Matéria publicada na edição nº 624 do Gestão C&T online, 11 de julho de 20079 - Professores querem que ações de ensino básico da nova Capes sejam articuladas com política salarial
A política de implantação da nova Capes do ensino básico deve ser articulada com uma política séria de revisão salarial dos professores. Esse foi o maior consenso da mesa-redonda O projeto Capes para o Ensino Básico que aconteceu hoje (11), durante a 59ª Reunião Anual da SBPC, em Belém (PA).
O projeto da nova Capes foi apresentado, hoje (11), pelo conselheiro da SBPC, Carlos Alexandre Netto, que também é pró-reitor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Ele considera a questão salarial dos professores como fundamental. “Mas, se não houver qualificação, também teremos problemas. A atuação da nova Capes pode articular as duas políticas”, avaliou
Para o professor de física ambiental da Universidade Federal do Pará (UFPA), Alexandre Rodrigues, a má formação e a questão salarial devem ser consideradas como prioritárias nesse novo projeto. “É muito difícil querer que os melhores talentos empreendam esforços nessas áreas porque eles ganham mal”, disse.Estrutura
Alexandre Netto conta que a nova instituição terá como proposta financiar com bolsas e custeio a formação e a qualificação de professores da educação básica. Dados apresentados por Netto mostram que mais de 25% dos professores atuantes na cadeira de matemática não possuem uma formação específica. No caso da química, o percentual de formação cai para 13%. Em último lugar, aparece a física, com 9%.
Além disso, o professor aponta que há um déficit de mais de 230 mil professores de ensino médio em toda a rede de ensino no Brasil. Ele conta que, entre 1990 e 2001, foram formados em licenciaturas cerca de 450 estudantes. “Será que teremos um apagão do ensino?”,questionou.
Segundo Netto, o Brasil investe, por ano, 944 dólares por aluno, cujo rendimento escolar chega a 398 pontos. Os números de investimentos são bem menores se comparados com a Finlândia, que investe mais de 7 mil dólares por aluno e obtém um retorno de rendimento escolar de 548 pontos.
A diretora da Associação dos Docentes da Universidade Federal do Pará (Adufpa), Vera Jacob,considera que a origem dos problemas na educação básica está na falta de investimentos. “Podemos criar milhares de Capes com pesquisadores renomados, mas, se não houver investimentos em educação, de nada adiantará”, criticou. “Ainda precisamos resolver uma série de problemas que são importantes para que a Capes não perca a sua qualidade”.
Outro problema na Capes do ensino básico foi apontado pelo professor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Mário Castanho, que considera importante a nova instituição avaliar que tipo de formação os professores estão recebendo. “Cerca de 90% dos professores da educação básica são formados nas instituições particulares e muitas recebem baixos conceitos do MEC nas avaliações”.
A proposta, segundo Netto, é que nova Capes tente amenizar essas questões. A idéia é que os professores sejam qualificados por meio da educação a distância na área de licenciatura promovida pela Universidade Aberta do Brasil (UAB). Além disso, a Capes irá oferecer bolsas de até 900 reais para os professores que se aperfeiçoarem.
O professor explica que a Capes terá como função atribuir padrões de metas e desempenho e deverá priorizar a qualificação em áreas estratégicas e carentes de formação específica. “A nova Capes precisa da articulação da sociedade científica e da contribuição de todas as universidades”, avaliou Netto. Segundo o professor, os recursos para a implantação do novo sistema já foram garantidos pelo presidente da Capes, Jorge Guimarães.
O projeto de lei que estava tramitando no Congresso e que modifica a forma de atuação da Capes foi aprovado no último mês de junho. Agora, a proposta aguarda a sanção presidencial.
(Tatiana Fiuza, de Belém, para o Gestão C&T online)
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