Matéria publicada na edição nº 625 do Gestão C&T online, 12 de julho de 200710 - Necessidade de planejamento de longo prazo é ressaltada por presidente do CGEE
Com o objetivo de demonstrar o foco estratégico necessário para a atuação das instituições e organizações de CT&I do país, a presidente do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), Lúcia Melo, apresentou hoje (12), na 59ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), a conferência Estudos prospectivos para subsidiar políticas públicas. Na exposição, foi destacada a importância de um planejamento de longo prazo.
Em entrevista ao Gestão C&T online, a presidente do CGEE revela que a implementação de um planejamento de futuro é imprescindível e é importante para nortear as etapas que devem ser seguidas. “Mas também há que trazer a dimensão de avaliação que vai junto e caminha com qualquer estratégia de planejamento de longo prazo”, ressalta. “Acredito que há uma mudança em curso, mas precisa ser intensificada. Precisa ter permanência, continuidade”.
Em sua conferência, Melo explica que o Brasil está à frente, em relação a todos os outros países, nas tecnologias de biomassa e de produção de etanol de cana-de-açúcar. Segundo dados apresentados, o país pode substituir 10% da gasolina utilizada usando somente 3% da terra de seu território. Ainda assim, o Brasil não pode assegurar um desempenho considerável em relação às áreas científicas e tecnológicas. Atualmente, o país é identificado como mediano em relação às tecnologias mundiais.
Em um dos slides apresentados na conferência, Melo demonstrou que a Coréia tem um planejamento definido em ciência e tecnologia para até 2050. Os demais países não têm uma projeção tão longa. O Brasil, por exemplo, tem um plano de ações anunciado para até 2010.
De acordo com a presidente, as novas orientações das políticas e estratégias de CT&I compreendem “crescente centralidade da gestão do conhecimento na procura de desenvolvimento econômico”, assim como a “mudança de valores na sociedade, em especial sobre a importância da democracia e da capacidade das pessoas de controlar seus próprios destinos”.
Para Melo, é possível se construir uma nova “agenda”. Mas ela demanda tempo e terá que superar dificuldades culturais, burocráticas, legais. “Acho que é fundamental que o marco legal seja revisitado. Os modelos institucionais não dão conta dessas interfaces que a gente precisa para essa nova dinâmica do processo de inovação”, avalia. Para ela, há que se buscar, e encontrar, as “janelas de oportunidades”.
(Danilo Godoi, de Belém, para o Gestão C&T online)
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