidade? Da exploração da força de trabalho? Da poluição dos ecossistemas? Da baixa qualidade de vida? Faz-se urgente na atualidade, mais que nunca, o aprendizado de uma nova equação sobre o "real custo das mercadorias" frente a um cenário cada vez mais degradado, doentio e decadente. A insistência na manutenção ideológica, política, econômica - e, necessariamente, militar - desse modelo de "des-envolvimento moderno", disfarçado por diversos meios - dentre os quais figuram as contribuições do design industrial e da publicidade - , fez surgir uma imensa pressão reversa que anseia por um novo modelo, onde a "produção" e o "consumo" tenham de ser mais justos social e economicamente e mais responsáveis ambientalmente. Por volta dos anos 80, finalmente emergiu o conceito de "desenvolvimento sustentável", anunciando a inadiável necessidade de se avaliar os resultados da produção industrial sob a análise de diversas dimensões do conhecimento humano, pois que já não se suportava que uma "indústria" se mantivesse hipertrofiada no "eficaz-eficiente-efetivo" tecnológico e econômico. Muitos pensadores de grande valor defendem um "desenvolvimento sustentável" a ser estruturado através da análise crítica e transparente de várias dimensões do conhecimento para viabilizar este novo paradigma técnico-econômico; inserem-se aqui dimensões como a educação, a política, a cultura, a preservação e conservação ambiental… a lista é grande. Mas, segundo Ignacy Sach's - um grande e entusiasta defensor do "desenvolvimento sustentável" - o termo "desenvolvimento" não é bom para indicar um novo modelo que pretenda transpor a "modernidade". Ele preferiu um outro termo para designar esta intenção / pretensão, ele preferiu o termo "integral". Por isso o "DESIGN INTEGRAL" já nasce diferindo-se das pré-suposições da "modernidade" - e, também, das da "pós-modernidade" - pois que não se somará aos modelos apoiados nas idéias de "des-envolvimento", e, portanto, de um "Desenvolvimento Sustentável". Um "Envolvimento Sustentável", ou ainda um "Envolvimento Integral" - com a devida licença científica para estes termos - são mais adequados para delineá-lo. Assim, dentre as premissas que colaboram e contribuem para instituir o "Design Integral", uma afirmação é para nós muito especial e expressiva: "Entre as noções que compõe o conceito de 'Design Integral', é preciso evidenciar, então, que o termo 'integral' contempla uma postura com relação ao conhecimento e às práticas e atividades humanas. 'Integral' supõe uma 'integridade', na qual as partes não podem ser separadas do seu todo, e nem tampouco das relações que existem entre as partes.
voltar Materiais Ecológicos e de Baixo Impacto Ambiental na Arquitetura e Construção Na
edição nº4 da ECODESIGN NEWS, indicamos como ecolink o IDHEA - Instituto
para o Desenvolvimento da Habitação Ecológica - entidade privada dedicada
à pesquisa e desenvolvimento de produtos ecológicos, reciclados e tecnologias
sustentáveis para a Construção Sustentável. Em parceria com a Faculdade
Cantareira, a organização promove este mês o curso "Materiais Ecológicos
e de Baixo Impacto Ambiental na Arquitetura e Construção". O evento
será realizado nos dias 22 e 23 das 8h30 às 17h30 na Faculdade Cantareira,
situada na Rua Marcos Arruda, 729, Bairro Belém em São Paulo - SP.
De acordo com a instituição, "trata-se do primeiro e único curso no Brasil a mostrar o que são ecoprodutos e tecnologias sustentáveis fabricados industrialmente, como identificá-los, aplicações, benefícios, normas, legislação. Traz o que há de melhor e mais sustentável no Brasil hoje nas áreas da Arquitetura e Construção Civil". O curso é dividido em três módulos: Ecoprodutos e Tecnologias Sustentáveis, Poluentes do Ambiente Construído e Materiais Ecológicos de A a Z. Dentro desses módulos serão abordados temas como os benefícios dos ecoprodutos, selos verdes e ecoetiquetas, critérios de sustentabilidade, poluentes do ambiente construído, legislação e normas, materiais para acabamento e interiores. A programação completa e o valor do curso podem ser acessados no site do IDHEA: www.idhea.com.br. Outras informações: (11)4899-4630 - idhea@idhea.com.br voltar Ecodesign 2003 Será realizado entre os próximos dias 8 e 11 de novembro, no Nacional Olympics Memorial Youth Center em Tokyo no Japão, o EcoDesign 2003 - III Simpósio Internacional de Consciência Ambiental em Design e Manufatura Inversa. Trata-se de um evento organizado pela União de EcoDesigners do Japão que reúne sociedades científicas, fundações, cooperativas e associações desse país. As versões anteriores foram realizadas em fevereiro de 1999 e dezembro de 2001, sempre em Tókio. O último evento contou com mais de 400 participantes, representando cerca de 250 países. Os tópicos do simpósio são classificados seguindo dois aspectos: objetivos e métodos. No primeiro serão discutidos temas relacionados à sociedades sustentáveis, consciência ambiental nos negócios, consciência ambiental em produtos e serviços, consciência ambiental em processos. Em Métodos serão tratados assuntos como metodologias em design e ferramentas, "enabling technologies", gestão de sistemas e ferramentas, avaliação de métodos e ferramentas. Todos os participantes estão convidados a visitar a mostra "ECO-PRODUCTS 2003 JAPAN", entre os dias 11 e 13 de dezembro no Tokyo Big Sight. Outras informações: ecodenet.com/ed2003/overview 1ª Mostra de Materiais Ecológicos e Tecnologias Sustentáveis Para Arquitetura e Construção Civil Segue até o dia 15 de novembro a 1ª Mostra de Materiais Ecológicos e Tecnologias Sustentáveis para Arquitetura e Construção Civil, na Faculdade Cantareira, que será sede do curso apresentado na seção Ensino & Extensão. O evento é realizado em parceria com o IDHEA (www.idhea.com.br). Entre os produtos apresentados estão: argamassas ecológicas, resinas ecológicas a base de água, telhas e cumeeiras recicladas, pisos de borracha de pneus reciclados e colas com base vegetal e sem odor. Outras informações: www.idhea.com.br - (11) 60905900 r. 5914 e/ou eventos@cantareira.br voltar Evento Discute "As Novidades Para Construir a Edificação Sustentável" No último dia 14 de outubro, a Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS - foi sede da discussão "As Novidades para Construir a Edificação Sustentável". O encontro fez parte da programação da Terça Ecológica, evento promovido mensalmente pelo Núcleo dos Ecojornalistas do RS. A apresentação foi feita pelo professor Miguel Sattler (www.cpgec.ufrgs.br/norie/pessoas/sattler), engenheiro civil e agrônomo, que pesquisa o assunto há muitos anos. Ele explicou "processos e princípios de construção mais harmônica em relação à natureza e ao convívio humano" e apresentou o andamento do projeto que inclui a construção experimental de uma casa popular sustentável, construída em cerâmica, com coletores de água da chuva e sistema de tratamento térmico no teto. O projeto é realizado pelo Núcleo Orientado à Inovação da Edificação - NORIE, (www.cpgec.ufrgs.br/norie) vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Engenharia Civil da UFRGS. Outras informações: NORIE - www.cpgec.ufrgs.br/norie. Miguel Sattler - sattler@ufrgs.br
voltar Pegada Ecológica e Sustentabilidade Humana Genebaldo Freire Dias
voltar Ecoergonomia - Francisco Antonio Fialho Professor Adjunto III Departamento de Expressão Gráfica Universidade Federal de Santa Catarina O que é eco-ergonomia? Os esforços do homem em adaptar ferramentas, armas e utensílios às suas necessidades e características marcam o advento da ergonomia. Na Odisséia de Homero, Ulisses foi reconhecido por ser o único capaz de vergar o arco que fora construído especificamente para ele. É a partir da revolução industrial, porém, com o surgimento da 'fábrica', que a ergonomia começará a ser estudada como ciência. A primeira fase da abordagem ergonômica centrou-se no projeto das interfaces homem-máquina que incluíam os comandos e controles, 'displays', arranjos do espaço de trabalho e o ambiente de trabalho. Este primeiro estágio foi considerado o estágio da ergonomia física, denominado "tecnologia da interface homem-máquina". Emery e Trist, em 1960 no Instituto Tavistock de Londres, cunharam o termo "sistema sócio-técnico" para representar mais adequadamente a natureza complexa dos sistemas homem-máquina. O conceito de sistema sócio-técnico vê as organizações como sistemas abertos e engajados em transformar entradas em resultados desejados. As organizações são vistas como sistemas abertos porque elas tem fronteiras permeáveis ao meio externo no qual elas estão inseridas e dos quais elas dependem para sua sobrevivência. Quando falamos em estágios e fases, devemos compreender que não estamos eliminando os que ficam para trás. Cada fase incorpora a anterior. A ergonomia física continua a ser um aspecto muito importante na abordagem ergonômica significando, ainda hoje, a aplicação de maior intensidade. O fim da década de 60 e início dos anos 70 trouxeram para o ambiente de trabalho novos componentes como 'hardware', 'software', 'lay out de telas', 'menus', etc. A maneira como as pessoas usam e processam a informação tornou-se extremamente importante para o projeto de sistemas. Como apresentar as informações de forma que as pessoas dêem a elas o significado pretendido? A busca de uma resposta para esta pergunta fez com que as lentes ergonômicas se desviassem dos aspectos puramente físicos e perceptuais do trabalho para a modelagem cognitiva. Surge, então, o segundo estágio, da "tecnologia da interface sistema-usuário" ou estágio da ergonomia cognitiva. Hendrick (1987), estabelece que "technology, once employed in the design of a system, does constrain the subject of possible designs", em outras palavras, deve-se partir, na abordagem ergonômica, com liberdade, inclusive, para se definir com total liberdade, o próprio projeto. Hendrick (1986) afirma, ainda, que "é inteiramente possível projetar-se ergonomicamente os componentes de um sistema, módulos e subsistemas e ainda falhar em alcançar a eficiência do sistema global". Essas considerações de Hendrick resultaram numa ampliação do alcance das aplicações ergonômicas e resultaram no que se denominou por terceira geração da ergonomia, a da "tecnologia da interface organização-máquina". A estrutura geral da macroergonomia compreende quatro etapas principais, a saber: (i) levantamento inicial das necessidades da organização; (ii) projeto da estrutura organizacional apropriada; (iii) implantação do processo e (iv) medição e avaliação da eficiência organizacional para prover um "feed-back" para os usuários e projetistas. O termo ergonomia participativa foi cunhado por Noro e Imada em 1984 e seu principal conceito é que a ergonomia existe na extensão em que as pessoas estão envolvidas na sua utilização. Nas palavras de Imada, "a ergonomia participativa requer que os usuários finais (os que mais se beneficiam da ergonomia) estejam profundamente envolvidos no desenvolvimento e implementação da ergonomia". Segundo Imada (1986), as bases conceituais da ergonomia participativa podem ser traçadas pelas teorias motivacionais e psicológicas. Psicólogos industriais, teóricos gerenciais e agora ergonomistas concordam que as organizações podem melhorar a produtividade, segurança, saúde, satisfação e qualidade de vida no trabalho, permitindo que vários níveis da organização participem na introdução e implementação dos princípios ergonômicos. Até agora, a introdução da ergonomia no posto de trabalho tem sido um processo unilateral. Isto é, especialistas da área de saúde e ergonomia analisam o modo como o trabalho é realizado, recomendam soluções e então dizem aos trabalhadores para implementarem essas idéias. O trabalhador só é envolvido na fase de implementação, nunca nas fases de identificação do problema e análise da solução. Wisner (1991), traçando um paralelo entre a evolução da ergonomia e as teorias da administração, defende que o primeiro estágio da ergonomia se limitava ao interface homem máquina pressupondo, por parte do operador, uma reação conforme o esquema estímulo-resposta preconizado pela escola behaviorista, conduzindo a uma abordagem taylorista das organizações. A expressão antropotecnologia foi empregada por Wisner para substituir o binômio estímulo resposta por um trinômio onde o significado atribuído pelo operador aos estímulos recebidos do meio passa a ser considerado de fundamental importância numa abordagem cognitiva das organizações. Santos e Fialho (1993), propõem que organizações, vistas como um conjunto de indivíduos, equipamentos e instalações, podem ser entendidas e tratadas como entidades psicológicas onde a produtividade do 'ser organização' e a qualidade de vida dos seres mais simples, nós humanos, que participamos da sua constituição, devemos nos submeter, ainda, a um terceiro fator, o nível de harmonia com o meio ambiente do qual, numa visão autopoiética, são indissociáveis. Empregando, na abordagem do ser complexo 'organização', as teorias de Piaget (1952), propõem que tal entidade possa evoluir dinamicamente em seu meio ambiente, a exemplo dos seres humanos, a partir de: (i) fatores genéticos, como os projetistas imaginaram a organização; (ii) interações sensoriais com o ambiente externo, desempenho concreto da organização e suas trocas com o meio ambiente; (iii) integração social, qual o nível de satisfação mostrado pelos diferentes membros do 'organismo' organização, qual o grau de aceitação pela comunidade e (iv) busca por uma equilibração de suas estruturas cognitivas, quão flexível é a organização a mudanças no seu meio ambiente? A modelagem cognitiva das organizações, vistas como entidades autopoiéticas, permite uma análise dinâmica do desempenho dentro do meio ambiente em que se desenvolve. Esta nova proposta estende a amplitude da ergonomia. O construtivismo rende justiça à dimensão reflexiva das ciências cognitivas e conduz a uma eco-ergonomia. A eco-ergonomia é uma ramificação de que escola ergonômica? Qual é a linha ou tendência que ela segue? Tanto a minha formação como a de meu orientador (Professor Neri dos Santos) é francesa. Fazemos parte dos muito ergonomistas que descendem direta ou indiretamente do Prof. Alain Wisner. Como a eco-ergonomia se relaciona com o conceito de desenvolvimento sustentável - socialmente justo, economicamente viável e culturalmente aceito? A partir do conceito de Ecosofia de Guattari (1990) percebe-se a existência de três ecologias em interação fechada: a ambiental (Gaia), a Humana (Anthropos) e a Social (Socius). A busca por uma solução eco-ergonômica que atenda a estas três ecologias conduz, naturalmente, ao atendimento do conceito do que seja um desenvolvimento sustentável. Como a eco-ergonomia, estando centrada na relação homem x trabalho, pode interferir no ambiente da produção, beneficiar a produtividade e trazer vantagens para o mercado? Crítico para o sucesso e para a sobrevivência de uma organização é sua habilidade para se adaptar ao seu ambiente externo. Classicamente, consideram-se os seguintes aspectos: a) Sócio-econômico, incluindo a natureza da competição e disponibilidade de matéria-prima;Ambientes específicos variam ao longo de duas dimensões que influenciam a eficiência de um projeto organizacional. São elas: a mudança ambiental e a complexidade ambiental. O grau de mudança refere-se a extensão com a qual o meio é dinâmico ou permanece estável ao longo do tempo. O grau de complexidade refere-se ao aspecto de quantidade de meios externos que significativamente influenciam a organização. Essas duas dimensões, mudança ambiental e complexidade ambiental, em combinação, determinam a "incerteza ambiental" de uma organização. O senhor poderia relatar um exemplo de aplicação da eco-ergonomia? Sim. Todas as vezes que se persegue um desenvolvimento sustentável ou um eco-design, está se aplicando eco-ergonomia. Na bibliografia disponível no site indicamos alguns exemplos de trabalhos já realizados nessa linha. voltar O2 A O2 é uma rede internacional cujo foco de interesse é o design sustentável. A organização, fundada em 1988, promove pesquisas para o desenvolvimento de um novo design que respeite o meio ambiente, tendo como áreas de atuação o design experimental, educação, pesquisa, consultoria, eventos e exposições. Com uma interface original, toda concebida em Flash, o vasto conteúdo do site é dividido entre "people", "ideas" e "sources". O primeiro tópico abrange entrevistas com especialistas de vários países, informações sobre os membros constituintes dessa organização não governamental e a exposição dos seus propósitos. No tópico "ideas" o internauta tem acesso a colunas e casos de sucesso, além de uma análise detalhada sobre o livro Factor 4, de Ernst von Weizsäcker, Amory B. Lovins e L. Hunter Lovins. Ainda nessa área do site pode-se acessar os temas, pontos de vista de teóricos e resultados a respeito de workshops promovidos pela organização. Nesse ponto é necessário um pouco de paciência pois a navegação, ainda que visualmente estimulante, não é das mais simples. Em "sources" a O2 disponibiliza calendário de eventos, indicações de livros nas áreas de design, negócios e arquitetura e sugestões de sites relacionados a ecodesign. Ecolink: www.o2.org voltar A Newsletter da comunidade virtual EcoDesignNet é elaborado pela ABIPTI em parceria com o CGECon - MRE. Para entrar em contato, ou para assinar este informativo, envie nome completo, e-mail e nome da entidade para o endereço gestaodesign@abipti.org.br Caso seja de seu interesse deixar de receber este informativo, basta responder este mail, com o título CANCELAR. Telefone: (61) 340-3103; Fax: (61) 273-3600 |
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