|
8 e 9 de março
de 2001 - Curitiba (PR)
I. Eleição
da nova diretoria do Fórum para o biênio 2001/2002.
II. Estruturação dos Comitês Regionais
e escolha dos representantes das regiões no Comitê Executivo
do Fórum.
III. Apresentação e discussão
sobre os programas de Políticas Públicas dos Estados no
âmbito da área de C&T.
IV. Apresentação e discussão
dos Fundos Setoriais, do PADCT, Pronex, Institutos do Milênio
e discussões e debates sobre o Programa de Ações
Regionais do Ministério da Ciência e Tecnologia.
V. Durante a reunião o ministro da Ciência
e Tecnologia, Ronaldo Sardenberg, analisou os programas estruturantes
e os programas de vocação regional do MCT; o projeto de
Diretrizes e Estratégias para C,T&I para os próximos
10 anos e o lançamento, pelo presidente Fernando Henrique Cardoso,
da Agenda de Governo, com realce para as ações de C&T.
VI. Na oportunidade, o Fórum definiu três
ações para o ano de 2001:
1. marcar a presença
do Fórum Nacional de Secretários Estaduais para Assuntos
de Ciência e Tecnologia na atual política nacional de
C&T;
2. desenvolver uma nova política de integração
das ações de C&T entre os Estados;
3. estruturar a Secretaria-Executiva do Fórum Nacional de Secretários
Estaduais para Assuntos de Ciência e Tecnologia em Brasília
(DF), que, a partir de então, ficou a cargo da Associação
Brasileira das Instituições de Pesquisa Tecnológica
(ABIPTI).
REUNIÃO DO FÓRUM NACIONAL DOS SECRETÁRIOS ESTADUAIS
DE CIÊNCIA E TECNOLOGIA
Embaixador Ronaldo Mota Sardenberg
Ministro da Ciência
e Tecnologia
Curitiba, 08/03/2001
Excelentíssimo Governador
Jayme Lerner,
Senhores Secretários
Estaduais de Ciência e Tecnologia de todo o
Brasil,
Senhoras e Senhores,
Em
primeiro lugar, desejaria expressar minha satisfação por
visitar novamente o Estado do Paraná, terra de meus pais e meus
avós, e onde vive uma parte muito importante de minha família.
No
ano passado, aqui estive, em maio, para a IX Simpósio Internacional
da Produtividade e, em agosto, para a 4ª Conferência Internacional
em Política Tecnológica e de Inovação. Ambos
esses eventos denotam o firme e conhecido compromisso com o futuro por
parte do Paraná, seu governo e seu povo.
Ao
comparecer a esta primeira reunião de 2001 do Fórum Nacional
dos Secretários Estaduais de Ciência e Tecnologia, prossigo
em um esforço que, em trinta dias, me levou a cinco capitais do
Nordeste e à região de Xingó. No início deste
ano momento mesmo em que os novos recursos mobilizados pelo Presidente
Fernando Henrique Cardoso e pelo MCT se tornaram efetivamente disponíveis
para o avanço da ciência e tecnologia brasileira procurei
simbolizar com tais visitas de trabalho o nosso compromisso com as diferentes
regiões do Pais e seu desenvolvimento, avanços na informação
e no conhecimento e no bem-estar de seu povo.
Tanto
é verdade que as relações de cooperação
de que o MCT é parceiro se estendem ao conjunto das unidades das
Federações que, no decorrer dos próximos sete dias,
estarei visitando, além de Curitiba, também o Rio de Janeiro
e Sâo Paulo.
Compartilhamos
estou seguro a profunda convicção de que a
capacidade de gerar e difundir informação e conhecimento
vai forçosamente diferenciar as nações no século
que se inicia. Será por meio do desenvolvimento dessa capacidade
que o nosso Pais avançará na melhoria das condições
de vida da população, que geraremos emprego, redimiremos
nossas condições sociais e alcançaremos os objetivos
do desenvolvimento econômicos. Aqui nos reúne a convicção
de que este é o caminho certo.
Estaremos
discutindo os temas que orientarão as ações conjuntas
do Fórum e do MCT e suas agências ao longo deste ano. Não
vou avançar agora neste debate, do qual participarão vários
dos membros da equipe dirigente do MCT, como, alias, já se tornou
urna prática corrente de nossos encontros com o Fórum.
Lembro,
porém, que a realização da Conferência Nacional
de Ciência e Tecnologia será um importante terno a ser focalizado
em nossa reunião.
Hoje
realçarei que o MCT esta promovendo um esforço de grande
porte para o mapeamento do futuro da ciência e tecnologia brasileira,
no qual se incluem em abril a comemoração do cinqüentenário
do CNPq, a realização em setembro da Conferência Nacional
de Ciência e Tecnologia e o conseqüente processo até
dezembro de elaboração, com a participação
da comunidade científica, de um conjunto de diretrizes de política
de C&T para o decênio que se esta abrindo.
Esses
eventos se assentam no êxito das atividades empreendidas pelo CNPq
de formação de recursos humanos e de fomento da pesquisa
e, também no alto patamar de entrosamento hoje predominante entre
aquele, o MCT e suas agências.
Esta
noite formalizamos a parceria do MCT e de suas agências com o Estado
do Paraná. É com satisfação que noto empenho
do Paraná no sentido promover seu desenvolvimento a partir da ciência
e da tecnologia. O Paraná, note-se, aparece na honrosa quinta posição
no ranking nacional do Diretório de Pesquisa 2000 do CNPq, tanto
em número total de pesquisadores, quanto em número de doutores.
Apenas
como exemplo desse empenho, registraria a notável ação
induzida, na área de formação e qualificação
de recursos humanos, que resultou em um enorme salto nas últimas
décadas. De apenas um doutor na área de informática
em 1986, Curitiba conta hoje com nada menos do que três cursos de
doutorado de alto nível. Como resultado dos investimentos em pesquisa
e desenvolvimento na área de tecnologia da informação
e comunicação, o faturamento atual das empresas paranaenses
nesse campo o segundo maior do Pais.
O
Paraná também sobressai na pesquisa agropecuária.
Os trabalhos do Instituto de Pesquisa Agronômicas do Paraná,
nas últimas três décadas, permitiram mudar radicalmente
o perfil da agropecuária deste Estado.
Outro
exemplo é o Instituto de Tecnologia do Paraná que, em 60
anos de existência, presta relevantes serviços na área
de imunobiológicos e na pesquisa e prestação de serviços
tecnológicos e industriais.
Não
poderia de registrar os avanços realizados na área da meteorologia.
O Instituto Tecnológico Sistema Meteorológico do Paraná
(SIMEPAR) é uma das mais importantes instituições
brasileiras que, com o apoio do CPTEC, do Ministério da Ciência
e Tecnologia, atua em pesquisa, geração e ap1icação
de informações meteorológicas.
Assim,
temos amplos motivos de satisfação para anunciarmos hoje,
por meio do convênio, a intensificação de nossas relações
com o Estado do Paraná. Muito em breve será criado o respectivo
Comitê Gestor para que juntos possamos definir nossas próximas
ações.
Senhor Governador,
Senhoras e Senhores,
Estamos
trabalhando no sentido da elaboração das Agendas do Conhecimento
e da Inovação, como instrumentos da definitiva inserção
da ciência e tecnologia brasileiras, na corrente principal da vida
política, social e econômica do Pais.
Temos
consciência da gama de importantes conquistas do Brasil no campo
da pesquisa e desenvolvimento. Agora, porém, podemos ampliar nossa
visada e, com clareza e determinação, preparar as diretrizes
que embasarão a Política Nacional de Ciência e Tecnologia,
como instrumento do desenvolvimento e da inserção do Brasil
na nova Economia mundial.
Essa
tarefa requer uma sólida base de conhecimento como alicerce das
ações e exige capacidade de prospecção e de
aprender com a experiência. Demanda acompanhamento e avaliação,
com atenção meticulosa sobre o que ocorre no presente. Deve
examinar as numerosas tendências presentes ou em formação,
identificar possíveis caminhos e gerir o novo conhecimento e sua
aplicação com vistas à. obtenção de
resultados relevantes para a sociedade. Depende a política de instituições
estruturadas e saudáveis, capazes de efetiva e rápida resposta
ou adaptação as mudanças que encaminham o futuro.
É
preciso que os Governos Federal e Estaduais formulem e conduzam, em permanente
articulação, suas respectivas políticas de C&T.
Se consideramos as pressões geradas pelas necessidades da competição
global e regional, toma-se necessário ter clareza sobre as perspectivas
internacionais e a dar resposta cabal à questão do papel
da ciência e tecnologia brasileiras num quadro de mudanças
mundiais, como deslocamentos econômicos e o aprofundamento da marginalização
em grande escala.
Este
contexto nos encoraja a:
- reorientar a cooperação
internacional, com o objetivo de atrair investimentos em pesquisa, de
forma seletiva e articulada com nossas estratégia de crescimento
e interesses tecnológicos e comerciais; e a integrar melhor as
agendas econômica e tecnológica, com ênfase na competitividade
empresarial, nas exportações e nas atividades de pesquisa
e inovação do setor privado.
Na
verdade, da discussão justa, mas interminável, quanto à
carência de recursos, passamos em escassos doze meses para a consideração
objetiva quanto à melhor maneira de colocarmos Os novos recursos
a serviço da ciência e da inovação.
A
implementação dessas e de outras linhas de ação
tomou-se mais tangível e premente com a criação dos
Fundos Setoriais de financiamento à pesquisa e ao desenvolvimento
tecnológico.
Trabalhamos
agora sobre questões concretas, em função não
apenas do aumento do volume de recursos destinados ao setor, mas, sobretudo,
em razão da nova modalidade de gestão associada aos Fundos
uma gestão compartilhada entre os diversos parceiros, que
provera major transparência e legitimidade dispêndios públicos
em nossa área.
O
orçamento de pesquisa do MCT para o período 2001-2003 reflete
o esforço federal, alcançando cerca de $ 1 bilhão
e 800 milhões de reais este ano. Estamos-nos mobilizando para a
criação dos novos fundos, nas áreas de saúde,
agro-negócios, biotecnologia e aeronáutica.
Desejaria
fazer ainda uma pequena menção à implementação
do Fundo de cooperação universidade e empresa, o chamado
Fundo Verde Amarelo, que foi aprovado ao final de 2000. Este é
um instrumento que fará enorme diferença em termos dos mecanismos
disponíveis até agora, seja em razão do montante
dos recursos previstos $ 180 milhões de reais, este ano
seja pela abrangência das oportunidades de desenvolvimento
tecnológico que poderia abrigar.
O
Fundo Verde-Amarelo nos permitirá, enquanto continuamos a importar
tecnologia do exterior, incrementar a capacidade de geração
tecnológica do País, o que, por si só, é uma
chave estratégica essencial de definição do futuro
comum.
O
total de recursos previstos para os Fundos, no período 2001-2003,
é, no momento, da ordem de $ 3 bilhões de reais, o que promoverá
a aceleração da regionalização do esforço
em pesquisa e desenvolvimento.
Senhor Governador,
Senhoras e Senhores,
Ao
iniciarmos esta jornada do Fórum Nacional de Secretários
Estaduais de Ciência e Tecnologia, desejaria convidar a todos para
continuarmos a perseverar nesse caminho comum, que se tem mostrado promissor
e já começa a apresentar resultados.
Somos
assegurados hoje condições e instrumentos nunca antes disponíveis.
Vivemos uma oportunidade histórica e, diria, única
de superarmos as desigualdades internas e de redefinirmos, de maneira
plena e eqüitativa, a inserção do País na sociedade
e na economia mundiais. Não recuaremos diante desse desafio.
Muito Obrigado.
|