Matéria publicada na edição nº 623 do Gestão C&T online, 10 de julho de 20075 - Amazônia precisa de um programa nacional, diz pesquisador
O Brasil precisa criar para a Amazônia um programa nacional, assim como existe hoje um Programa Espacial e um Programa Nuclear. Essa é a opinião do pesquisador Celso Pinto de Mello, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).
Segundo Mello, há ações pontuais que devem ser desenvolvidas na região, mas é preciso um forte apoio do governo federal. O pesquisador conta que ainda é preciso entender a região e como poderão ser desenvolvidas as ações. “Como podemos levar a inclusão social para uma região que precisa de preservação e que precisa manter a sua biodiversidade?”, indagou.
Ele conta que são necessárias ações nas áreas de saúde, telecomunicações, distribuição de energia, transporte e logística, navegação e materiais. Uma proposta do pesquisador é que o governo implante na região um satélite geoestacionário que seria capaz de avaliar as reais necessidades da Amazônia.
“Todo o monitoramento de queimadas é feito pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), em São Paulo. Agora, imagine se a universidade do Pará fizesse o monitoramento das enchentes do rio Tietê. O Inpe avalia a Amazônia, mas não tem sequer um instituto na região”, observou.
Mello ressaltou que a Amazônia precisa de pesquisadores e institutos de pesquisa atuando na região. Segundo o pesquisador, o governo federal anunciou, recentemente, a criação de mais duas usinas hidrelétricas no Norte do país. “Quantos Estados possuem graduação em engenharia elétrica na região? Só um.”
O pesquisador diz que há um contraponto entre as ações de infra-estrutura implementadas pelo governo e a possibilidade de se utilizar a pesquisa e os pesquisadores da região para auxiliar nas ações. “Daí, temos a Finep e o CNPq aprovando propostas de apoio à pesquisa, para subsidiar a implantação dessas hidrelétricas, só com instituições de outras regiões”.
De acordo com o pesquisador, a proposta é atuar na sensibilização do governo.
“Não temos uma solução, mas temos uma ação política”, observou. Mello ainda sugeriu ao governo que crie políticas afirmativas para a Amazônia. Na sua opinião, a região deve ser tratada como uma solução para o Brasil e não como um problema. “Precisamos de um projeto de nação”, afirmou.
(Tatiana Fiuza, de Belém, do Gestão C&T online)
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