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40ª REUNIÃO
DO FÓRUM NACIONAL DE SECRETÁRIOS
DE ESTADO PARA ASSUNTOS
DE CIÊNCIA E TECNOLOGIA
Belo Horizonte, 21 de outubro
de 1996
EIoi Fernández
y Fernández (Presidente do Fórum
d e Secretário do Estado de C&T do Rio 1e Janeiro)
Abro esta 40ª
Reunião saudando os Srs. Secretários e Representantes
e passo a palavra ao nosso anfitrião, Deputado Estadual Mauro
Lobo Martins Júnior, Secretário de Estado de C&T de
Minas Gerais.
Mauro Lobo Martins
Júnior
"Saúdo os
Srs. Secretários dando-lhes as boas vindas e aproveito a oportunidade
para ressaltar o compromisso do Governo Federal com a C&T, o que
neste momento é absolutamente vital. Parabenizo o Ministro Israel
Vargas pela sua gestão, que já se iniciou há quatro
anos, ainda no Governo Itamar e que, pela continuidade administrativa,
apresenta resultados reconhecidos pela sociedade."
José Israel
Vargas (Ministro de Estado da C&T)
O MCT vem realizando,
no Governo Fernando Henrique Cardoso, uma política de ampliação
e indução dos gastos em C&T pelos setores público
e privado, sendo que já passamos de uma participação
dos gastos de C&T de 0,7% do PIB em 1995, para urna participação
de quase 1% em 1996. A indução à ampliação
dos gastos em C&T pelo setor privado tem sido feita principalmente
através das Leis 8661 e 8248. Por último ressalto achar
de extrema importância que demos continuidade à política
de articulação das ações entre o Governo
Federal e os Estados, conforme este Fórum vem desenvolvendo
EIoi Fernández y Fernández
Agradeço
a participação do Ministro, sem duvida contamos com sua
parceria neste projeto da C&T para o desenvolvimento regional. Muito
obrigado. Na seqüência dos trabalhos vamos fazer uma inversão
de pauta expondo o estágiio atual da reestruturação
da 3ª versão do PADCT programada para daqui ha 10 minutos.
Phactuel Machado
Rego (Representante do Secretário executivo
do PADCJ.)
Estamos em estágio
avançado de negociação com o Banco Mundial. A proposta
inicial deste programa já foi aprovado pela COFIEX. O PADCT III
deverá ter diferenças bastante significativas em relação
ao PADCT II. Este último foi, e está sendo, um programa
de investimento em pesquisa e desenvolvimento realizada, fundamentalmente,
no meio universitário. Embora, o PADCT II desse ênfase
à relação universidade / empresa, na realidade
o seu centro de gravidade estava na instituição de pesquisa
pública, nas universidades e institutos de pesquisa. O próximo
programa deverá ter 3 instrumentos distintos, em vez da única
modalidade do PADCT II. Terá Subprogramas de C&T que serão
a continuação do PADCT II. Nestes Subprogramas de C&T
deve-se manter a característica de indução e de
competição, isto é, Os centros devem apresentar
as suas propostas sendo julgadas pelos comitês assessores. Cerca
de 40% dos recursos do PADCT III serão destinados aos Subprogramas
de C&T. Não existe ainda uma decisão sobre que programas
de C&T serão estabelecidos. Mas, muito possivelmente, uma
boa parte serão a continuação daqueles que no PADCT
II tiveram performance adequada. No momento estão se realizando
a avaliação de todos estes Subprogramas. Um segundo instrumento
do PADCT III será o de Subprogramas cooperativos. Aqui é
que vai ocorrer a major transformação, este instrumento
é destinado, sobretudo, a alavancar a maior participação
do setor privado no financiamento da pesquisa e desenvolvimento. Cerca
de 50% dos recursos do PADCT III serão destinados aos Programas
Cooperativos. No desenho do Programa este instrumento é o que
apresenta maior dificuldade na sua estruturação, possivelmente
será o instrumento do PADCT III que permitirá arranjos
de cooperação com os Estados. Esperamos que em meados
de novembro tenhamos uma definição do esquema operacional
dos Programas Cooperativos. O terceiro instrumento, do PADCT III serão
as atividades de suporte setorial. No PADCT II alguns Subprogramas eram
de natureza horizontal como a questão de informação
ou a gestão tecnológica. Enquanto outros Subprogramas
eram verticais como a biotecnologia ou a química. Havia outros
programas chamados horizontais que se destinavam a prestar serviços
ou fornecer suporte estratégico para as demais áreas.
No PADCT III ao invés de estarem estruturados como Subprogramas
horizontais terão outra estruturação objetivando
uma melhor integração com os demais Subprogramas. Resumindo,
o PADCT III que mobilizará, em cinco anos, cerca de 600 milhões
de dólares, 300 do Banco Mundial e 300 como contra partida, sendo
50% aplicados em Subprogramas Cooperativos, cuja função
básica é a alavancagem de recursos da iniciativa privada.
Também permitira as parcerias com outros setores do governo e
outras jurisdições de governo, particularmente estaduais.
40% serão destinados aos Subprogramas de C&T, será
uma continuação, com aperfeiçoamento do PADCT II,
e 10% destinados a atividades de suporte setorial. Estou à disposição
para esclarecimentos.
Neri dos Santos (Presidente
da Fundação de C&T de Santa Catarina)
Tenho algumas
considerações a fazer sobre o PADCT. Dentro da visão
dos Programas Cooperativos, temos que analisar duas direções:
a participação da iniciativa privada e a participação
dos estados através das FAPs. Acredito que o PADCT III
pode ser um programa indutor, obrigando os estados a investirem efetivamente
em C&T. Deveríamos desenvolver, a nível do Fórum
Nacional de Secretários de Estado de C&T junto com os presidentes
das FAPs, uma proposta com o CNPq, para que dos 50% destinados
aos Programas Cooperativos, 20% sejam para Programas Cooperativos com
os Estados. Não sei se existe este tipo de abertura por parte
do CNPq, mas acho que seria extremamente conveniente.
Phactuel Machado
Rego
Certamente, estes
programas cooperativos terão por objetivo alavancar participação
também dos estados. Entretanto, ainda está nebulosa a
forma de estruturação. Seria bem vinda uma sugestão
do Fórum quanto a critérios, inclusive sugestões
de mecanismos. Mas isto teria que ser incorporado a negociação
que não é simples. No PADCT III o Banco Mundial está
fazendo uma série de exigências, colocando condicionantes
que teremos que equacionar dentro destes novos parâmetros. A idéia
é que o programa tenha uma ação privativa, procure
de fato os Estados para aproveitar oportunidades e mobilizar recursos
disponíveis. A colaboração com os Estados é um elemento importante do PADCT III.
João Vicente
de Abreu Neto (Vice Presidente do Fórum.
Secretário de Estado de C&T do Maranhão)
Devido ao problema
de tempo, sugiro que façam suas perguntas e o Dr. Phactuel responda
de uma vez só.
Lynaldo Cavalcanti
(Presidente da ABIPTI)
Sempre se diz
que vai haver participação dos Estados, mas o como, ninguém
define. Também noto que se confunde a palavra FAP, com agência
de fomento, com o sistema estadual de C&T. São coisas diferentes.
Um sistema deve ter uma política, um planejamento, uma proposta,
prioridades, programas, etc. Já a FAP é uma agência
de fomento que deve executar, ou expressar esta política.
Mauro Osório (Secretário Executivo do Fórum)
A forma de repasse
dos recursos na parte cooperativa vai ser via empréstimos? Qual
será a taxa de juros?
Pliactuel Machado
Rego
Nos cooperativos,
sempre que for empresa vai ser empréstimo. Mas, a idéia
é que o PADCT financie ate 50% a fundo perdido, da pesquisa encomendada
pela empresa. Mas, o PADCT também vai emprestar a empresa.
Mauro Osório
Qual será
a parcela a fundo perdido? Qual será a parcela de empréstimo?
50 e 50? Dos 600, 300 são a fundo perdido? Qual será o
volume de recursos a fundo perdido?
Phactuel Machado
Rego
Até o limite
do PADCT é a fundo perdido, sempre que for utilizado por instituições
de pesquisa,universidades e fundações consideradas de
utilidade pública, enfim, dentro da caracterização
utilizada no PADCT II. A razão da pouca integração
com os Estados no PADCT II é que, tanto no âmbito normativo
como no âmbito estratégico do programa, não havia
participação dos sistemas estaduais. Havia apenas participação
em nível operacional. Como o PADCT II é um programa cujo
critério básico é a excelência, ocorreu uma
concentração de projetos na Região Sudeste. Com
os Programas Cooperativos este quadro será modificado. O importante
nos cooperativos não será, necessariamente, a excelência
na pesquisa. Mas, a idéia é que os Subprogramas Cooperativos
busquem, sobretudo, relevância econômico-social, sendo utilizado
na promoção de parcerias.
Telmo Rudii Frantz
(Secretário de Estado de C&T do RS)
Gostaria de saber
sobre o estágio das negociações. A partir de quando
poderemos dispor destes recursos?
Phactuel Machado
Rego
Estamos trabalhando
na perspectiva de que a avaliação seja realizada em dezembro.
Caso a avaliação seja realizada no inicia do próximo
ano, teremos o desembolso no 20 semestre de 97. Rigorosamente o programa
cobre despesas elegíveis a partir da avaliação.
Muito possivelmente o MCT desenvolverá atividades no inicio do
ano. A idéia é de que tenha desembolsos em 97.
Fausto Antônio
de Azevedo (Subsecretário de Planejamento,
C&T do Estado da Bahia)
Para que os Subprogramas
de Pesquisa Cooperativa atinjam a eficiência e eficácia
desejadas, imagino que se esteja pensando num mecanismo um pouco diferente,
em relação ao clássico do PADCTII.
Phactuel Machado
Rego
Nos Subprogramas
de C&T se manterá a idéia de uma proposição
temática, nos Cooperativos isto não ocorrem, não
existirá nenhum tema obrigatório, nem haverá uma
especificidade temática. Um Estado poderá ter necessidade
em áreas diferentes de outros Estados. Nos cooperativos a idéia
não é ter temas específicos, o que deixam muito
mais livre, com maior flexibilidade, para que os arranjos possam ser
feitos em função das necessidades especificas.
Mauro Osório
Dentro do raciocínio
do Dr. Neri, de que forma poderá ser articulada uma proposta
com os Estados?
Phactuel Machado
Rego
Quando disse que
a situação ainda está nebulosa me referia aos detalhes.
A idéia é não criar uma estrutura pesada, mantendo
a flexibilidade. Dentro das atividades de suporte setorial, vai ter
urna espécie de programa de prospecção e promoção
de negócios que estabelecem os relacionamentos com possíveis
parceiros, explorando oportunidades: um mecanismo que seja flexível,
aplicável a cada situação. Certamente, será
um esquema e um mecanismo distintos daqueles dos Subprogramas de C&T
que veio continuar com a arrumação dos atuais Subprogramas
do PADCT.
Telmo Rudi Frantz
No RS as FAPs
possuem os editais de integração instituto de pesquisa/empresa,
universidade/empresa. Uma idéia que talvez pudéssemos
adaptar é esta experiência que as FAPs já
têm neste campo. Quem sabe projetos que sejam captados nos Estados
através das FAPs, com este espírito, pudessem ser
incluídos, se não na integralidade, mas parcialmente,
no PGM do PADCT.
Lynaldo Cavalcanti
(Representante do Secretário de Estado
de Indústria, Comércio, Turismo, C&T do Paraíba,)
Quando o Governo
Federal anuncia medidas para as Universidades Federais e pensa em tratar
a Universidade de Rondônia da mesma forma que trata a universidade
do Rio de Janeiro, tremo na base. Tratar os desiguais de forma igual
é um problema. Quando falamos de Sistemas Estaduais de C&T,
temos Estados como São Paulo que já têm um sistema
organizado e existem outros que estão na estaca zero. Num programa
como o PADCT, depois de tantas discussões em que o próprio
Banco Mundial está cobrando uma atuação regional,
como vai ser esta atuação regional?
EIoi Fernández
y Fernández
Por sugestão
do vice-presidente do Fórum, devemos montar um grupo de trabalho
do Fórum, que viesse a produzir um documento, que pudesse contribuir,
com a participação dos Estados, em relação
à proposta do PADCT III. Sugiro dois nomes: Neri dos Santos e
Lynaldo. Se os dois aceitarem poderiam se reunir a outras pessoas que
queiram dar uma contribuição efetiva, produzir um documento,
manter um contato estreito com a MCT, com a equipe que estão
trabalhando com a questão do PADCT III e dar urna contribuição
nesta etapa da formulação do PADCT.
Phactuel Machado
Rego
Acho que seria
bastante positivo. o ideal é entregá-lo em meados de
novembro."
EIoi Fernández
y Fernández
Podemos dar por
encerrado este ponto da pauta. Passamos agora para questões internas
do Fórum. Iniciando com apresentação do João
Vicente, da proposta de convênio com a CNPq e a Fórum para
as Sistemas Estaduais de Informação em C&T.
João Vicente
de Abreu Neto (Vice-Presidente do Fórum
e Secretario de Estado de C&T do Maranhão)
No mês de
julho houve uma reunião em Brasília para o lançamento
do Projeto do SEICT e após tivemos um encontro com o Professor
Tundisi, Presidente do CNPq. No quadra desta conversa houve um acordo,
entre os Secretários de C&T e a CNPq, para que fosse encaminhada
uma proposta de criação de um instrumento ou algum tipo
de estratégia de apoio aos Estados via CNPq. Farei urna síntese
do conteúdo do documento para depois discuti-lo com vocês.
Todos as Estados estão vivendo uma situação muito
semelhante, apesar da heterogeneidade dos sistemas estaduais de C&T.
Todos convivem com a questão da crise financeira, a que cria
dificuldade para os sistemas estaduais de C&T, principalmente porque
a maior parte das Secretarias Estaduais de C&T ainda está
se estruturando. O país estão pensando com mais ênfase
na importância da C&T. O que foi proposto neste documento,
e a partir da discussão que houve no CNPq em Brasília,
foi que o CNPq, que tem convênios assinados com alguns Estados,
alocasse este recurso para a estruturação dos sistemas
estaduais de C&T, e que fossem disponibilizadas, para as Estados,
bolsas DTI para enfrentar as dificuldade que estes têm na contratação
de pessoal técnico qualificado. Estas bolsas seriam alocadas
para que as Estados pudessem compor equipes para: gerenciamento dos
programas, planejamento, formulação de políticas
na área de C&T. Seria interessante assinarmos este documento
no final da reunião do Fórum.
EIoi Fernández
y Fernández
A proposta do
João é que isto seja negociado pelo Fórum junto
ao CNPq e o MCT, de uma disponibi1ização uniforme para
os Estados. Acho que a discussão é esta: faremos esta
proposta ou não?
Neri dos Santos
Em conversa com
o Tundisi colocou-se que a dificuldade que as Secretarias enfrentavam
era gerencial, inclusive com relação a montagem dos SEICT.
Acho que a proposta do João esta muito bem formulada.
Nelson Bose (Assessor
para Relações Exteriores da Secretaria de Estado do Planejamento
e Desenvolvimento Regional de Goiás)
Entendemos que
a proposta esta bem formulada, cumpre aquilo que foi imaginado na reunião
de Brasília. Os desníveis dos Sistemas Estaduais são
muito grandes. Fizemos um levantamento e constatamos que: 12 ou 13 Estados
tem FAPs, 50% têm FAPs e apenas dez Estados têm e-mail.
E muito heterogêneo este quadro.
Telmo Rudi Frantz
Acho que o João
conseguiu colocar muito bem o espírito do que se vinha discutindo
neste campo. O item I, no final do documento, é que de fato deixa
claro quais são os nossos compromissos em troca da obtenção
das dez bolsas. É possível que isto se possa, inclusive,
detalhar em cada Estado. Vamos detalhar o que estes dez bolsistas vão,
efetivamente, fazer, para ficar mais transparente para todos nós.
A questão dos baixos salários dificulta a atração
de bons profissionais para compor estes Sistemas Estaduais de C&T.
E uma oportunidade de atrairmos pessoas qualificadas para nos ajudarem.
Sou a favor de que se encaminhe este documento para Brasília,
para o CNPq.
Fausto Antônio
de Azevedo
O Professor Tundisi
manifestou grande interesse, dele e do CNPq, nesta formulação.
Portanto, acho que deve ser encaminhado mesmo.
Lynaldo Cavalcanti
Discutimos com
o Prof. Tundisi formas objetivas de ação conjunta. Evidentemente,
concordo com as propostas. Insisti na questão de que a função
de planejamento e coordenação estava desfalcada. Pela
dificuldade de recrutar, é muito difícil requisitar um
professor de uma Universidade Federal para trabalhar no Estado.
Mauro Lobo Martins Junior (Deputado Estadual
e Secretário de Estado de C&T de MG)
No orçamento
da União, o MCT foi o Ministério menos cortado, praticamente
estão se mantendo íntegros os recursos alocados em períodos
anteriores. Outro ponto que acho importante é este esforço
em termos de maiores investimentos na área de C&T, envolvendo,
obviamente, o governo e a iniciativa privada. Acho isto importante para
que possamos atingir a meta ambicionada pelo Ministro de 0,7% do PIB,
até ultrapassar 1,5%. Se conseguirmos isto até 99, estaremos
dando urna grande arrancada para o novo ciclo de desenvolvimento do
Pais. Estes são dois pontos que julgo importantes para justificar
a proposta. Se é mais adequado encaminhar a carta com a proposta
ao Ministro, tudo bem, fica a critério dos companheiros do Fórum.
Mas acho que é importante dar apoio a este esforço que
estão sendo liderado por ele.
EIoi Fernández
y Fernández
Insisto na proposta
de que sejam duas cartas, com os enfoques já discutidos aqui.
Todos estão de acordo? Finalmente, um último assunto,
nesta parte de assuntos gerais, é sobre a próxima reunião:
Neri sugere que seja em Santa Catarina.
Neri dos Santos
A proposta é
realizar a reunião no dia 5 de dezembro em Santa Catarina.
João Vicente de
Abreu Neto
Quero apoiar a
proposta do Neri. Ano que vem, então, faremos no Maranhão.
EIoi Fernández
y Fernández
A proposta é
que a próxima reunião seja realizada em Santa Catarina.
Tem alguma outra sugestão? Então fica combinado em Santa
Catarina, em torno do dia 5 de dezembro. Podemos encerrar a parte da
manhã? OK. Na parte da tarde teremos a exposição
da Drª Anaísa representando a Secretaria Executiva da Rede
Antares, Drª Claudia Canongia.
Anaísa Caminha
Gaspar (Chefe do Departamento de Coordenação
e Desenvolvimento do IBICT)
Boa tarde. Vou
falar do SEICT e como ele se integra à Rede Antares. Inicialmente,
quero dizer que gerencio o Departamento de Cooperação
e Desenvolvimento, onde as redes nacionais de informação,
coordenadas pelo IBICT, se localizam. O Sistema Estadual de Informação
em Ciência e Tecnologia teve ser inicio em 1984, na Secretaria
de Tecnologia Industrial do Ministério da Indústria e
Comércio. Nesta época a principal contribuição
deste Sistema era desenvolver mecanismos para identificar o potencial
de informação existente nos Estados. A preocupação
desta época era mapear o que existia de informação
nos Estados para apoiar todo o programa de C&T. Objetivo que permanece
ainda hoje, mas com uma característica diferente: a integração
da rede de informação, em nível nacional e internacional.
Há aqui um preocupação de começar a se pensar
em termos de integração de redes, já que a técnica
é o novo paradigma da atuação em redes, se configurando
uma preocupação com o mercado de informação
em nível nacional. Os objetivos do Projeto SEICT passam a ser:
a integração da Rede Antares, aumentando o potencial de
informação dos Estados na rede; a geração
e disponibilização de bases de dados; a geração
de ponteiros, ou indicadores referenciais de C&T. Capacitar recursos
humanos e outro grande objetivo do projeto. No processo de integração
com a Rede Antares, o projeto SEICT prevê a forma1ização
das Secretarias Estaduais como postos de serviços e centros distribuidores.
Neste sentido, temos criado uma página padrão SEICT desenvolvida
pelo IBICT. A principal exigência é de una infra-estrutura
para que o Estado possa operar o seu conjunto de informações.
Podemos dizer que a Rede Antares é um somatório dos SEICTs
estaduais. Se considerarmos os SEICTs integrados com todos os segmentos
de informação de C&T, a Rede Antares poderia ser vista
como a nossa grande rede nacional, que reuni todos estes componentes
de informações que estão nas universidades, Estados,
Centros de Pesquisa, etc. O serviço de informação
em C&T, no ambiente da Rede Antares, consta de acesso a bases de
dados, comuta bibliográfica, sumários correntes eletrônicos.
A Rede Antares opera na RNP, na Internet e na Renpac. Constam desta
rede: universidades; institutos de pesquisa; órgãos governamentais;
usuários individuais; Rede SENAI Rede SEBRAE; Rede CNI-Dampi;
setor empresarial e Rede de Núcleo de Informação
Tecnológica. Fico à disposição dos Senhores
para esclarecimentos.
EIoi Fernández
y Fernández
Este é
um assunto que já vem sendo tratado há algum tempo no
Fórum, os Estados já devem conhecer o Sistema. Vamos fazer
uma inversão na planta original. Passo a palavra ao Dr. Lourival
Mônaco, presidente da FINEP que vai fazer urna apresentação
sobre a política atual da FINEP e das parcerias com os Estados.
Lourival Carmo Mônaco
(Presidente da FINEP,)
Estarmos caminhando
num processo em que, se não houver interação forte,
dificilmente avançaremos e teremos sucesso no trabalho e na missão
da FINEP e da empresa. Estamos preocupados com o conhecimento corno
objetivo, a sociedade caminha para a sociedade do conhecimento, o grande
negocio do futuro. Temos que nos preocupar em como negociar o conhecimento,
como tratá-lo e como passá-lo. Neste sentido a cooperação
com os Estados passa a ser fundamental. Na maior parte das vezes, as
instituições de pesquisa, as FAPs, focalizam o projeto
como objetivo. O resultado é o resultado do projeto. O que nos
interessa mostrar para a sociedade é o resultado do investimento
global em determinadas áreas, por exemplo, com relação
ao meio ambiente ou a infra-estrutura, o que nos interessa é
o efeito global, a eficácia do investimento dos recursos públicos.
Temos que separar eficiência e eficácia. A FINEP está
sendo reestruturada integralmente para poder operar em função
dos focos de resultados e não em função do resultado
de um projeto. Qual é o nosso objetivo? Entramos desde a pesquisa
básica, até aplicação dos serviços,
alertando que, ao longo destes últimos anos, o conhecimento aplicado
a serviços se torna mais relevante do que o conhecimento aplicado
às chamadas tecnologias hard. Há um esforço em
identificar qual o papel focal do Governo Federal, do Governo Estadual.
Não há urna regra definida, varia de Estado para Estado,
de região para região, estamos trabalhando mais ou menos
com este enfoque, e toda a reestruturação da FIINEP passa
por este enfoque. Todas as unidades da FINEP estão sendo tratadas
como Centros de Resultados. Nos interessa saber qual é o impacto
do investimento feito com dinheiro público para o bem da sociedade.
Serão acompanhados resultados por investimentos, receita e dispêndio.
As unidades da F1NEP passam a tornar decisões, apenas as decisões
referentes a grandes projetos serão tomados junto com a Diretoria.
A organização da FINEP tem uma característica interessante:
primeiro, a área estratégica da FIINEP é baseada
nos resultados, toda a política de agregação de
resultados de prospecção de necessidades e de oportunidades
será feita por esta unidade que chamamos de Conjunto Corporativo;
temos um Conjunto Operacional que opera orientado de acordo com o cliente.
A FINEP vai trabalhar permanentemente com metas, todas negociadas. Nos
interessa, não uma instituição focada para as áreas
de ciência, mas, principalmente, focada no cliente, ênfase
nos resultados e tomada de decisão próxima ao cliente.
Um aspecto interessante desta discussão é a nova visão
da missão da FINEP. A FINEP tinha como missão apoiar o
desenvolvimento científico e tecnológico. A nova missão
definida pela instituição é fazer da C&T instrumento
para o desenvolvimento do país, estamos procurando fazer da C&T
fonte de mudança. O primeiro conjunto de projetos é o
que chamamos de projetos focados para o desenvolvimento social e o desenvolvimento
regional. o projeto Arquimedes, por exeruplo, é um projeto de
educação cujo objetivo é a melhoria da educação
nas escolas, principalmente, nas escolas privadas. Educação
para a competitividade, é um projeto cujo objetivo básico
é mudar o foco da competitividade. A nossa preocupação
é que a competitividade depende de um melhor nível educacional
do trabalhador. Educação é um problema do MEG.
Mas, a educação ligada a competitividade, cujo retorno
é imediatamente auferido pelo empresário, é uma
preocupação também nossa. Urna das formas que me
parece adequada para que se crie essa infra-estrutura de C&T no
pais, é que cada Estado busque aquilo que lhe diz respeito e
aquilo que é de interesse local, e não necessariamente
aquilo que é do interesse nacional. Projeto de Ação
Social dedica-se a geração e difusão de conhecimentos
nas áreas de alimentação e nutrição.
Temos vários estudos que estão sendo desenvolvidos inclusive
no enriquecimento de alimento. Na área da habitação
temos vários projetos em andamento, financiados pelo BID, são
Projetos de pequena monta, mas que buscam desenvolver tecnologia adequada.
Na área de saúde temos o caso do BID, em que houve concentração
na atividade ligada à qualidade do sangue. Vários projetos
foram aprovados cujo objetivo era a montagem de laboratórios
de análise e qualificação dos produtos derivados
do sangue. Outra atividade é o acompanhamento de macro-políticas,
que se constitui em estudos realizados para acompanhar a política
nos Estados. De todos os projetos, o que deve gerar mais impacto a curto
prazo, e neste caso existe um interesse forte da interação
com os Estados, é o projeto do Sistema Nacional de Processamento
de Alto Desempenho. Estamos falando de computadores com alta capacidade
de processamento. A computação de alto desempenho, as
telecomunicações, a telefonia, todo o sistema vai ser
integrado numa única coisa. Esta integração, que
deverá ocorrer no futuro, exige que todos os Estados participem
do processo, porque o sistema de rede será um mecanismo democrático
de acesso ao conhecimento. Nenhuma unidade da Federação
deve ficar de fora, marginalizada, num processo que é extremamente
rápido e de mudanças radicais. Existe uma série
de outros projetos que estão em andamento junto aos Estados e
que ainda não atingiram a sua totalidade. Uma das coisas que
vão ser discutidas amanhã é a cooperação
entre FINEP e FAPs. A FINEP tem o objetivo de participar de um
processo de parceria com as Fundações Estaduais colocando
recursos em igualdade de condições. Os cortes do FNDCT
e algumas dificuldades burocráticas que ocorreram não
nos permitiram ainda ter o sistema inteiro funcionando. Até o
final do ano teremos convênios com todas as fundações
existentes. A preocupação é trabalhar com as FAPs.
Isto vai permitir que não só os Estados tomem a decisão
daquilo que vai desenvolver, mas que o Estado faça à FINEP
propostas de parcerias em outras áreas. Um ponto importante que
foi mencionado aqui são as diferenças regionais que normalmente
causam preocupações a aqueles que estão em regiões
mais ou menos desenvolvidas do ponto de vista da C&T. Como última
mensagem, quero enfatizar que temos que aprender a dar um foco claro
no problema que queremos resolver, e não resolver o problema
global. Sem foco será muito difícil realizar projetos
de cooperação e a avaliação de resultados.
EIoi Fernández
y Fernández
Agradeço
ao Dr. Lourival Mônaco pela sua brilhante exposição.
Passo para perguntas, dúvidas e comentários dos Senhores
Secretários e representantes.
Neri dos Santos
É uma satisfação
ter o professor Mônaco aqui conosco. Achei particularmente importante
na exposição a preocupação da FINEP e, fazer
urna maior parceria e uma maior articulação com as Estados.
Acho que a FINEP está traçando um tipo de planejamento
estratégico para os novos tempos, podendo também estabelecer
parcerias com as FAPs e, sobretudo, com as Secretarias de C&T.
Lourival Mônaco
O Ministro Israel
Vargas chama atenção para a fato de que a Academia pensa
em C&T na chamada hardscience, aquela que produz equipamento,
quando a que estamos discutindo hoje é muito mais do que aplicar
conhecimento a um produto. E a sistema de gestão, a inteligência
do trabalhador, a ambiente de trabalho, a educação. E
quase impossível se definir especificamente sua linha de atividade.
E claro que isto pode trazer um desgaste para a FINEP por abrir demais
o leque, mas vamos fechar a medida que outros assumam este papel. Com
relação ao FNDCT, temos que transformá-lo dentro
desta idéia de projetos e produtos com resultados, procurando
solucionar problemas, ou mudando a patamar dos problemas. Como, por
exemplo, a caso CENAPAD (Centro Nacional de Processamento de Alto Desempenha).
Um investimento de 20 milhões que fizemos nos últimos
dois anos praticamente mudou toda a relação do sistema
de computação de alto desempenho no pais. A preocupação
que ternos é que a FNDCT seja usado para resolver problemas deste
tipo. Não podemos simplesmente cuidar da manutenção
de grupos . Temos outras alternativas como é o caso do PRONEX,
do projeto do BID e do trabalho cooperativo com as Fundações.
O FNDCT tem que ter uma cara forte, é um programa com investimento
de dinheiro público para mudar o patamar de desenvolvimento da
C&T na pais, e não para preservar a status-quo. Com relação
aos investimentos em C&T, a Ministro Israel Vargas destacou que
do ano de 1947 até 1992, a Brasil cresceu 12,7 vezes, e a investimento
em C&T não cresceu, segundo ele, provavelmente, as nossas
estatísticas de investimento em C&T não são
confiáveis. A segunda coisa que ele chama a atenção
é que para se passarmos de 0,7 % para 1,5% do PIB, equivale a
chegarmos a 14 bilhões de dólares em 99. Se considerarmos
40% dos empresários (ou 6 bilhões), o Governo entraria
com alguma coisa próxima a 6 bilhões, e 2 bilhões
entre Estados e Municípios e recursos externos. Se perguntar
aqui quantas cientistas estão fazendo pesquisa no Brasil, desconfio
que cada um vai dar um número. Se dividirmos a que se investe
hoje em C&T, a Brasil está investindo entre 50.000 e 60.000
dólares por pesquisador. Nos Estados Unidos eles calculam gastas
com C&T incluído os salários, aqui não incluímos
salário. Se fizermos esta conta, para chegar a 14 bilhões
de dólares, mantendo este mesmo nível, vamos precisar
alguma coisa em torna de 150.000 pesquisadores. Se tivermos 50.000,
vamos ter que multiplicar por três. Mas temos indicadores de eficácia
e eficiência e temos que achar estes indicadores. A política
que estamos discutindo na FIINEP é utilizar mais ou menos 30
indicadores reconhecidos no mundo todo. Em cada contrato seria determinada
que se escolham dez indicadores, é difícil avaliar resultados
se você não estabeleceu metas nem objetivos claros. A CAPES
e o CNPq investem em bolsa quase 1 bilhão de dólares.
Estamos discutindo recursos humanos, investimentos feitos por duas agências
que quase atingem 1 bilhão de dólares. Estamos procurando
conciliar a nossa capacidade de investir em infra-estrutura com a capacidade
destas duas agências investirem em recursos humanos. Tentei alertar
que infelizmente a distribuição de recursos é desigual.
Isto ocorre também nos Estados Unidos. Nos Estados Unidos o orçamento
de C&T, que é de 166 bilhões de dólares, 10
Estados são responsáveis por 2/3 dos recursos investidos.
Esta desigualdade de distribuição sem dúvida existe
e temos que resolver. O que temos são alguns grupos que se estabeleceram,
como é o caso da Física de Pernambuco e competem em igualdade
de condições com outras regiões. O problema maior
é como estender isso. Se analisarmos com qualquer critério
que usei na FINEP, como nº de reais por pesquisador dos grupos
existentes, será exatamente o mesmo no sul e no nordeste. O mecanismo
que temos que utilizar é como fixar as pessoas nos locais em
que estão trabalhando.
EIoi Fernández
y Fernández
Passo a palavra
para o Dr. Ariosto Holanda.
Francisco Ariosto
Holanda (Secretário de Estado de C&T
do Ceará)
Tem sido uma tradição
aqui neste Fórum apoiar o orçamento do MCT. Pergunto se
a FINEP teria alguma emenda a apresentar. Este Fórum encaminhou
as propostas de emenda que nos foi trazido pela FINEP para a comissão
de C&T. Sempre insisto neste ponto porque houve uma queda brutal
dos recursos do FNDCT ao longo destes anos. No ano passado recebemos
10% do que tínhamos em 1975. Acho que seria prudente tentarmos
encaminhar estas emendas e que cada Estado procure junto ao seu deputado
fazer lobby para que venhamos a fortalecer os recursos da área
de C&T e da FINEP.
Lourival Mônaco
O Ariosto tem
sido um incansável lutador para aumentar a disponibilidades de
recursos a ser aplicado a fundo perdido. Toda vez que estamos discutindo
melhor distribuição de recursos, evidentemente que com
50 milhões de reais fica muito difícil para se atender.
Se tivéssemos 100 milhões ficaria mais fácil estabelecer
programas e tratar das diferenças que queremos minimizar. o ponto
que é importante chamar a atenção é o que
mencionei sobre a revisão do FNDCT para que solucione problemas
e não fique simplesmente na cobertura de deficiências orçamentárias.
A área de bolsas e o apoio a infra-estrutura cresceram demasiadamente,
a pesquisa em si ficou atrás. Temos que melhorar isto para criar
uma compatibilidade entre a formação de pessoal e a demanda
futura. Concordo com o Ariosto, temos que fazer um esforço grande
e a contribuição do Fórum seria extremamente relevante
se conseguíssemos colocar recursos porque nos permitiria estabelecer
programas especiais para minimizar estas diferenças.
Audenir Antônio
Brunelli (Representante da Secretaria de Estado
da Ciência, Tecnologia e Desenvolvimento Econômico de SP,)
Dr. Mônaco,
boa tarde. Acompanhei algumas das reuniões da FIINEP no ano passado
e me lembro que, com relação aos financiamentos das empresas,
tinha uma preocupação grande com relação
à inadimplência. Quero saber como está a situação.
Em relação aos empréstimos para os Estados quero
saber se existe essa preocupação, e como é que
isto pode ser solucionado caso haja problema de inadimplência
com os Estados
Lourival Mônaco
A FTNEP
sabe muito bem das dificuldades dos Estados e a melhor hora de ajudá-los
é quando eles precisam. E evidente que tornamos cuidado, porque
a FINEP vive do retorno dos investimentos. Existe urna inadimplência
razoável, não com as pequenas empresas. Em todos os projetos
que temos com as pequenas empresas a inadimplência não
deve chegar a 1%. No geral são grandes empresas, e a grosso da
inadimplência são projetos grandes contratados no inicio
da década de 80, quatro destes projetos representam 80% da inadimplência.
Telmo Rudi Frantz
Dr. Mônaco,
faço minhas as palavras do Neri e de tantos outros. Acho que
esta reengenharia que está sendo feita, é para nós
também. Sabemos que é um desafio, pelo menos em nível
dos Estados. Conseguir alavancar um maior volume de recursos significa,
também, ter uma maior visibilidade, ter o foco em cima do resultado
econômico social. Para o processo produtivo isto é fundamental.
Outra questão que gostaria de colocar é que a cada ano
entra recurso e sai recurso e nos Estados não se criam fundos
rotativos. Existem setores e mesmo universidades que captariam recursos
sem ser a fundo perdido. Temos o caso do RS em que quase todas as universidades
comunitárias devem ter captado recursos da ordem de 11 milhões
de dólares junto ao BNDES.
Lourival Mônaco
Na verdade não
vejo nenhum problema para as FAPs terem esta função.
Não precisa se preocupar que isto não vai entrar em choque
com a FINEP. A FINEP está se reestruturando para participação
de risco. A maior parte dos recursos que virão do Governo Federal
será aplicada em risco. Não será aplicada mais
só como capital da FINEP, mas em risco porque já capitalizamos
razoavelmente a FINEP. O ponto de vista básico, político
e filosófico, é que não se financia a 600 quilômetros
do cliente. O caminho é colocar funcionários da FINEP
nas instituições locais que têm avaliação
técnica e estrutura para avaliar pequenos projetos. Na área
da educação estamos criando os parceiros técnicos
que fazem estas avaliações. No caso da ANPEG nós
estamos repassando para os parques tecnológicos a função
de avaliação técnica dos projetos.
João Vicente
de Abreu Neto
Queria também
me associar aos demais Secretários e parabenizar o Presidente
da FINEP. A mudança do conceito desta instituição
é um avanço importante, acredito que esta questão
do foco na solução dos problemas leva ao reconhecimento
da heterogeneidade dos Sistemas Estaduais. Queria maiores informações
sobre este programa de auto-gestão empresarial.
Lourival Mônaco
E um programa
que estamos realizando com a Associação ANTEAG cujo objetivo
é realizar treinamento nas áreas de gestão, formando
novos gestores nas empresas que são assumidas pelos funcionários.
EIoi Fernández
y Fernández
Parabenizo o
Dr. Mônaco pela apresentação, foi uma das melhores
que este Fórum já presenciou e, particularmente, pela
boa perspectiva em função dos temas aqui apresentados
que vêm coincidir com as propostas do Fórum no sentido
de entender a C&T como desenvolvimento regional. esta equipe veio
neste mesmo sentido. Parabenizo a FINEP e o MCT por estas novas diretrizes.
Obrigado. Passo a palavra ao Secretário Ariosto Holanda
Ariosto Holanda
Vamos enfocar
a C&T como fator de desenvolvimento regional. O Mônaco foi
muito feliz quando colocou a C&T dentro do enfoque do conhecimento.
A minha proposta passaria por educação e C&T como
fatores de desenvolvimento regional. O que está em jogo é
conhecimento como fator de desenvolvimento regional. Observamos que
educação, C&T e planejamento neste pais são
abordados como se fossem compartimentos estanques. A palavra desenvolvimento
merece uma reflexão. E justo falar em desenvolvimento na região
Nordeste, quando do último balanço da SUDENE consta que
nos últimos 15 anos, a área industrial quadruplicou, a
área agrícola triplicou, mas constata-se que a pobreza
aumentou exponencialmente. Então me vem novamente a pergunta:
desenvolvimento para quem e para que? Por isso defendo o que chamo de
Mobral da tecnologia. C&T são ferramentas importantes no
desenvolvimento de qualquer região. Fiz esta reflexão
em cima do tema baseado na leitura de três documentos. O primeiro
documento foi o que tratou de identificar as causas dos desequilíbrios
regionais. O segundo documento foi o relatório da CPI que procurou
identificar as causas do atraso tecnológico do país. O
terceiro foi o que tratou do problema da competitividade da indústria
brasileira. A política de C&T praticada baseou-se no programa
de bolsas. Mas, a dominância das bolsas é para atender
a demanda espontânea. Não existe uma demanda induzida,
ou programada no sentido de resolver problemas estratégicos da
região. Acho que a palavra chave é extensão. Sempre
entendi que os institutos de tecnologia deviam ter um trabalho de interatividade
forte com o meio e um trabalho grande de extensão. O grande desafio,
principalmente nas regiões subdesenvolvidas, que se estende para
as regiões mais avançadas, passa a ser este: como gerar
trabalho num meio em que a grande maioria é analfabeta e desqualificada
profissionalmente? A minha tese é a seguinte: onde se concentra
conhecimento aumenta o desequilíbrio. A solução
dos nossos problemas é a transferência de conhecimento
compatível com a cultura do meio. Hoje a tecnologia passa a ditar
as normas de desenvolvimento. Como vamos enfrentar isto nas regiões
mais deprimidas? Principalmente, quando nestas regiões as empresas
instaladas são empresas que só sobrevivem a custa de incentivos,
são indústrias tecnologicamente atrasadas, se tirar os
incentivos elas acabam, porque não tem competitividade. Venho
defendendo é que do mesmo modo que o CNPq tem um programa de
60 mil bolsas junto com a CAPES para mestrado e doutorado, que se crie
nestas instituições bolsas para fazer extensão,
transferência de conhecimento. O que custa distribuirmos com cada
estado, mil ou quinhentas bolsas para extensão, transferência
do conhecimento? No relatório que fizemos na CPI do atraso tecnológico
fica muito claro que a principal causa do atraso tecnológico
é a degradação da base educacional. É fácil
falar de C&T. Mas esquecemos que C&T é uma ponta numa
cadeia de conhecimento, que começa com a educação
de base, depois vai para: ensino profissionalizante, graduação;
pós-graduação; pesquisa básica; pesquisa
aplicada; desenvolvimento tecnológico; engenharia e mercado.
Corno trabalhar aqui na ponta, como vinham trabalhando os institutos,
se você tem uma base totalmente degradada? Uma base onde não
tem nem como transferir o conhecimento que já foi gerado. Por
isto defendo para este país, para as regiões mais pobres,
o que chamo de MOBRAL da Tecnologia. Temos ainda a questão do
avanço tecnológico. Como vamos enfrentar o avanço
tecnológico? Precisamos gerar e transferir conhecimento. Nossa
proposta é, sem esquecer o fortalecimento da indústria
ou da pesquisa básica, criar os Centros Vocacionais Tecnológicos.
Serão quarenta Centros, todos ligados na Internet. Cada um ponto
destes será uma presença da RNP, dentro de um Projeto
que chamei de infovias do desenvolvimento. Em cada Centro teremos seis
laboratórios: Física; Química; informática;
Biologia; eletro-rnecânica e análise de solo, água
e alimentos. Teremos uma estrutura básica e podendo dar suporte
às escolas. Assim o ensino tecnológico formará
uma base educacional, cientifica em nível de 2º grau. Em
áreas estratégicas do interior estamos implantando três
centros tecnológicos de ensino superior, onde vamos formar o
tecnólogo de nível superior na área de tecnologia
de alimentos, de eletromecânica, de recursos hídricos e
irrigação. Este projeto é um projeto também
de ensino à distância. Em Fortaleza vai haver um provedor
e ao lado dele um banco de soluções. Cada endereço
eletrônico de cada pesquisador da Universidade Federal, dos Institutos
de Tecnologia prestará consultoria na área de C&T.
Fizemos alguns cursos da área tecnológica, na área
de transferência de conhecimento que chamamos de videotecas profissionalizantes.
Passamos para a linguagem de vídeo todos aqueles ensinamentos,
gerados dentro das universidades e dos institutos de tecnologia. Esta
rede também vai se interligar, como falou o Mônaco, com
o Sistema CENAPAD. Temos como parceira a COMPAQ que, através
da lei 8248, comprou o projeto e fez uma doação de 1600
computadores, de modo que em cada município vamos instalar uma
rede ligada à Internet, com a placa de fax-modem. A idéia
é transferir conhecimento. O Governo do Estado criou o Fundo
de Apoio à Micro e Pequena Empresa. Na linha do mercado, estamos
tentando priorizar através do programa de compras governamentais.
Só assim entraremos num processo de criação de
trabalho e geração de renda. Temos também um programa
chamado PRODITEC de difusão tecnológica onde realizamos
diariamente cursos voltados para área de serviços e processos.
Por isso fica aqui a proposta, uma provocação para o Fórum
Por que não se cria, e se coloca como urna proposta para o Ministério,
um programa de extensão tecnológica? Como diz Schummacher,
temos que pensar numa economia que leve em conta as pessoas. Isto é,
numa economia com base na produção pelas massas em vez
de produção em massa.
João Vicente
de Abreu Neto
Estão abertos
os debates.
Mauro Osório
Sabre a lei 8248,
que é a lei de informática. Qual foi a base de argumentação
para a obtenção do beneficio, no casa dos computadores?
Ariosto Holanda
Negociamos com
a COMPAQ. Este projeto está aprovado no Ministério coordenado
pela UNIEMP. Existem 4 projetas da 8248: Educação à
Distância; a projeto SOFTEX 2000; a projeto da RNP e a da PROTEN.
O nosso projeto, toda a estrutura, concepção dos Centros
Vocacionais Tecnológicos, foi aprovado pela FINEP e vamos implantar
estes 40 centros ao longo destes 2 anos. São investimentos, neste
primeiro, lote da ordem de 10 milhões de dólares. Existe
uma tarifa especial para a educação, negociamos isto com
o sistema Telebrás e a Ministério das Telecomunicações.
Telmo Rudi Frantz
Seu trabalho tem
um mérito importante porque tem urna clareza grande de concepção.
Tem um objetivo sócio-econômico clara, na medida em que
instrumentaliza o Estado e a faz em função de objetivos
claros e realistas. Como à que se dá a sinergia entre
as Universidades e a Secretaria? Como é que a comunidade cientifica
do Ceará se posiciona frente a um projeto destes, de extensão
tecnológica?
Ariosto Holanda
Estes Centros
são gerenciados e distribuídos geograficamente, por universidades,
ou pelos núcleos de tecnologia. O importante neste processo é
que a meio alimente as pesquisas, identificando a demanda tecnológica
do meio e levando-a para dentro das Universidades. Acho que há
uma convivência boa e muito entusiasmo. E um programa novo, pioneiro
e acreditamos nele.
João Vicente
de Abreu Neto
Agradecemos a
exposição do Secretário Francisco Ariosto Holanda.
Passaremos para o último painel chamando a Prof. Clélio
Campolina.
Clélio Campolina
(Professor da Universidade Federal de MG)
Minha reflexão
é baseada num documento que produzi a pedido do IPT, intitulado:
C&T e a Questão Regional Brasileira. Começo
discutindo a questão de C&T e a questão regional brasileira.
Se somarmos RI e SP, com um pouco mais de 3% da área geográfica
do pais, teríamos 55% do PIB e quase 30% da população
brasileira. E a primeiro reflexo do nível de concentração
geográfica que aconteceu no Brasil ao longo do processo histórico
de desenvolvimento. Enfatizo isto para dizer que pela primeira vez no
Brasil, estamos assistindo a uma reversão de concentração.
Inicialmente houve uma reversão do Estado do Rio de Janeiro e
agora assistimos a uma reversão da área metropolitana
de São Paulo da ponto de vista industrial. Esta reversão,
que começa no final dos anos 60 e inicia dos 70, provocou uma
certa distribuição geográfica da produção
nos Estados brasileiros, a exceção de SP e RJ, que já
vinham num processo histórico de perda; e de Pernambuco. É
o primeiro processo de reversão de polarização
e funcionou até metade dos anos 80, A partir de quando vemos
uma tendência de reag1omeração na área mais
desenvolvida do pais. Em 1991 a n0 de áreas industriais com mais
de 10.000 pessoas ocupadas, aumentou de 33, em 1970, para 91, em 1991.
A grande maioria de aglomerações se localiza do meio de
Minas para o Sul. Algumas se localizam nas capitais do nordeste e se
iniciou uma nova área que é Manaus. Há reconcentração
geográfica, do ponto de vista da indústria, na região
Centro-Sul do Brasil. E um fato complexo se analisarmos as transformações
contemporâneas que estamos assistindo do ponto de vista da globalização,
da abertura da economia brasileira, do Mercosul, das mudanças
tecnológicas e da mudança do papel do Estado. Todos estes
fatores vão contribuir para a reaglomeração nesta
região. Os requisitos locacionais para as atividades tecnológicamente
modernas são distintos, apresento urna lista que saiu num trabalho
feito nos EUA, intitulado High-Tech America: o desenvolvimento
da tecnologia da informação permite que uma pessoa, numa
cidade de porte médio, esteja ligada com o mundo. Isto está
mudando o padrão locacional. Outro aspecto é a abertura
externa, que vai impactar de forma diferenciada as distintas regiões.
As regiões onde existem condições de competição
internacional seriam favorecidas pela abertura. As regiões cuja
estrutura produtiva tem dificuldade de enfrentar a competição
internacional seriam favoráveis pela abertura. A abertura externa
tem um impacto diferenciado, tendendo a reforçar a concentração
e coincide com um fenômeno particular que é a criação
do Mercosul. A criação do Mercosul, pela própria
localização geográfica dos parceiros, sendo o mais
importante a Argentina, tende a estimular a localização
industrial na área mais próxima a estes paises. Levantamentos
preliminares mostram que, dos investimentos cruzados entre argentinos
e brasileiros, os primeiros estão concentrados de SP para baixo
o que tende a reforçar a concentração. Com relação
às mudanças no papel do Estado é necessário
ser radical, repensar qual deve ser o Estado moderno. Está superado
o Estado Histórico tradicional. Acho que não é
mais necessário que o Estado fabrique aço, mas penso que
um país com as nossas dimensões, com seus problemas estruturais,
estão longe de poder abrir mão da presença forte
do Estado por vários aspectos. E impossível pensar a questão
da distribuição de renda sem mudanças estruturais
profundas e não se fazem mudanças estruturais via mercado.
O enfraquecimento do papel do Estado levaria a uma tendência de
reconcentração. Dou meu diagnóstico sobre a questão
regional brasileira no sentido de que há uma tendência
à reconcentração industrial, de desconcentração
da fronteira agrícola extensiva de grãos. Quanto ao setor
serviços, sou da opinião que este setor não tem
dinâmica própria. Os serviços podem empregar mais
pessoas que os demais setores, ter mais participação no
PIB, mas dependem da dinâmica dos setores produtores de bens.
Feita esta constatação caberia saber o papel da C&T
no desenvolvimento regional. Houve um renascimento da consciência
de que tecnologia é o elemento central no desenvolvimento econômico.
E a chamada escola Schumpteriana, ou neo-Schurnpteriana, que renasceu
mostrando que o desenvolvimento econômico está assentado
no desenvolvimento das forças produtivas e da tecnologia. Países
que dominam o desenvolvimento tecnológico, dominam economicamente
a produção e as relações internacionais.
As regiões que avançam tecnologicamente, avançam
em termos produtivos e em termos de relações internacionais.
Em segundo lugar, o progresso técnico não ocorre de forma
genérica, extensiva, para todas as atividades ao mesmo tempo,
as mudanças tecnológicas ocorrem por grupos setoriais.
O terceiro elemento, é que, como há mudanças estruturais,
em cada época histórica surgem setores novos, atividades
novas. As mudanças tecnológicas abrem janelas de oportunidades.
Prima das janelas de oportunidades são as janelas locacionais.
Em seguida, quero dizer que estas janelas de oportunidade, estas janelas
locacionais, não são espontâneas ou aleatórias,
exigem preparação. Quando uma região, um país
ou um setor se prepara para ganhar vantagem de uma nova tecnologia ele
deve se capacitar, se não tiver uma preparação
mínima a janela abre e fecha. Analisando os requisitos locacionais
das atividades de alta tecnologia nos Estados Unidos, publicados no
High-Tech América, foram listados 11 fatores locacionais,
no caso americano, para a localização de indústrias
de alta tecnologia. São eles: grandes aeroportos; amenidade (china);
habitação a preço razoável; condições
educacionais e culturais; baixa organização sindical;
acessibilidade; infra-estrutura de negócios; livre iniciativa
brasileiras. E clara que temos que construir as vantagens artificiais
em cima das vantagens naturais,; centros de pesquisa e desenvolvimento
industrial; concentração dos fundos federais de pesquisa
básica; concentração dos gastos de defesa. E importante
constatar que as mudanças de organização dos processos
de trabalho, principalmente a chamada crise do fordismo e os processos
de desintegração vertical, estão levando a recriá-lo
da aglomeração industrial. Assim, a infra-estrutura de
tecnologia de pesquisa e de capacitação profissional é
uma peça fundamental para a preparação destas regiões
para o desenvolvimento econômico, seja na atividade industrial,
na atividade agro-pecuária, na atividade de serviços.
Chego ao último ponto da exposição que é
como relacionar esta questão da infra-estrutura tecnológica
com as condições regionais Em cima das três dimensões:
a geográfica; a das diferenças naturais e a das diferenças
da base produtiva. Acho que se poderia definir as prioridades da pesquisa
tecnológica de cada região, para isto é necessário
regionalizar o esforço de pesquisa. Esta é uma questão
controversa. Todas as regiões entendem que devem fazer pesquisa
universal, que o conhecimento acadêmico é universal. Ao
contrário defendo a posição de que o mínimo
de universalidade é fundamental. Quando falo em termos de potencial
de crescimento, falo do casamento de vantagens naturais com modernização
tecnológica. Entendo que deveria ser feito um esforço
de regionalização da C&T ou do esforço de pesquisa
no Brasil. Com a globalização, a modernização
do sistema de comunicação e de transporte, existe um risco
de fragmentação do espaço nacional porque as regiões
podem se articular diretamente com o exterior. Esta é uma questão
que estão sendo analisada no exterior.
Estiveram
presentes à 40ª Reunião do Fórum Nacional de
Secretários para Assuntos de Ciência e Tecnologia os seguintes
Secretários ou Representantes de Secretários: Eloi Fernández
y Fernández, Secretário de Estado de C&T do Rio de Janeiro
e Presidente do Fórum; Mauro Lobo Martins Junior, Deputado Estadual
e Secretário de Estado de C&T de Minas Gerais; João
Vicente de Abreu Neto, Secretário de Estado de C&T do Maranhão
e Vice Presidente do Fórum; Sandra Carvalho de Berredo, Secretária
de Ações Estratégicas e Planejamento do Espírito
Santo e Representante da Região Sudeste do Fórum; Francisco
Ariosto Holanda, Secretário de C&T do Ceará Telmo Rudi
Frantz, Secretário de Estado de C&T do Rio Grande do Sul; Neri
dos Santos, Presidente da Fundação de C&T de Santa Catarina
e Representante da Região Sul do Fórum; Fausto Antônio
de Azevedo, Subsecretário de Planejamento, C&T da Bahia e Representante
da Região Nordeste do Fórum; Eleonora Cunha, Representante
da Secretaria de Estado do Meio Ambiente do Amapá; Nelson Bose,
Representante do Secretário de Estado de Planejamento e Desenvolvimento
Regional de Goiás; Celso Rubens Smaniotto, Representante do secretário
de Estado do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável do Mato
Grosso do Sul; Lynaldo Cavalcanti, Representante do Secretário
de Estada da Indústria, Comércio, Turismo, C&T da Paraíba;
Gonçalo Signorelli de Farias, Representante do Secretário
de Estado de C&T e Ensino Superior do Paraná; Maria de Fátima
Aquino Matos, Representante da Secretaria de Industria, Comércio
, C&T do Piauí; Audenir Antônio Brunelli, representante
do Secretário de Estado de C&T e Desenvolvimento econômico
de São Paulo.
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