Matéria publicada na edição nº 622 do Gestão C&T online, 9 de julho de 200712 - Para pesquisador do INPI, instituto não deve ser visto apenas como batedor de carimbos de patentes
Para o pesquisador da área de biotecnologia do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), Alexandre Vasconcellos, o papel do INPI no século XXI não deve ser visto apenas como o de “batedor de carimbos de patentes”. Na sua avaliação, o instituto deve ser visto como uma instituição capaz de levar o conhecimento do sistema de propriedade intelectual para o meio científico e para empresários de todo o país. Ele conta que, nesse esforço, o INPI vem atuando de forma articulada com as secretarias estaduais de C&T para promover cursos e seminários de capacitação em PI. “Já capacitamos mais de 35 mil pessoas”, lembrou.
Vasconcellos disse que hoje a patente “virou moda”. Segundo Vasconcellos, o Brasil já entendeu que é preciso proteger, mas não sabe ainda como fazer. O pesquisador conta que o país possui cerca de 200 patentes concedidas nos EUA. “Só a IBM possui três mil”, salientou. Ele cita que países como EUA reconhecem a importância de proteger os ativos intangíveis e sabem como fazer as patentes. Ele cita como exemplo, a importância dessas patentes para o fortalecimento das empresas. Dados apresentados mostram que a IBM possui 89% do seu valor patrimonial em ativos intangíveis. A cifra da Coca-Cola chega a 95% do valor patrimonial.Patentes
Vasconcellos ainda salientou que os pesquisadores e empresários brasileiros devem utilizar as patentes como base de pesquisa. Ele conta que o documento de patente é acessível e gratuito. “As informações estão disponíveis, mas infelizmente são pouco utilizadas”, observou. O pesquisador conta que, em um processo de depósito de patente, depois de 18 meses de início do trâmite para o patenteamento, as informações já estão disponíveis na íntegra para quem se interessar.
Ele conta que o Brasil tem 15 mil patentes estrangeiras e que, nos EUA, as patentes são cerca de 340 mil. Vasconcellos sugeriu aos empresários e pesquisadores brasileiros que busquem os dados dessas patentes. “Ainda há um mercado enorme para se trabalhar. É possível pegar uma patente analisar todas as suas informações técnicas e copiar o produto para o Brasil”, diz. Ele conta que agindo assim o pesquisador pode atuar de forma lícita e atuar em um mercado a ser explorado.
Vasconcellos conta que hoje a Petrobras e outras poucas empresas, como a Sadia, utilizam da base de patentes para análise sistemática dos mecanismos de propriedade intelectual. Na base de dados do INPI, cerca de 60% das patentes estão disponíveis na íntegra. Segundo o pesquisador, as demais podem ser solicitadas ao instituto.
(Tatiana Fiuza, de Belém, para o Gestão C&T online)
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