Diretor do CGEE é o
novo entrevistado da Seção
Impressão
O
diretor do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), Antonio
Carlos Filgueira Galvão, aponta, em entrevista ao Gestão C&T
online, as expectativas em relação ao Plano de Gestão
Estratégica da ABIPTI. A iniciativa, que teve início em
2009, está sendo coordenada pelo CGEE e deverá nortear a atuação da
Associação nos próximos anos.
Para
definir e validar as questões centrais do planejamento, será realizado,
hoje (12) e amanhã, na sede do centro, em Brasília (DF), um workshop que reunirá a direção, associados, parceiros e demais
interessados na ABIPTI para redefinir o papel da Associação no Sistema
Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação. “O workshop é um
momento decisivo do plano”, destaca Galvão. Veja, a seguir, a entrevista
na íntegra:
Qual é a
importância de uma instituição como a ABIPTI, de caráter representativo,
ter um Plano de Gestão Estratégica? O que representa o PGE para uma
instituição com esse
perfil?
O plano é um
momento importante da história da Associação porque ele permite, de um
lado, que se produzam entendimentos convergentes sobre o que deve ser
feito pela ABIPTI. A Associação é uma unidade de várias partes e cada
uma tem seus próprios projetos, perspectivas e ambições em relação ao
seu papel no Sistema Nacional de Ciência e Tecnologia. O plano catalisa
entendimentos abrangentes dos vários associados, consolidando, portanto,
uma visão sobre a instituição e suas
atividades.
A ABIPTI tem uma missão
e uma das questões em discussão no plano é uma revisão dos elementos
constitutivos essenciais da Associação: quem são os associados, por que
estão ali, quais as suas ambições em relação ao trabalho da Associação,
o que a instituição prioritariamente deve fazer. Isso é o que define o
escopo de tudo o que estamos realizando em relação ao Plano de Gestão
Estratégica da ABIPTI.
Ao
considerar o cenário da C&T nacional atual, de onde vem a
necessidade de repensar o papel da
ABIPTI?
O PGE tem um
significado especial porque o Brasil vive um momento de fortalecimento
da política científica, tecnológica e de inovação. Claro que isso não
começou ontem, mas esse processo vem se desencadeando há alguns anos e
sentimos que o Brasil está em vias de mudar de patamar na sua relação
com a ciência, tecnologia e inovação. Essa conexão entre sociedade,
economia e CT&I passa a ser cada vez mais orgânica, com o
desenvolvimento brasileiro avançando para novos horizontes. E isso
é mais uma razão para repensarmos o espaço de atuação da ABIPTI,
inclusive o atual significado do núcleo original dos institutos de
pesquisa tecnológicos e os nexos e relações surgidos com essa crescente
complexidade do setor. Também por conta disso é preciso rever antigas
definições da Associação e reavaliar o papel da ABIPTI na nova era da
CT&I.
Na sua opinião, qual deve ser o
papel da diretoria e do conjunto de associados na construção e execução
do PGE?
O papel de todos é
obviamente muito importante. O que almejamos é propiciar o
compartilhamento desse momento de reflexão com os atores mais
significativos da Associação. Isso significa uma oportunidade para cada
associado analisar, avaliar e expor a sua maneira de ver o sistema, sua
expectativa em relação ao que se desenha para o futuro na área, trocando
ideias com as outras instituições parceiras na reestruturação da
Associação.
A participação da
diretoria no processo é decisiva. O planejamento também é um ato
delegado, consentido, de quem, de fato, tem a incumbência de tomar
decisões pela Associação. O envolvimento da direção da ABIPTI é
absolutamente imprescindível para que o Plano de Gestão Estratégica
alcance os resultados esperados e possa, portanto, produzir os efeitos
desejados.
Mas os associados também
têm um papel fundamental nesse exercício. Os associados trazem o
sentimento das unidades que formam a Associação, quais as suas
dificuldades e como a ABIPTI pode colaborar com eles. Cada associado tem
no PGE também um momento de reflexão e a possibilidade de construir um
espaço para as suas ideias. Então, não basta apresentar as propostas no
PGE, mas também negociar, articular, trocar informações e formatar os
acertos institucionais que fortaleçam a
Associação.
Qual a sua
avaliação com base no que foi levantado até
agora?
A etapa de
diagnóstico dos problemas da Associação, das questões que incomodaram
quem decidiu realizar um Plano de Gestão Estratégica, está bastante
avançada. Só não dizemos que está concluída porque esse processo não se
conclui totalmente antes do término do plano. No workshop, por
exemplo, teremos a oportunidade de rever essas
questões.
O estado da arte atual do
plano é o seguinte: construímos a matriz de forças, fraquezas
oportunidades e ameaças que organiza e classifica os enunciados
capturados nas entrevistas, na consulta via web e nos materiais
acessórios produzidos com as opiniões de todos. O cruzamento desses
enunciados espelham os entendimentos sobre quais são os
imperativos, as trajetórias esperadas para a CT&I e os fatos
portadores de futuro, que vão incidir sobre a atuação da ABIPTI . Também
elencam as percepções sobre o desempenho, as questões internas a
considerar e as características almejadas para as atividades de gestão
da Associação. Com isso, temos um arsenal de conhecimentos disponíveis
para orientar a tomada de decisão da ABIPTI daqui para
frente.
Então, essas
informações já estão
disponíveis?
Estão sim.
Preparamos todo o material necessário para convidar os parceiros,
direção, associados e outros eventuais interessados na ABIPTI para
discutir e deliberar sobre o futuro da Associação. Todo esse arsenal de
informações, reflexões, expectativas, visões de futuro, propostas de
revisão da missão e redesenho do perfil da Associação estão hoje a
serviço do processo desencadeado pelo
PGE.
Qual é a sua
expectativa como coordenador do planejamento em relação ao workshop que será realizado hoje e
amanhã?
O workshop é um momento decisivo do PGE. Não é à toa que o evento
é chamado “Workshop Questões Centrais”. Ele é um divisor de
águas do planejamento. A partir dele será possível dar forma ao plano
propriamente dito. Nós analisamos, avaliamos, diagnosticamos,
mobilizamos as pessoas para emanarem as suas opiniões, organizamos esse
conjunto enorme de informações e agora vamos encaminhar decisões. As
deliberações ocorrerão por etapas, mas serão ensaiadas ao longo desses
próximos dias.
A expectativa com o workshop é enorme. Com ele, teremos uma primeira resposta
coletiva, construída a partir dos entendimentos intersubjetivos das
várias percepções que as pessoas têm sobre o que a ABIPTI deve ser ou
fazer.
Dentro das inúmeras
ações desse tipo coordenadas pelo CGEE, quais os resultados obtidos até
o momento pelas instituições trabalhadas? O senhor poderia destacar
algum exemplo?
Temos
várias ações que, de uma forma ou de outra, lidaram com as metodologias
de planejamento estratégico. O que fazemos no CGEE é voltado para uma
finalidade maior: informar a política de ciência, tecnologia e inovação.
O que fazemos, seja nos estudos prospectivos, de planejamento e
avaliação estratégica ou em gestão da informação, está orientado para
essa finalidade maior do centro, que justifica sua
existência.
Quando
lidamos com o planejamento estratégico, abordamos uma variante dessa
mesma problemática geral do centro que é atuar em políticas públicas na
área de ciência, tecnologia e inovação. A ABIPTI é um personagem central
nisso e o centro tem vários exemplos como esse da Associação. O exemplo
mais mais próximo e que gerou todo um resultado importante foi o
planejamento estratégico realizado para a Finep, concluído no ano
passado e que se desdobrou agora num detalhamento das ações estratégicas
objetivas que foram retiradas do
plano.
Além da Finep, que é
uma agência de fomento, quais outras instituições da área de CT&I
foram contempladas por esse processo com o apoio do
CGEE?
Nós fizemos o
planejamento institucional de todos os institutos do MCT, como o
Observatório Nacional, o Museu de Astronomia e Ciências Afins, o
Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o Laboratório Nacional
de Astrofísica, entre
outros.
Também temos alguns
esforços como o que fizemos com as Organizações Estaduais de Pesquisa
Agropecuária (Oepas), iniciativa que tem um sentido muito semelhante ao
que realizamos hoje na ABIPTI.
A
partir desse trabalho, foi possível recuperar um conjunto institucional
importante que estava meio “maltratado” neste momento da história do
Brasil. Foi repensado estrategicamente o que deveria ser feito e depois
desdobrado em planos objetivos para cada Oepa. Cada organização
construiu um plano à luz das orientações maiores que foram elaboradas
coletivamente.
Ao final, geramos um
programa na Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) de R$
300 milhões, onde o CGEE planejou essa iniciativa e apoiou as decisões
de implementação objetiva ou de ações que envolveriam o programa de cada
uma das Oepas. Temos outros exemplos, mas talvez esses sejam o que se
destacam dentro do que temos feito na área de
planejamento.
O senhor
acredita que esse trabalho desenvolvido pelo CGEE na formulação de
planejamentos estratégicos é fundamental para o
SNCT?
Sabemos que as
deficiências de gestão e, em linhas gerais, de avaliação,
acompanhamento, planejamento são ainda muito grandes no sistema e
qualquer coisa que fortaleça essas atividades, sistematize essas
iniciativas, é muito
importante.
Acho que essa é uma
questão que temos que pensar no PGE da ABIPTI também. Embora seja um
momento especial a elaboração do plano, o que nós desejamos é que a
Associação assuma funções de transformar várias das nossas reflexões em
atividades recorrentes da ABIPTI. A Associação já mantém um bom canal de
comunicação com os seus afiliados e com os pares do Sistema Nacional de
Ciência e Tecnologia por meio do informativo Gestão C&T online, que
já virou uma rotina apesar de todas as turbulências pelas quais a
Associação passou.
O planejamento
da ABIPTI com o envolvimento dos associados deve passar pelo mesmo
processo e também ser objeto de periódicas revisões e reaproximações.
Tenho certeza e posso antecipar que isso sai como uma das orientações do
próprio plano que está em construção. Acredito que essa é uma dimensão
muito importante para o PGE, consolidar sementes que se repliquem em
vários níveis, em diversos ambientes, em especial dentro da própria
Associação.
(Bianca Torreão para o
Gestão C&T online)
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