Matéria publicada na edição nº 622 do Gestão C&T online, 9 de julho de 20078 - Empresário da Amazônia diz que prefere não utilizar recursos do governo para investir em inovação
O empresário do Grupo Ciex, Davis Benzecry, acredita que as empresas hoje estão investindo em inovação, não por conta dos incentivos ou financiamentos do governo, mas por uma exigência do mercado.
“Para mim, quanto menos dinheiro do setor público envolvido, melhor”, salientou. Ele reconheceu que sabe que existe uma Lei do Bem, mas que não tem o menor conhecimento do que ela traz de benefícios.
“Uma empresa que não conhece os benefícios da Lei do Bem está hoje perdendo dinheiro” rebateu Maurício Mendonça, gerente executivo da Unidade de Competitividade Industrial da Confederação Nacional da Indústria. “Eu admiro uma empresa tão inovadora não buscar esse tipo de benefício”, completou.
Mendonça considera que a CNI vem trabalhando para criar mecanismos de financiamento e inovação na área de inovação. “O governo tem outras prioridades, como saúde, transporte e educação. Quando se tem dinheiro para inovação, tem que se aproveitar”, salientou.
Ele explica que existem dois tipos de inovação, aqueles que são incrementais e os que promovem radicalmente uma inovação. Mendonça cita como exemplo os novos iPhones, produzidos pela Apple. A tecnologia inovadora, segundo Mendonça, que irá desbancar tudo o que a gente conhece como tecnologia de celular, precisou de muitos recursos para ser desenvolvida. Para casos assim, o gerente considera que os investimentos públicos são fundamentais.
No caso brasileiro, Mendonça avalia o investimento público como uma questão fundamental. Isso porque, na sua opinião, as taxas bancárias cobradas pelos bancos privados para os investimentos em inovação são inviáveis.Investimento em P&D
Na opinião de Benzecry ,inovar não é apenas investir em P&D, mas em todo o processo da empresa, como gestão, recursos humanos e ambiente. Benzecry sugeriu parcerias entre institutos, universidades e empresários. “Mas, não só para P&D. A parceria em administração de empresas, por exemplo, também é importante para auxiliar na gestão da empresa” , observou.
Benzecry ainda brincou com um trocadilho recorrente. “Não sabemos se investimos pouco em P&D porque temos poucas patentes, ou se temos poucas patentes porque investimos pouco em P&D”. Ele conta que a região amazônica deve procurar inovar com os produtos existentes. A castanha, a juta, o açaí e os óleos essenciais são exemplos de produtos citados pelo empresário que podem ser incrementados e ainda ganhar mercado.
(Tatiana Fiuza, de Belém, para o Gestão C&T online)
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