Matéria publicada na edição nº 624 do Gestão C&T online, 11 de julho de 200710 - Reitor da UFPA considera que pacto federativo brasileiro não é justo
Para dar um salto significativo em relação à produção do conhecimento na região amazônica, o Brasil precisa reverter a sua noção de pacto federativo. A avaliação foi feita ontem (10), pelo reitor da Universidade Federal do Pará (UFPA), Alex Fiúza, durante a 59ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), que acontece em Belém (PA). Ele foi um dos participantes do encontro aberto Amazônia: Desafio para o Congresso Nacional que contou com a presença de 15 parlamentares da Câmara dos Deputados e do Senado Federal.
Na ocasião, Fiúza disse acreditar que hoje não há reconhecimento dos mesmos direitos dentro do país. Segundo ele, atualmente ainda existem muitos cientistas e políticos que pensam que o conhecimento está destinado a ser produzido apenas por alguns Estados. “É por isso que quando se olha para a Amazônia, só se olha para a natureza, não se olha para a cultura e para as pessoas da região”, avaliou.
O reitor destacou a importância da formação de doutores na região Norte. “Só podemos reverter a noção de pacto federativo mudando a balança do conhecimento”, afirmou. De acordo com ele, são os amazônidas que têm a responsabilidade e um compromisso maior com a região.
Fiúza também lembrou que, ao se lançar uma universidade no Norte do país, o número de vagas oferecidas para os alunos é bem menor em relação às universidades do Sul e do Sudeste. Ele citou, como exemplo, a recém-criada Universidade do ABC, em São Paulo, cujo número de vagas oferecidas foi 700. Já em Roraima e no Amapá, Fiúza afirmou que, quando uma universidade é criada, só são oferecidas 50 vagas. Em Rondônia, o número chega a 100. “Ou nós, como bancada da Amazônia, fazemos uma inflexão sobre isso, ou não teremos densidade científica suficiente para dar saltos”, disse.
Um outro problema apontado por ele diz respeito ao tratamento desigual na contratação de professores. Segundo o reitor, quando se faz um plano de ampliação das universidades, calcula-se o número de docentes a partir do número de alunos. Se houver um aumento de 10% para uma universidade com 700 vagas, há uma ampliação significativa. Mas Fiúza avaliou que se os 10% forem calculados com base em 50 vagas, não há impacto nenhum para a instituição.
O reitor ainda lembrou do exemplo da UFPA que passou de 100 para 800 doutores sem praticamente acrescentar corpo docente nos últimos 20 anos. “Fizemos isso porque qualificamos aqueles que tínhamos”, afirmou. Fiúza também lamentou o fato de a instituição concentrar 40% da produção científica da região. “É uma vergonha, não pode haver essa discriminação”, ressaltou.
(Bianca Torreão, de Belém, para o Gestão C&T online)
voltar
EXPEDIENTE ______________________________________________
ABIPTI - Associação Brasileira das Instituições de Pesquisa Tecnológica
www.abipti.org.br
Presidente:
Luis Fernando Ceribelli Madi
Vice-Presidentes:
Aldair Rizzi, Aristides Monteiro Neto, Isa Assef dos Santos, Kepler Euclides Filho
Secretário Executivo:
Lynaldo Cavalcanti de Albuquerque
Unidade de Informação e Gestão Tecnológica
Gerente:
Alceu Castello Branco - alceu@abipti.org.br
Projeto Informação e Comunicação para os Sistemas Estaduais e Municipais de C&T
Edição Geral:
Márcia Araújo - marcia@abipti.org.br
GO-0987/JP
Editora-Adjunta:
Fabiana Santos - fabiana@abipti.org.br
Web Designer:
Eduardo de Oliveira - eduardo@abipti.org.br
Reportagem:
Bianca Torreão - bianca@abipti.org.br
Danilo Godoi - danilo@abipti.org.br
Ramon Gusmão - ramon@abipti.org.br
Tatiana Fiuza - tatiana@abipti.org.br
Estagiários de Comunicação:
Paulo Brunet - paulo@abipti.org.br
Correspondente Internacional:
Diogo Lopes de Oliveira - diogolop@yahoo.com.br
Apoio:
MCT - Ministério da Ciência e Tecnologia - www.mct.gov.br
Finep - Financiadora de Estudos e Projetos - www.finep.gov.br
Entidades parceiras:
Fórum Nacional de Secretários Municipais da Área de C&T
Conselho Nacional de Secretários Estaduais para Assuntos de CT&I
Fórum Nacional das Fundações de Amparo à Pesquisa