Matéria publicada na edição nº 622 do Gestão C&T online, 9 de julho de 200714 - Professor da Coppe aponta desafios para promover inovação tecnológica nas instituições de pesquisa
A manutenção das equipes nas instituições de pesquisa no Brasil ainda é um dos principais desafios a serem enfrentados para se promover a inovação tecnológica no país. A avaliação foi feita hoje (9), por Paulo Emilio Valadão de Miranda, professor do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós Graduação e Pesquisa em Engenharia (Coppe/UFRJ), em entrevista ao Gestão C&T online. Ele foi um dos participantes da mesa-redonda “O papel das instituições científicas e tecnológicas nas atividades para a inovação”, que ocorreu no primeiro dia da 59ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), em Belém (PA).
Segundo ele, a manutenção das equipes é algo custoso, o que não é totalmente suportado pelos órgãos de governo e que acarreta uma rotatividade grande [nas instituições]. “Isso é maléfico para o desenvolvimento do trabalho porque se leva muito tempo para se formar uma pessoa numa determinada área”, disse. Para ele, o Brasil teria uma garantia maior de inovações tecnológicas com aplicações comerciais, industriais e sociais se existissem programas de manutenção de equipes de trabalho em certas áreas, por vários anos contínuos.
Durante o evento, Miranda destacou que não há como realizar inovação tecnológica sem que exista certo número de características nas instituições que garantam isso. Ele destacou a necessidade da realização do trabalho científico básico fundamental. “Um fundamento sólido científico é um requisito para a inovação tecnológica”, disse. Além disso, ele também apontou a necessidade de uma infra-estrutura de qualidade, com segurança e dispositivos modernos que permitam a realização do trabalho científico e tecnológico.
O professor ainda ressaltou o trabalho que hoje é desenvolvido pela Coppe na área de inovação tecnológica. Segundo ele, os conceitos apontados são responsáveis pelo desempenho da instituição. “Ela [Coppe] desenvolveu o trabalho científico de maneira bastante sólida, fez muita interação com as empresas e realizou projetos de grande porte com órgãos financiadores governamentais que garantiram dinheiro para infra-estrutura de qualidade para a equipe”, lembrou.
Além de Miranda, a mesa-redonda também contou com a participação do engenheiro agrônomo Luiz Paulo de Carvalho, pesquisador da Embrapa Algodão e do professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Fernando Galembeck.
(Bianca Torreão, de Belém, para o Gestão C&T online)
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